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UFF - Universidade Federal Fluminense

GISBERTA

Sessões:
13/10 (Sex) 20:00 - 14/10 (Sab) 20:00 - 15/10 (Dom) 20:00
20/10 (Sex) 20:00 - 21/10 (Sab) 20:00 - 22/10 (Dom) 20:00
27/10 (Sex) 20:00 - 28/10 (Sab) 20:00 - 29/10 (Dom) 20:00

 

Gisberta atravessou o oceano para buscar um território livre, mas morreu no fundo do poço, afogada em ódio e água.

Idealizado por Luis Lobianco, com direção de produção de Claudia Marques, texto de Rafael Souza-Ribeiro e direção de Renato Carrera, o drama mistura política, história, música, teatro, poesia e ficção para falar de Gisberta, brasileira vítima da transfobia, que teve morte trágica em 2006 na cidade do Porto, em Portugal, após ser torturada por um grupo de 14 menores de idade.

Na ocasião, o caso ganhou destaque nas discussões sobre a transfobia em Portugal e Gisberta se tornou (e é até hoje) ícone na luta pela conscientização para uma erradicação dos crimes de ódio contra gays, lésbicas e transexuais. Em 2016, dez anos após a sua morte, Gisberta foi amplamente lembrada em Portugal por meio de inúmeras reportagens.

“Já o Brasil, na contramão, é um dos países que mais comete crimes de transfobia e homofobia, números que não param de crescer juntamente com uma onda conservadora de intolerância com as diferenças. Se não conseguimos mudar as leis que não nos protegem, que a justiça seja feita no teatro, com música e luzes de Cabaré. Que venham as identidades de humor, gênero, drama, música, tragédia e redenção. O caso de Gisberta não é conhecido por aqui e decidi que Gisberta vai reviver a partir da arte e será amada pelo público.” – comenta Luis Lobianco.

Caçula de uma família com oito filhos, ainda na infância, Gisberta dava sinais de que estava num corpo que não correspondia a sua identidade. Após a morte do pai, deixou os cabelos crescerem definitivamente. Em 1979, aos 18 anos, quando suas amigas morriam assassinadas, na capital paulista, com medo de ser a próxima vítima, deixou o Brasil rumo a Paris. Mais tarde, já depois de realizar tratamento hormonal e fazer implante de silicone nos seios, mudou-se para o Porto, no Norte de Portugal. Rapidamente, enturmou-se na cena gay local. Fazia apresentações em bares e boates. Sem muito jeito com qualquer tipo de liberdade, viveu tudo o que nunca experimentou de forma voraz: cantou de Vanusa a Marilyn Monroe, bebeu, fumou, cheirou, amou e adoeceu no cabaré. Poupava energia para as cartas e fotos que mandava para a família, queria garantir que estava segura. Um dia, os seus dois cães fugiram de casa e foram atropelados na sua frente. Gis definhou de depressão e sofreu as consequências da AIDS. Perdeu os cabelos conquistados, passou a vestir trapos sem gênero e foi morar na rua. Num prédio abandonado foi encontrada, no final de 2005, por um grupo de três meninos mantidos pela Oficina de São José, uma instituição religiosa da vizinhança. No início, as crianças ofereceram comida e agasalho, mas a lógica do grupo se converteu em um ódio súbito e inexplicável quando outros 11 meninos se juntaram ao grupo inicial.

A partir de 15 de fevereiro de 2006, Gisberta sofreu vários dias de tortura e finalmente, acreditando que ela estava morta, foi jogada ainda com vida dentro de um poço cheio de água. Conclusão do processo: morte por afogamento. Gis, como ela gostava de ser chamada, já vivia sufocada, sua morte foi síntese da sua vida – culpa do ódio e não da água.

“O mundo passa por uma grande crise de identidade: o que somos essencialmente e onde podemos viver o que somos? Refugiados podem ser inteiros fora de seus territórios, sem inspirarem ameaça? Há liberdade para identidade de gênero mesmo que se tenha nascido em um corpo de outro sexo? Gays podem se amar sem exposição à violência? A reação para o rompimento com padrões sociais é uma explosão de violência cotidiana sem precedentes. Quanto mais ódio, mais a afirmação da identidade se impõe. No ar, a sensação de um grande embate mundial iminente - não tem mais como se esconder no armário. Ser livre ou servir à intolerância: eis a questão.” – conclui Lobianco.

Para contar a história de Gisberta, que é praticamente desconhecida no Brasil e que é também a história de tantas outras vítimas da transfobia, Luis Lobianco interpreta vários personagens com texto concebido a partir de relatos obtidos em contatos pessoais com a família de Gis, do processo judicial e de visitas aos locais da tragédia. Em cena, três músicos acompanham o ator.

O espetáculo ganhou o prêmio LGBT, categoria Artes Cênicas, da Parada LGBT de São Paulo e está indicado ao Botequim Cultural como Melhor Ator e Direção Musical .

Uma breve apresentação de Luis Lobianco - Nascido no Rio de Janeiro, Lobianco faz teatro desde 1994. Em 2012, se formou na CAL e foi dirigido por nomes, como Aderbal Freire-Filho, Moacyr Chaves, Marcelo Saback e Ruy Faria, atuando em mais de 30 montagens teatrais até hoje. Também foi criador dos espetáculos do Buraco da Lacraia, Rival Rebolado e Portátil, todos em cartaz atualmente. Na TV, está no ar com o Vai que cola no Multishow e protagoniza a série Valentins no canal Gloob, onde interpreta o vilão Randolfo, ao lado de Claudia Abreu e Guilherme Weber. Lobianco também é ator fixo do canal Porta dos Fundos desde sua criação há quatro anos. No cinema, já esteve em dez produções entre 2012 e 2017. O ator foi indicado ao prêmio F5 da Folha de São Paulo por seu trabalho para TV, como o protagonista de O Grande Gonzalez, coprodução da FOX com o Porta dos Fundos.

 

Ficha técnica

Atuação: Luis Lobianco
Texto: Rafael Souza-Ribeiro
Direção: Renato Carrera
Direção de Produção: Claudia Marques
Músicos em cena: Lúcio Zandonadi (piano e voz), Danielly Sousa (flauta e voz), Rafael Bezerra (clarineta e voz)
Pesquisa Dramatúrgica: Luis Lobianco, Renato Carrera e Rafael Souza-Ribeiro
Investigação: Luis Lobianco e Rafael Souza-Ribeiro
Trilha Sonora e músicas compostas: Lúcio Zandonati
Iluminação: Renato Machado
Cenário: Mina Quental
Figurino: Gilda Midani
Preparação Vocal: Simone Mazzer
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Programação Visual: Daniel de Jesus
Produção: Fabrica de Eventos
Idealização: Luis Lobianco

Dias 13 a 29 de outubro de 2017
Sexta a domingo | 20h
Teatro da UFF
Rua Miguel de Frias 9, Icaraí, Niterói - RJ
Venda antecipada (até dia 09/10): R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia)

Venda normal (a partir de 10/10): R$50,00 (inteira) / R$25,00 (meia)
Classificação - Livre

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