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UFF - Universidade Federal Fluminense

Vermelha

Sessões:
14/06 (Sex) 20:00 - 15/06 (Sab) 20:00 - 16/06 (Dom) 19:00
21/06 (Sex) 20:00 - 22/06 (Sab) 20:00 - 23/06 (Dom) 19:00
28/06 (Sex) 20:00 - 29/06 (Sab) 20:00 - 30/06 (Dom) 19:00

 

Inspirado no conto “Sapatos vermelhos”, de Hans Christian Andersen, o monólogo traz o ator Matheus Lima e fala sobre luta de classes

Vermelha é o terceiro espetáculo da Cia. de Teatro Manual, um solo com dramaturgia de Cecília Ripoll, direção de Marcela Andrade e atuação de Matheus Lima. Em cena, Matheus conta a história de um menino que trabalha exaustivamente em uma fábrica de sapatos, mas que contraditoriamente não tem condições de juntar dinheiro para comprar o seu próprio calçado. Um dia, ele descobre que as mercadorias que eles produzem na fábrica, situada no país de baixo, são vendidas a um preço bem menor se compradas no país de cima, para onde são exportadas. Começa então uma batalha entre a classe trabalhadora, que quer ter acesso aos sapatos, e o presidente daquele país que propõe a construção de um muro para impedir a entrada dos imigrantes descalços.

Vermelha pretende aprofundar a continuada pesquisa da Cia. acerca do gesto e do espaço cênico. Em 2014, com a peça Hominus Brasilis, o coletivo foi indicado ao Prêmio Shell RJ de Melhor Direção e ao Prêmio Cesgranrio, na Categoria Especial, pelo estudo do espaço cênico por intermédio da plataforma. Agora, o grupo se lança ao desafio de encenar uma saga repleta de acontecimentos, numerosos personagens e geografias distintas com um único ator no palco.

“Neste primeiro solo da companhia e meu também, o objeto plataforma não estará em cena, mas os princípios que norteiam o trabalho dela, sim: a gestualidade, o corpo expressivo, a pantomima, a comicidade física, o trabalho rítmico, a construção da atmosfera por meio das sonoridades, enfim, elementos que definem nosso trabalho”, destaca Matheus, que interpreta quatro personagens fixos: o menino, a mãe, o presidente do país de cima e o presidente do país de baixo.

O conto Sapatos vermelhos, de Hans Christian Andersen, foi o disparador do processo que resultou em uma nova dramaturgia textual que se descola da narrativa original. “No conto de Andersen existe um movimento muito forte entre desejo e repressão, repressão e desejo, além da cor vermelha que está relacionada a esses dois polos. Esses sentimentos foram os que mais me fisgaram no conto e que impulsionaram a minha criação”, afirma Cecília Ripoll. Dois clássicos de Charlie Chaplin também serviram de fonte: O grande ditador e Tempos modernos.

A encenação, uma mescla de densidade e comicidade, se estrutura em frases curtas e pontuais, pensadas enquanto enunciados da trama, espécie de “legendas orais”, oferecendo lacunas a serem preenchidas pela relação entre ator e espectador. Matheus joga com as frases-legenda como se fossem companheiras de cena e transita por todos os fatos e personagens, ora sendo, ora vendo, ora manipulando. Para Marcela Andrade, a direção desse trabalho é uma resposta à força e à inteligência da dramaturgia da Cecilia Ripoll em conjunto com a potência artística do ator - "Matheus Lima é um artista interessado em todas as frentes do processo criativo. Sua trajetória como ator é uma relação de vida em muitas camadas: familiares, sociais e ancestrais. Para mim, nesse momento histórico do país, Matheus, de maneira corajosa, segue experimentando o teatro, que é a nossa forma comum de seguir experimentando a vida, quero dizer, as vidas possíveis. Encontrar o público se torna oportunidade para experimentarmos ainda mais”, finaliza a diretora.

A Cia de Teatro Manual nasceu em 2011, após os atores Matheus Lima e Helena Marques conhecerem, em 2010, a técnica da linguagem da plataforma, em um curso de especialização na LISPA - Escola Internacional de Artes Cênicas de Londres. De volta ao Brasil, o casal se juntou a Dio Cavalcanti e Patrícia Ubeda e, durante três anos, se dedicaram ao estudo do formato e à pesquisa do espaço cênico e do corpo expressivo, até chegarem ao espetáculo de estreia Hominus Brasilis, em 2014, indicado aos Prêmios Shell de Melhor Direção e Cesgranrio na categoria Especial pelo Estudo sobre o Espaço Cênico através da Plataforma. Com Hominus Brasilis, a Cia representou o Brasil nos festivais internacionais Chicago Physical Festival (EUA - 2016), Festival Efímero de Teatro Independente (Argentina - 2017), Beijing Comedy Week (China - 2017), Festival Gargalhadas na Lua (Lisboa - 2019) e Festival Internacional de Teatro de Alentejo (FITA - 2019). Com o espetáculo infantojuvenil A Menina e a Árvore (2018), a Cia. foi indicada aos Prêmios Zilka Salaberry de Melhor Iluminação e ao Prêmio CBTIJ de Melhor Direção, Melhor Iluminação, Preparação Corporal, Coletivo de atores e atrizes, Fotografia de Cena, Visagismo e Arte Gráfica.

Ficha Técnica

Direção: Marcela Andrade
Dramaturgia: Cecilia Ripoll
Atuação: Matheus Lima
Colaboração artística: Dio Cavalcanti e Helena Marques
Trilha Sonora Original: Roberto Souza
Vozes: Matheus Lima, Helena Marques, Marcela Andrade e Roberto Souza
Cenografia: Elsa Romero
Cenotécnico: Roberto Rodrigues
Figurino: Camila Nhary
Adereço – prótese: Mona Magalhães e Derô Martín
Visagismo: Mona Magalhães
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Design gráfico: Jaqueline Sampin
Fotos: Renato Mangolin
Operação de luz: João Gioia
Operação de som: Luiz Rolim Fadul
Assistente de produção: Gabrielly Vianna
Produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal (Pagu Produções Culturais)
Idealização: Helena Marques
Coordenação de projeto: Cia de Teatro Manual

14 a 30 de junho de 2019
Sextas e sábados, às 20h | domingos, às 19h
Teatro da UFF
Rua Miguel de Frias 9, Icaraí, Niterói
Ingressos - R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia)
Classificação etária - 12 anos

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