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Centro de Artes UFF

cinema

PERFIL

O Cine Arte UFF foi criado em 1968 por um grupo de cineastas, críticos e amantes do cinema que incluía Nelson Pereira dos Santos, Fabiano Canosa, Luiz Alberto Sanz, Roberto Duarte, Cosme Alves Neto e pelo então reitor Manoel Barretto Netto. Realizada no dia 12 de setembro, a sessão de abertura foi a estreia brasileira de “Samson”, do cineasta polonês Andrzej Wajda, parte de uma trilogia sobre o Gueto de Varsóvia. O primeiro filme exibido na sala dava início a uma programação independente e temática, que incluía a realização de seminários, ciclos e debate, com o objetivo de oferecer ao público opções diferentes das exibidas pelo circuito comercial. Interrompida em função do endurecimento da ditadura militar, esta linha de programação foi retomada em 1982, quando o professor João Luiz Vieira e alunos do curso de Cinema da UFF tomaram a frente do espaço. Pouco depois, o Cine Arte UFF se tornou parte do centro cultural que viria a ser o Centro de Artes UFF. Programado por ex-alunos do curso de Cinema, continua privilegiando títulos com pouca visibilidade no circuito comercial, mostras temáticas, festivais, como o Araribóia Cine, e cineclubes, como o Sala Escura, bem como parcerias com a Aliança Francesa e outras instituições culturais internacionais. Entre os destaques da história do Cine Arte UFF, se sobressai a retrospectiva anual com os principais filmes do ano anterior escolhidos a partir de pesquisa com o público.

RETROSPECTIVA E PESQUISA POPULAR

Quando o professor do Curso de Cinema João Luiz Vieira, auxiliado por um grupo de alunos, assumiu a programação do Cine Arte UFF no final de 1982, uma das primeiras idéias colocadas em prática foi a de realizar um retrospectiva com os destaques do ano. Isso se deu em fevereiro e março de 83, com uma semana dedicada aos filmes nacionais e outra aos estrangeiros. A retrospectiva não era uma novidade no Arte UFF, mas a última realizada tinha sido com filmes de apenas uma distribuidora, o que restringia bastante a proposta. No ano seguinte, surgiu a grande novidade, totalmente integrada ao momento que vivíamos. O início da década de 80 foi marcado pelo fim da ditadura. Em 1983 ainda não elegíamos nosso presidente, mas o movimento Diretas Já! era uma realidade. Iríamos esperar um bom tempo para que esse direito nos fosse restituído, mas o espírito democrático tão presente serviu de inspiração à equipe do Cine Arte UFF. Ao invés de simplesmente listar nossas preferências e montar a retrospectiva anual, como foi feito com os filmes de 82, optamos pela colaboração do público, que passou a indicar os seus favoritos. Ainda não era uma democracia plena, já que, nos primeiros anos da pesquisa, apenas eram apontados os filmes mais importantes. Pena que, de cara, o público escolheu um filme fraco – Paraíba mulher macho; mas no ano seguinte o eleito foi Memórias do cárcere. Depois vieram as outras categorias – diretor, atriz, ator e pior filme. Tentamos ainda que os espectadores apontassem outros destaques, como fotografia, trilha sonora, roteiro, mas a participação foi inexpressiva. Claro que, desde o começo, a idéia era que a eleição servisse de base para a retrospectiva, mas não que determinasse a programação. Ainda hoje diversos filmes excelentes deixam de ser lançados em Niterói, diminuindo muito as suas chances de serem votados. Nem por isso ficam de fora da mostra anual. Por outro lado, alguns favoritos não são exibidos por não terem cópias disponíveis na ocasião da retrospectiva. Por mais que, para alguns, a pesquisa pareça uma grande besteira, para o espectador que participa não é bem assim. Ele influencia a programação, concorre a permanentes, e ainda nos dá pistas sobre as suas grandes preferências ao longo dos anos. O fato de Bernardo Bertolucci ter sido o favorito quatro vezes é bastante significativo; o polonês Kieslovsky, seus filmes e suas atrizes marcaram época na pesquisa; Woody Allen, Pedro Almodóvar, Al Pacino e Nicole Kidman estão quase sempre entre os preferidos. E se o cinema brasileiro nem sempre esteve bem representado nas listas (venceu apenas quatro vezes como o filme mais importante, duas como diretor e quatro como o pior filme), nossos atores e atrizes já encabeçaram a pesquisa em dez oportunidades. Rodrigo Santoro foi o favorito por duas vezes consecutivas. Entre os filmes, alguns se destacaram vencendo em três categorias, como Sociedade dos poetas mortos, A fraternidade é vermelha, Central do Brasil e Tudo sobre minha mãe, mas apenas Ligações perigosas faturou tudo – filme, diretor, ator e atriz.

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LINHA DO TEMPO

 

1980

  • 1983
  • 1984
  • 1985
  • 1986
  • 1987
  • 1988
  • 1989
  • 1990
  • Década de 1980

RETROSPECTIVA 1982
31 de janeiro a 6 de fevereiro e 21 a 27 de fevereiro de 1983

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Prosseguindo em suas atividades nesta nova fase, o Cine Arte UFF promove a semana dos melhores filmes nacionais de 1982, fato inédito, já que os grandes exibidores limitam-se a incluir em suas listas apenas filmes estrangeiros, esquecendo, ao contrário do público, de prestigiar as produções brasileiras.
E é este público que vai encontrar, para cada filme que vier assistir, um programa com ficha técnica e comentários críticos, especialmente elaborados por alunos do curso de cinema da UFF.

Este é apenas o início de nossos trabalhos. Aguardem para breve novas reformulações em nossa programação.

FILMES EXIBIDOS

A batalha de Argel (Argélia/Itália, de Gillo Pontecorvo)
Bodas de sangue (Espanha, de Carlos Saura)
Corpos ardentes (EUA, de Lawrence Kasdan)
Crônica do amor louco (Itália, de Marco Ferreri)
Das tripas coração (Brasil, de Ana Carolina)
O homem de areia (Brasil, de Vladimir Carvalho)
O homem de ferro (Polônia, de Andrzej Wajda)
O homem do pau Brasil (Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade)
A mulher do lado (França, de François Truffaut)
A mulher do tenente francês (Inglaterra, de Karel Reisz)
O olho mágico do amor (Brasil, de José Antonio Garcia e Ícaro Ramos)
República Guarani (Brasil, de Silvio Back)
O segredo da múmia (Brasil, de Ivan Cardoso)
O sonho não acabou (Brasil, de Sérgio Rezende)

Público total – 4065 espectadores
Filme mais visto – A mulher do lado (748 espectadores)

RETROSPECTIVA 1983
16 a 29 de janeiro de 1984

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

1983 foi um ano importante para o Cinema no Brasil. Reformulações na política de exibição (ainda em fase de experimentação) e maiores conquistas do cinema nacional junto ao público criaram novos hábitos e novas platéias. Mas numa análise mais ampla, estas mudanças não chegam a alterar o panorama geral da exibição, onde ainda pesam, principalmente, a propaganda e os “apelos”, nos mais variados níveis. Numa pesquisa interna realizada pelo Cine Arte UFF, os espectadores tiveram a oportunidade de apontar os filmes mais importantes lançados em 83. O resultado, com cerca de mil votos, serviu de base para a retrospectiva, que inclui também filmes de menor sucesso, mas de indiscutível qualidade. Algumas ausências são notáveis: Stalker, Inocência, Casanova e a revolução, Começar de novo, O fundo do coração e O cristal encantado, entre outros, serão exibidos posteriormente, assim como Parahyba mulher macho (o mais votado), que estará à disposição do público de 7 a 12 de fevereiro. Ainda assim, a mostra é bastante representativa – englobando vários estilos e nacionalidades, com opções para todos os gostos -, sem pretensões de exibir o “melhor” e constituindo-se em mais uma chance para se assitir às obras que marcaram o ano de 83.

FILME PREFERIDO

Parahyba mulher macho (Brasil, de Tizuka Yamasaki)

FILMES EXIBIDOS

Blade Runner – caçador de andróides (EUA, de Ridley Scott)
Ciao maschio (Itália, de Marco Ferreri)
Danton, o processo da revolução (França/Polônia, de Andrzej Wajda)
O desespero de Veronika Voss (Alemanha, de Rainer Werner Fassbinder)
A desobediência (Itália, de Aldo Lado)
Fitzcarraldo (Alemanha/França, de Werner Herzog)
Gandhi (Inglaterra, de Richard Attenborough)
Um lobisomem americano em Londres (Inglaterra, de John Landis)
Mephisto (Hungria, de István Szabó)
Minha vingança (Japão, de Shohei Imamura)
Montenegro, ou pérolas e porcos (Suécia/Inglaterra, de Dusan Makavejev)
Prata palomares (Brasil, de André Faria)
A ratinha valente (EUA, de Don Bluth)
O rei da comédia (EUA, de Martin Scorsese)
Sargento Getúlio (Brasil, de Hermano Penna)

Público total – 6206 espectadores
Filme mais visto – Gandhi (925 espectadores)

RETROSPECTIVA 1984
14 de janeiro a 03 de fevereiro de 1985

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

1984 foi pródigo para os amantes do cinema. Qualidade, variedade e quantidade não faltaram, durante praticamente todo o ano. Sem falar na mais que bem-vinda realização do 1o Fest-Rio, Fellini, Bergman, Imamura, Antonioni, Wajda, Oshima, Fassbinder, Truffaut, Saura e mais um punhado de outros disseram “presente” nos circuitos regulares de exibição. Gratificante, também, a popularidade alcançada por Memórias do cárcere, Jango, Cabra marcado para morrer e Bete Balanço, que, somada ainda ao sucesso (em outros níveis) de Noites do sertão, Verdes anos, Nunca fomos tão felizes, Águia na cabeça, O cavalinho azul, O mágico e o delegado, A próxima vítima e Quilombo, parecem anunciar uma retomada de forças do cinema brasileiro. Na seleção de vinte filmes aqui apresentados, tentamos conciliar os desgastados conceitos de “melhor” da crítica especializada, os resultados da pesquisa que realizamos no Arte UFF e nossos próprios critérios de programação, sempre limitados, infelizmente, por problemas de distribuição que fogem ao nosso controle. Daí algumas ausências notáveis: Furyo – em nome da honra, Era uma vez na América, Identificação de uma mulher e Noites do sertão, excluídos por estarem compromissados com outros exibidores. Num conjunto que se apresenta bem variado, alguns títulos aparentemente desconexos assumem uma estranha relação: Jango, Zelig, E la nave va e Cliente morto não paga instigam a refletir sobre a questão do documentário e da recuperação de imagens. A memória e a ficção; a memória da ficção. Outras associações podem ser buscadas. No campo da fábula, podemos confrontar O garoto do espaço, O mistério do lago e No limite da realidade. As discussões são infinitas. Não seria também Querelle uma espécie de fábula? E Os demônios, este conto real-fantástico, tão contundente que levou quase treze anos para ser lançado no Brasil? Filmes para todos os gostos. Alguém certamente perguntará por O ocaso de um povo, Carmen, Antonieta e De repente num domingo. Ainda inéditos em Niterói, estes quatro filmes incluem-se nos planos futuros do Arte UFF. Com exceção do primeiro, eles fazem parte do catálogo da Gaumont e o espectador atento notará que só os grandes filmes lançados por esta distribuidora já dariam para completar uma semana, pois quatro deles ocupam seu lugar nesta mostra: Um amor na Alemanha, Querelle, E la nave va e Fanny & Alexander. Capítulo à parte na distribuição cinematográfica, a Gaumont tem conseguido jogar no mercado um bom número de excelentes fitas cuja presença é constantemente solicitada pelos freqüentadores do Arte UFF, que têm sido, na medida do possível, atendidos. Há ainda quem pergunte por Hitchcock: apesar de três dos cinco filmes relançados merecerem um lugar na retrospectiva, o fato de não serem inéditos (e, portanto, já terem tido a chance de ocupar seu espaço em outras listas) justifica sua ausência. E já chega. É bom poupar fôlego, pois aí vai a Retrospectiva 84 do Cine Arte UFF – uma verdadeira maratona cinematográfica! (Denise Pereira))

FILME PREFERIDO

Memórias do Cárcere

FILMES EXIBIDOS

Um amor na Alemanha (Alemanha/França, de Andrzej Wajda)
A balada de Narayama (Japão, de Shohei Imamura)
Cliente morto não paga (EUA, de Carl Reiner)
Os demônios (Inglaterra, de Ken Russell)
E la nave va (Itália/França, de Federico Fellini)
Ensaio de orquestra (Itália/Alemanha, de Federico Fellini)
Erendira (México/Fra/Ale, de Rui Guerra)
Extremos do prazer (Brasil, de Carlos Reichenbach)
Jango (Brasil, de Sílvio Tendler)
Fanny & Alexandre (Suécia, de Ingmar Bergman)
O garoto do espaço (França, de René Laloux)
Memórias do cárcere (Brasil, de Nelson Pereira dos Santos)
O mistério do lago (Japão, de Masahiro Shinoda)
Monty Python – O sentido da vida (Inglaterra, de Terry Jones)
No limite da realidade (EUA, de J. Landis, S. Spielberg, J. Dante e G. Miller)
Nunca fomos tão felizes (Brasil, de Murilo Salles)
Quarteto Basileus (Itália/Suí/Fra, de Fabio Carpi)
Querelle (Alemanha/França, de Rainer Werner Fassbinder)
O reencontro (EUA, de Lawrence Kasdan)
Zelig (EUA, de Woody Allen)

Público total – 6318 espectadores
Filme mais visto – O sentido da vida (996 espectadores)

RETROSPECTIVA 1985
13 de fevereiro a 02 de março de 1986

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Pela terceira vez, o Cine Arte UFF realiza uma pesquisa de opinião junto com seus espectadores. Em 83 o público escolheu Parahyba mulher macho; em 84 o preferido foi Memórias do cárcere. Motivo de orgulho para o cinema nacional, visto que, nos dois anos, receberam significativa votação Jango, Pra frente Brasil, Bar esperança, Nunca fomos tão felizes e Inocência. E 85? Não fosse o lançamento de Flor do desejo e Espelho de carne poderia dizer que foi um ano de luto para o cinema brasileiro. O primeiro foi pouco visto e mal compreendido; o segundo causou polêmicas e fez sucesso de público. Mas a quase unanimidade ficou com o equivocado Avaeté, vencedor do Rio Cine Festival.

As preferências acabaram ficando com o cinema estrangeiro, mas por problemas de distribuição não estarão nesta mostra Amadeus, A rosa púrpura do Cairo e Asas da liberdade, os três mais votados, além de Koyaanisqatsi. Nem por isso a retrospectiva deixa a desejar. Wim Wenders tem o privilégio de comparecer com duas grandes obras – Hammett e Paris, Texas – acompanhado de outros gênios do cinema: Altman (O exército inútil), Bergman (Depois do ensaio), Ettore Scolla (O baile) e Woody Allen (Broadway Danny Rose).

Amor e sexo, abordados em níveis diversos, são assuntos de Crimes de paixão, Dublê de corpo e Amor e ciúme, além dos já citados Espelho de carne e Flor do desejo. Em O exterminador do futuro, 1984 e Brazil os destinos do homem aparecem cada vez mais sombrios, só amenizados em Metrópolis. De resto, é confrontar a postura do ocidente diante de outras culturas em Avaeté e Os gritos do silêncio, e curtir O feitiço de Áquila, Um romance muito perigoso e Um espírito baixou em mim.

Capítulo à parte, um filme de humor especialíssimo e rara sensibilidade, que passou despercebido por crítica e público: Momento inesquecível, obra ecológica, poética, mágica. Absolutamente imperdível. (Paulo Máttar)

FILMES PREFERIDOS

Amadeus (EUA, de Milos Forman)
A rosa púrpura do Cairo (EUA, de Woody Allen)
Asas da liberdade (EUA, de Alan Parker)
Paris, Texas
O baile

FILMES EXIBIDOS

1984 de Orwell (Inglaterra, de Michael Radford)
Amor e ciúme (Itália, de Lina Wertmüller)
Avaeté – semente da vingança (Brasil, de Zelito Viana)
O baile (França/Itália/Argélia, de Ettore Scola)
Brazil – o filme (Inglaterra, de Terry Gilliam)
Broadway Danny Rose (EUA, de Woody Allen)
Crimes de paixão (EUA, de Ken Russell)
Depois do ensaio (Suécia, de Ingmar Bergman)
Dublê de corpo (EUA, de Brian De Palma)
Espelho de carne (Brasil, de Antonio Carlos Fontoura)
Um espírito baixou em mim (EUA, de Carl Reiner)
O exército inútil (EUA, de Robert Altman)
O exterminador do futuro (EUA, de James Cameron)
Flor do desejo (Brasil, de Guilherme de Almeida Prado)
Os gritos do silêncio (Inglaterra, de Roland Joffé)
Hammett – o falcão maltês (EUA, 1982)
Ladyhawke – o feitiço de Aquila (EUA, de Richard Donner)
Metrópolis (Alemanha, de Fritz Lang/Giorgio Moroder)
Momento inesquecível (Inglaterra, de Bill Forsyth)
Paris, Texas (Alemanha/França, de Wim Wenders)
Um romance muito perigoso (EUA, de John Landis)

Público total – 8011 espectadores
Filme mais visto – Ladyhawke – O feitiço de Aquila (914 espectadores)

RETROSPECTIVA 1986
2 a 27 de fevereiro de 1987

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

De 2 a 27 de fevereiro de 1987, o Cine Arte UFF realiza sua quarta retrospectiva com pesquisa popular. Nas duas primeiras, os favoritos do público foram nacionais: Parahyba mulher macho (83) e Memórias do cárcere (84). No ano passado, o filme mais votado foi o bem-sucedido comercialmente e equivocado esteticamente Amadeus, de Milos Forman. Neste ano, o filme que recebeu o maior número de votos foi o melodrama político A história oficial, produção argentina ganhadora de diversos prêmios.

Com 26 filmes, das mais variadas tendências e procedências (alguns inéditos em Niterói), há muito o que apreciar nesta Retrospectiva 86. A começar por Mal de lua e Colóquio com a mãe, dois episódios de Kaos que são verdadeiras obras-primas criadas pelos magos do atual cinema italiano, os irmãos Taviani. Ou a combinação perfeita de música e política em Tangos – o exílio de Gardel, ou ainda o requinte visual de Mishima.

86 também foi um ano de vigorosas interpretações. Basta citar as performances de Jack Nicholson em A honra do poderoso Prizzi e Whoopi Goldberg em A cor púrpura, à frente de elencos absolutamente magistrais; ou no caso do cinema brasileiro, o excelente nível de atuação do elenco inteiro de A marvada carne e a antológica interpretação de Marcélia Cartaxo em A hora da estrela.

Incursionando pelo universo da adolescência, os sensíveis Picnic na montanha misteriosa e Memórias de um espião merecem toda a atenção. Ambientados em colégios internos (feminino, no primeiro filme, e masculino no segundo), ambos tecem, a partir deste microcosmo opressivo, uma série de considerações psicológicas, sociológicas e, no caso de Picnic, metafísicas de grande lucidez e inteligência.

Uma tendência que se pode notar nesta retrospectiva é a quantidade de filmes protagonizados por mulheres. É a Carmen de Godard, a Celie de Spielberg, a Lola de Fassbinder, a Miranda de Piter Weir, a Macabéa de Suzana Amaral, a Agnes de Deus e as argentinas Camila e Alícia de A história oficial. Sobre as transformações deste universo feminino, vale destacar a obra do visionário Marco Ferreri, O futuro é mulher, talvez o que capte de forma mais poética e precisa esta transformação.

Quanto ao cinema brasileiro, 86 foi um ano de afirmação, tanto no cenário nacional como internacional, com produções que inclusive se tornaram sucessos de bilheteria. Em oposição ao ano passado, onde só três filmes nacionais foram exibidos na retrospectiva (Flor do desejo, Espelho de carne e Avaeté), neste ano exibiremos oito produções da mais recente safra do cinema brasileiro.

Para terminar, é preciso esclarecer que devido a problemas técnicos não foi possível programar filmes em formato Scope, o que explica a ausência de Ran, A hora do espanto e Silverado, e por não termos projeção em 16mm, não foi incluído Igreja da libertação. Por problemas de distribuição não foram liberados os seguintes filmes: Os amantes de Maria, Hannah e suas irmãs, O cinema falado, Depois de horas, Viver e morrer em Los Angeles e O selvagem da motocicleta, sendo que a ausência deste último é especialmente lamentável por se tratar de uma obra de extraordinária beleza cinematográfica. (Alexander Vancellote)

FILMES PREFERIDOS

A história oficial
Ran (Japão, de Akira Kurosawa)
O beijo da mulher aranha
Eu sei que vou te amar
A hora da estrela

FILMES EXIBIDOS

Agnes de Deus (EUA, de Norman Jewison)
Aqueles dois (Brasil, de Sérgio Amon)
O beijo da mulher aranha (Brasil/EUA, de Hector Babenco)
Camila (Argentina, de Maria Luísa Bemberg)
Carmen de Godard (França, de Jean-Luc Godard)
A cor púrpura (EUA, de Steven Spielberg)
Cotton Club (EUA, de Francis Ford Coppola)
Estrela nua (Brasil, de Ícaro Martins e José Antonio Garcia)
Eu sei que vou te amar (Brasil, de Arnaldo Jabor)
O futuro é mulher (França/Ita/Ale, de Marco Ferreri)
Golpe de tiras (França, de Claude Zidi)
A história oficial (Argentina, de Luiz Puenzo)
O homem da capa preta (Brasil, de Sérgio Rezende)
A honra do poderoso Prizzi (EUA, de John Huston)
A hora da estrela (Brasil, de Suzana Amaral)
Kaos (Itália, de Paolo e Vittorio Taviani)
Os ladrões do amanhecer (França, de Samuel Fuller)
Lola (Alemanha, de Rainer Werner Fassbinder)
A marvada carne (Brasil, de André Klotzel)
Memórias de um espião (Inglaterra, de Marek Kanievska)
Mishima – uma vida em quatro capítulos (EUA/Japão, de Paul Schrader)
Picnic na montanha misteriosa (Austrália, de Peter Weir)
Quando papai saiu em viagem de negócios (Iugoslávia, de Emir Kusturica)
As sete vampiras (Brasil, de Ivan Cardoso)
Um sonho, uma lenda (EUA, de Karel Reisz)
Tangos – o exílio de Gardel (Argentina/França, de Fernando Solanas)

Público total – 13916 espectadores
Filme mais visto – Tangos – o exílio de Gardel (1179 espectadores)

RETROSPECTIVA 1987
18 de fevereiro a 13 de março de 1988

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Já inevitável como a passagem dos anos, ei-la novamente: a retrospectiva anual do Cine Arte UFF, tentando, como sempre, reunir os mais importantes títulos lançados nas telas cariocas no correr do ano passado, sem privilegiar gêneros – afinal, como confrontar coisas tão distantes como Platoon e O massacre da serra elétrica? Assim, sem querer comparar verde com amarelo ou distinguir “melhores”, o Arte UFF inicia democraticamente as comemorações de seu 20o aniversário, realizando a maior retrospectiva de sua história: nada menos que 37 filmes compõem um variado cardápio, para todos os gostos.

Os mais atentos logo perceberão a notável ausência d’O sacrifício, de Tarkovsky, que deixa de ser apresentado por problemas de distribuição, mas que deverá estar presente em nossa tela brevemente, o mesmo acontecendo com O nome da rosa, um dos mais votados pelo público na pesquisa do ano passado. Ainda na relação de ausentes, Os intocáveis, que está indisponível para exibições de um dia; Imagens do inconsciente, de Leon Hirszman, cuja bitola (16mm) torna impraticável sua apresentação em nossa sala; e Subway, que, infelizmente, teve a cópia disponível parcialmente destruída por um sub-cinema.

Tivemos, mais uma vez, um ótimo período para o cinema nacional, constando nesta seleção nada menos que nove ótimos títulos (na anterior foram oito!). Além disso, embora nossa pesquisa tenha sido interrompida pela greve que paralisou as universidades, já estavam muito bem votados Louise Cardoso, encabeçando a lista de melhores atrizes, e a bela fotografia de Ele, o boto, liderando o rol de destaques técnicos. E, para provar a versatilidade do cinema brasileiro, Eu, de Walter Hugo Khoury, dividia com o Falcão de Stalone o primeiro lugar entre os piores.

Dos resultados parciais, destaques também para Woody Allen (cujo A era do rádio, favorito do público até a interrupção da pesquisa, mereceu uma semana na programação), Robert De Niro, o detestável Alan Parker e a trilha sonora d’A Missão – todos presentes.

Mas, além da quantidade e qualidade dos filmes, um presente especial está reservado para os freqüentadores do Cine Arte UFF nesta retrospectiva: é a promoção da loja de disco Studio 106, que oferece, além do cupom-desconto encontrável neste programa, dez trilhas sonoras de filmes lançados em 87, que serão sorteadas para o público durante a realização da mostra, em datas-surpresa. (Denise Pereira)

FILME MAIS IMPORTANTE

A era do rádio, de Woody Allen

DIRETOR

Woody Allen – A era do rádio

ATOR

Robert De Niro – Coração satânico

ATRIZ

Louise Cardoso – Leila Diniz

PIOR FILME

Eu, de Walter Hugo Khouri & Falcão, com Silvester Stallone

FILMES EXIBIDOS

Amor bruxo (Espanha, de Carlos Saura)
Anjos do arrabalde (Brasil, de Carlos Reichenbach)
Arizona nunca mais (EUA, de Joel Coen)
Betty Blue (França, de Jean-Jacques Beineix)
Caminhos violentos (EUA, de James Foley)
Cidade oculta (Brasil, de Chico Botelho)
A companhia dos lobos (Inglaterra, de Neil Jordan)
Conta comigo (EUA, de Rob Reiner)
A cor do seu destino (Brasil, de Jorge Durán)
Coração satânico (EUA, de Alan Parker)
Coronel Redl (Hungria, de Stván Szabó)
A dança dos bonecos (Brasil, de Helvécio Ratton)
Dançando com um estranho (Inglaterra, de Mike Newell)
Daunbailó (EUA, de Jim Jarmusch)
O declínio do império americano (Canadá, de Dennys Arcand)
Ele, o boto (Brasil, de Walter Lima Jr.)
A era do rádio (EUA, de Woody Allen)
Ginger e Fred (Itália, de Federico Fellini)
Henrique IV (Itália, de Marco Bellocchio)
Histórias reais (EUA, de David Byrne)
O ilusionista (Holanda, de Jos Stelling)
Uma janela para o amor (Inglaterra, de James Ivory)
Jardins de pedra (EUA, de Francis Ford Coppola)
Leila Diniz (Brasil, de Luiz Carlos Lacerda)
O massacre da serra elétrica – parte 2 (EUA, de Tobe Hopper)
A Missão (Inglaterra, de Roland Joffé)
Mona Lisa (Inglaterra, de Neil Jordan)
Uma noite alucinante (EUA, de Sam Raimi)
Peggy Sue – seu passado a espera (EUA, de Francis Ford Coppola)
Platoon (EUA, de Oliver Stone)
Por volta da meia-noite (EUA/França, de Bertrand Tavernier)
Shoah – o Holocausto (Israel, de Claude Lanzmann)
Sonho de valsa (Brasil, de Ana Carolina)
Tigipió (Brasil, de Pedro Jorge de Castro)
Totalmente selvagem (EUA, de Jonathan Demme)
Veludo azul (EUA, de David Lynch)
Vera (Brasil, de Sérgio Toledo)

Público total – 8127 espectadores
Filme mais visto – Betty Blue (707 espectadores)

RETROSPECTIVA 1988
15 de fevereiro a 6 de abril de 1989

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

O tempo passa, o mundo gira, e lá se vão sete retrospectivas, programa obrigatório no calendário do Arte UFF. Parece conta de mentiroso, mas não é: desde 83, quando Corpos ardentes “estourou”, até 89, com a pesquisa popular apontando O último imperador à frente dos “melhores” e Rambo III liderando folgado os piores, são sete retrospectivas.

Tudo começou devagarinho – eram 14 filmes, na primeira –, foi crescendo – 20, 26, 38 títulos – e aqui estamos nós com 44 obras para todos os gostos, num raro exemplo de verdadeira democracia. Dos 25 filmes mais votados, apenas dois não estão presentes: A última tentação de Cristo (que não pode ser exibido menos de sete dias) e A festa de Babette, que não tem cópia disponível no momento. Por este mesmo motivo ficaram de fora Saló, Chuck Berry e Rosa Luxemburgo; além disso, alguns títulos lançados no final de 88 – Roger Rabbit, Minha vida de cachorro, Um peixe chamado Wanda – ainda estão sendo exibidos em várias cidades e não puderam comparecer.

Verdadeiro painel cinematográfico do ano de 88, esta retrospectiva reflete a mesmice que marcou o circuito exibidor tradicional (as obras mais aclamadas não passam de filmes médios, com poucas exceções) e o descaso da imprensa, que só promove o que faz sucesso lá fora, transforma em cult porcarias como Nunca te vi… sempre te amei e “descobre” – após um inesperado sucesso de público – boas surpresas como Jogo de emoções. De qualquer forma, a mídia continua ditando moda, e o resultado da nossa pesquisa está aí para provar: o grande público cada vez menos se dá ao trabalho de “caçar” bons filmes e só vai no que é “certo”. E já que o “certo” muitas vezes decepciona (Scola, Polanski e Spielberg, entre outros, deixaram a peteca cair), a nossa retrospectiva traz alguns bons filmes que foram lançados sem o devido cuidado e merecem uma chance. É o caso de Quando chega a escuridão que, apoiado numa excepcional equipe técnica e num ótimo elenco, praticamente desconhecido, atualiza o mito do vampiro e consegue ser, no mínimo, um filme corretíssimo, o que hoje em dia já é uma grande coisa. Outras obras não tão corretas merecem uma revisão por causa de algum destaque: Os fantasmas se divertem tem, pelo menos, um momento genial, que vale o filme; o trecho dirigido por Franc Roddan em Ária é uma obra-prima; o desempenho de Robin Williams em Bom dia Vietnã valia um Oscar; etc. Vale ainda lembrar as exibições de Tempo de morrer e Minha adorável lavanderia, vencedores do 20 e 30 FestRio (andam peguntando por Out of rosemhein [que seria lançado depois como Bagdá Café], que levou o tucano em 87, mas o que a gente quer mesmo ver lançado é A lei do desejo, do Almodóvar).

Mas, além do tradicional desfile de “favoritos do público”, esta retrospectiva traz uma inovação: os filmes estão agrupados por temas, o que faz com que essa brincadeira de avaliar e comparar os nossos preferidos seja muito mais interessante. São sete blocos com títulos de obras conhecidas que vão de Jogo de emoções (com filmes de suspense e/ou policiais) a Estranhos no paraíso (uma miscelânea de personagens de exceção e marginais), passando por The sound of music, Love is a many splendored thing, Jogos de guerra, Uma mulher é uma mulher e Imitação da vida, este último composto por biografias.

No mais, é ter fôlego e grana (ainda que nosso ingresso seja baratinho) para ver/rever tantos filmes, e paciência para uma eventual alteração na programação, já que, em cima da hora, alguma distribuidora pode cancelar uma exibição. Boa retrospectiva!

FILMES MAIS IMPORTANTES

O último imperador (Itália/Fra/Ing, de Bernardo Bertolucci)
Olhos negros (Itália/URSS, de Nikita Mikhalkov)
Adeus, meninos (França, de Louis Malle)
Vá e veja (URSS, de Elen Klimov)
A dama do Cine Shangai (Brasil, de Guilherme de Almeida Prado)

DIRETORES

Bernardo Bertolucci (O último imperador)
Martin Scorsese (A última tentação de Cristo)
Woody Allen (Setembro)

ATORES

Marcelo Mastroianni (Olhos negros)
Marcos Palmeira (Dedé Mamata)
Steve Martin (Roxanne)

ATRIZES

Carla Camurati (Pagú)
Cher (Feitiço da Lua)
Anne Bancroft (Nunca te vi… sempre te amei)

PIORES FILMES

Rambo III (EUA, com Sylvester Stallone)
Super Xuxa contra Baixo Astral (Brasil, com Xuxa)
A menina do lado (Brasil, de Alberto Salvá)

FILMES EXIBIDOS

Abaixo de zero (EUA, de Marek Kanievska)
Adeus, meninos (França, de Louis Malle)
Uma alucinante viagem (EUA, de Michael Ritchie)
Aria (Inglaterra, diversos diretores)
O baiano fantasma (Brasil, de Denoy de Oliveira)
Big easy – acerto de contas (EUA, de Jim McBride)
Bom dia Vietnã (EUA, de Barry Levinson)
Caçador de assassinos (EUA, de Michael Mann)
A cegonha não pode esperar (EUA, de John G. Avildsen)
A dama do Cine Shangai (Brasil, de Guilherme de Almeida Prado)
Dedé Mamata (Brasil, de Rodolfo Brandão)
Estranhos no paraíso (EUA, de Jim Jarmusch)
A família (Itália, de Ettore Scola)
Os fantasmas se divertem (EUA, de Tim Burton)
Feitiço da Lua (EUA, de Norman Jewison)
Feliz ano velho (Brasil, de Roberto Gervitz)
Filme demência (Brasil, de Carlos Reichenbach)
Os garotos perdidos (EUA, de Joel Schumacher)
Um grito de liberdade (Inglaterra, de Richard Attenborough)
Império do Sol (EUA, de Steven Spielberg)
Ishtar (EUA, de Elaine May)
Jogo de emoções (EUA, de David Mamet)
Metido em encrencas (EUA, de Mike Nichols)
Minha adorável lavanderia (Inglaterra, de Stephen Frears)
Nascido para matar (EUA, de Stanley Kubrick)
Noite de verão, com perfil grego… (Itália, de Lina Wertmüller)
Nos bastidores da notícia (EUA, de James L. Brooks)
Nunca te vi… sempre te amei (Inglaterra/EUA, de David Hugh Jones)
Olhos negros (Itália/URSS, de Nikita Mikhalkov)
Pagú (Brasil, de Norma Bengell)
Perigo na noite (EUA, de Ridley Scott)
A princesa prometida (EUA, de Rob Reiner)
Quando chega a escuridão (EUA, de Kathryn Bigelow)
Romance (Brasil, de Sérgio Bianchi)
Romance da empregada (Brasil, de Bruno Barreto)
Roxanne (EUA, de Fred Schepisi)
Sem saída (EUA, de Roger Donaldson)
Serviços íntimos (Inglaterra, de Terry Jones)
Setembro (EUA, de Woody Allen)
Sid & Nancy (Inglaterra, de Alex Cox)
O último imperador (Itália/Fra/Ing, de Bernardo Bertolucci)
Tempo de morrer (Colômbia, de Jorge Ali Triana)
Terra de bravos (EUA, de Laurie Anderson)
Vá e veja (URSS, de Elen Klimov)

Público total – 13244 espectadores
Filme mais visto – Olhos negros (756 espectadores)

RETROSPECTIVA 1989
7 de janeiro a 23 de fevereiro de 1990

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

O Cine Arte UFF inaugura 1990 realizando sua oitava retrospectiva, que conta com 38 filmes que representam o que de mais importante foi exibido nos cinemas do Rio e Niterói em 1989. Amparados mais uma vez no resultado de nossa pesquisa com o público freqüentador do cinema, conseguimos reunir a maioria dos filmes mais votados. Infelizmente, por falta de disponibilidade de cópias, deixarão de ser exibidos o excelente A insustentável leveza do ser (20 mais votado), o interessante Yol e as obras-primas Nostalgia e Faça a coisa certa.

Também não pôde ser incluídos na mostra nenhum dos lançamentos de dezembro, como o belíssimo Afogando em números, obra de uma das maiores revelações de década: o inglês Peter Greenaway. Em compensação, cinco filmes serão mostrados pela primeira vez em Niterói; são eles Sob o sol de Satã, Os rejeitados, Comendo os ricos, A comissária e Os santos inocentes (este último já exibido pelo Cine Arte UFF em versão original, sem legendas, em sua última mostra de cinema espanhol). Quanto à pesquisa propriamente dita, pode-se dizer que o resultado da votação este ano foi bastante justo (ao contrário da eleição presidencial…), com os melhores filmes, em sua maioria, sendo reconhecidos por suas qualidades, e os piores, por suas ruindades. A maior parte dos votos não só consagrou Ligações perigosas como o melhor do ano, como também elegeu seu diretor, Stephen Frears, e seus principais intérpretes – Glenn Close e John Malkovich – como os melhores de 89 em suas categorias. Outro ponto interessante relativo à votação foi o fato do público ter preferido, entre os diretores, os talentos surgidos nos últimos anos, como Almodóvar, Murilo Salles e Spike Lee.

Já o cinema brasileiro confirma a crise de qualidade que continua atravessando, a julgar por sua rarefeita presença na retrospectiva, pois apenas quatro títulos entraram para a lista: Terra para Rose, Que bom te ver viva, Festa e Faca de dois gumes (este o 40 mais votado entre os melhores). E para piorar as coisas, é também um filme brasileiro que “puxa” a lista dos piores do ano: o ecológico-erótico-político-coisa nenhuma Kuarup, seguido por outros dois nacionais, Solidão e A princesa Xuxa e os Trapalhões, pelo brega Salsa e pelo deficiente Rain man. Apesar da predominância de filmes americanos e ingleses, a Retrospectiva 89 oferece ao espectador a oportunidade de assistir a obras de cinematografias pouco freqüentes no circuito exibidor, como a canadense (Doces ecos do passado), a belga (O mestre da música), a dinamarquesa (Pelle) e a soviética (A comissária). Devido à grande oferta de filmes, encontramos coisas, se não impossíveis, pelo menos difíceis, como uma comédia alemã (Homens) e um filme americano sério sobre a invasão soviética do Afeganistão (A fera da guerra).

A Retrospectiva 89 permite também que se assista a ótimos filmes que foram prejudicados por maus lançamentos, como Walker e Gosto de sangue, e que se reavalie alguns dos que foram desprezados (O turista acidental) ou perseguidos (Caravaggio) pela nossa incoerente crítica. Pode ainda o espectador chorar com Meryl Streep (Ironweed) e Anjelica Huston (Os vivos e os mortos), andar de mambo-táxi com Carmem Maura, curtir o escracho de Comendo os ricos, ouvir a música de Charles Parker, U-2 e Beatles, ou, se preferir, discutir suas angústias e incertezas sobre sexo, mentiras e videotape à saída do filme de Steven Soderbergh, o novo garoto-prodígio (mais garoto do que prodígio) do cinema americano. E já que não podemos, em pleno verão, assistir ao filme mais quente de 1989 – Faça a coisa certa –, devemos, ao menos, seguir o conselho de Spike Lee e aproveitar o melhor programa cinematográfico da temporada, assistindo, no conforto do ar refrigerado, a alguns dos mais expressivos títulos do ano que passou, como Os rejeitados e Pelle, o conquistador. No mais, esperamos que os eventuais cancelamentos, as esperadas tempestades de verão, as possíveis greves e outros fenômenos incontroláveis da natureza não venham a tirar o brilho da última retrospectiva dos anos 80. E para terminar, desde já fazemos a promessa de realizar, em meados de maio de 90, a retrospectiva da década, reunindo as obras-primas da sétima arte lançadas nos últimos dez anos e que ainda não foram transformadas em vassouras pelos distribuidores. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Ligações perigosas (Inglaterra/EUA, de Stephen Frears)
A insustentável leveza do ser (EUA, de Philip Kaufman)
Mulheres à beira de um ataque de nervos (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Faca de dois gumes (Brasil, de Murilo Salles)
Os vivos e os mortos (EUA, de John Huston)

DIRETORES

Stephen Frears (Ligações perigosas)
Pedro Almodóvar (Mulheres à beira…)
Murilo Salles (Faca de dois gumes)
Spike Lee (Faça a coisa certa)

ATORES

John Malkovich (Ligações perigosas)
Paulo José (Faca de dois gumes)
Dustin Hoffman (Rain man)

ATRIZES

Glenn Close (Ligações perigosas)
Carmen Maura (Mulheres à beira…)
Juliette Binoche (A insustentável leveza do ser)

PIORES FILMES

Kuarup (Brasil, de Ruy Guerra)
Solidão, uma linda história de amor (Brasil, de Victor di Mello)
Rain man (EUA, de Barry Lavinson)

FILMES EXIBIDOS

O amor não tem sexo (Inglaterra, de Stephen Frears)
A armadilha de Vênus (Alemanha, de Robert Van Ackeren)
As aventuras do Barão Munchausen (Inglaterra, de Terry Gilliam)
Bird (EUA, de Clint Eastwood)
Bom dia Babilônia (Itália/Fra/EUA, de Paolo Vittorio Taviani)
Caravaggio (Inglaterra, de Derek Jarman)
Comendo os ricos (Inglaterra, de Peter Richardson)
A comissária (URSS, de Alexander Askoldov)
Contos de Nova York (EUA, de Scorsese, Coppola e Allen)
De caso com a máfia (EUA, de Jonathan Demme)
Doces ecos do passado (Canadá, de Francis Mankiewicz)
Faca de dois gumes (Brasil, de Murilo Salles)
A fera da guerra (EUA, de Kevin Reynolds)
Festa (Brasil, de Ugo Giorgetti)
Gosto de sangue (EUA, de Joel Coen)
Homens (Alemanha, de Doris Dörrie)
Imagine: John Lennon (EUA, de Andrew Solt)
Ironweed (EUA, de Hector Babenco)
Ligações perigosas (Inglaterra, de Stephen Frears)
Maurice (Inglaterra, de James Ivory)
O mestre da música (Bélgica, de Gerard Corbiau)
Mississippi em chamas (EUA, de Alan Parker)
Mulheres à beira de um ataque de nervos (Esp., de P. Almodóvar)
A outra (EUA, de Woody Allen)
Pelle, o conquistador (Dimacarca/Suécia, de Bille August)
Que bom te ver viva (Brasil, de Lúcia Murat)
Os rejeitados (França, de Agnès Varda)
Os safados (EUA, de Frank Oz)
Os santos inocentes (Espanha, de Mario Camus)
Uma secretária de futuro (EUA, de Mike Nichols)
Sexo, mentiras e videotape (EUA, de Steven Soderbergh)
Sob o sol de Satã (França, de Maurice Pialat)
Terra para Rose (Brasil, de Tetê Moraes)
Tucker – um homem e seu sonho (EUA, de Francis F. Coppola)
O turista acidental (EUA, de Lawrence Kasdan)
U2 – Rattle and Hum (EUA, de Phil Joanou)
Os vivos e os mortos (EUA, de John Huston)
Walker (EUA, de Alex Cox)

Público total – 10802 espectadores
Filme mais visto – Sexo, mentiras e videotape (1032 espectadores)

RETROSPECTIVA ANOS 80
Programada de 03 de setembro a 14 de outubro de 1990
Realizada de 03 a 23 de setembro de 1990
Interrompida em função de greve

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Os anos 80 já se foram e a década de 90, oficialmente, ainda não chegou. É o momento perfeito para um balanço. Aproveitando os 22 anos que o Arte UFF completa no dia 12 de setembro, a maioridade que o Curso de Cinema da UFF alcança este ano e a oportuna II Mostra Banco Nacional de Cinema, juntamos tudo numa grande salada cinematográfica que vai durar quase dois meses (3/9 a 21/10) e, aproximadamente 70 filmes.

Alguém já disse que gosto não se discute e o público sabe disso como ninguém. As 599 pesquisas realizadas por aí apontam raras unanimidades (se é que existe alguma), sempre trazem um ou outro absurdo e omitem, freqüentemente, obras fundamentais. Das pesquisas para a realização de uma mostra tão grande há uma enorme distância (talvez seja mais adequado dizer que um grande abismo as separa): muitas cópias foram destruídas – Era uma vez na América, Brazil e Fanny e Alexander são os exemplos mais lamentáveis; algumas existem mas, inexplicavelmente, estão desaparecidas –caso de A mulher do lado e Possessão; filmes importantes não tiveram lançamento comercial no Brasil, como A lei do desejo e Entre tinieblas, de Almodóvar, O raio verde, de Eric Rohmer, e A mulher pública, de Andrzej Kulawski. Para completar, até o fechamento da programação os filmes nacionais eram uma incógnita e poderão ou não estar presentes no final da retrospectiva. A inclusão de muitos filmes deve causar uma certa polêmica, mas há gosto pra tudo. Além disso, algumas obras serão exibidas não por suas qualidades intrínsecas, mas pela inesquecível performance de um ator ou atriz, ou por ser o único filme disponível de um grande diretor. Obviamente a programação está sujeita a alterações e só um milagre fará com que tudo dê certo, afinal são muitos filmes de muitas distribuidoras diferentes. Vale lembrar que muitas cópias são antigas e não se encontram em bom estado.

Como presente de aniversário programamos muitas sessões duplas (dois filmes com um só ingresso). Destas dobradinhas, destacamos Kaos e A noite de São Lourenço, dos irmãos Taviani e os polêmicos Identificação de uma mulher e O mistério de Oberwald, de Antonioni. E, para encerrar, vale destacar ainda uma das mais fascinantes (e desconhecidas) obras da década, o japonês O mistério do lago, de Masahiro Shinoda: pura magia, uma viagem de sons e imagens através de uma belíssima lenda oriental.

Além disso, o Arte UFF estará apresentando a II Mostra Banco Nacional de Cinema, com seis títulos, sendo quatro em pré-estréia. Por terem sido produzidos entre 81 e 89, podem ser vistos como filmes da Retrospectiva Anos 80, principalmente por representarem diretores importantes – Wim Wenders, Shohei Imamura, Costa-Gravas e Manoel de Oliveira – e populares, como Jean-Jacques Beineix, além do indiano Mrinal Sen, desconhecido do grande público mas muito respeitado nos círculos cinematográficos. O preço especial, é de Cr$ 250,00 por sessão e a programação está sujeita a alterações.

Como se não bastasse, os Anos 80 marcaram o reconhecimento oficial do Curso de Cinema da UFF, que cresceu e foi premiado em festivais de cinema através de alunos e ex-alunos. Alcança agora a maioridade e comemora tudo isso com uma “colagem” retrospectiva de toda sua produção, onde serão mostrados os melhores momentos dos filmes realizados até hoje, e uma homenagem a Nelson Pereira dos Santos, um de seus fundadores, com a exibição de um filme surpresa. Tudo isto acontecerá no dia 12 de setembro, quando o Cine Arte UFF estará completando 22 anos. Como de praxe serão sorteados livros, discos, cartazes de cinema e as habituais permanentes válidas por 1 ano. Haverá ainda o lançamento do curta Bach experimental, realização da turma de Animação do Curso de Cinema.

FILMES MAIS IMPORTANTES

Blade Runner (EUA, de Ricley Scott)
Ligações perigosas (Inglaterra/EUA, de Stephen Frears)
Amadeus (EUA, de Milos Forman)
Fanny & Alexander (Suécia, de Ingmar Bergman)
A cor púrpura (EUA, de Steven Spielberg)
A insustentável leveza do ser (EUA, de Philip Kaufman)
Era uma vez na América (Itália/EUA, de Serbio Leone)
Coração satânico (EUA, de Alan Parker)
O selvagem da motocicleta (EUA, de Francis F. Coppola)
O baile (França/Itália/Argélia, de Ettore Scola)

DIRETORES

Stephen Frears (Ligações perigosas)
Pedro Almodóvar (Mulheres à beira…)
Murilo Salles (Faca de dois gumes)
Spike Lee (Faça a coisa certa)

ATORES

John Malkovich (Ligações perigosas)
Paulo José (Faca de dois gumes)
Dustin Hoffman (Rain man)

ATRIZES

Glenn Close (Ligações perigosas)
Carmen Maura (Mulheres à beira…)
Juliette Binoche (A insustentável leveza do ser)

FILMES PROGRAMADOS

Adeus, Meninos, de Louis Malle
Arizona nunca mais, de Joel Coen
A armadilha de Vênus, de Rober Van Ackeren
Betty Blue, de Jean-Jacques Beineix
Black rain, de Shoei Imamura
Blade Runner, de Ridley Scott
Bodas de sangue, de Carlos Saura
Os canibais, de Manoel de Oliveira
Carmen de Godard, de Jean-Luc Godard
Uma cilada para Roger Rabbit, de Robert Zemeckis
Comendo os ricos, de Peter Richardson
A companhia dos lobos, de Neil Jordan
Conselho de família, de Costa-Gavras
Conta comigo, de Rob Reiner
Coração satânico, de Alan Parker
Daunbailó, de Jim Jarmusch
De repente, num domingo, de François Truffaut
De repente, um dia, de Mrinal Sen
O declínio do império americano, de Dennys Arcand
Depois de horas, de Martin Scorsese
Entrevista, de Federico Felini
Esperança e glória, de John Boorman
O estado das coisas, de Win Wenders
Estranhos no paraíso, de Jim Jarmusch
ET – o extraterrestre, de Steven Spielberg
Feitiço da Lua, de Norman Jewison
O fundo do coração, de Francis F. Coppola
O futuro é mulher, de Marco Ferreri
O garoto do espaço, de René Laloux
Gosto de sangue, de Joel Coen
Hannah e suas irmãs, de Woody Allen
Identificação de uma mulher, de Michelangelo Antonioni
Os intocáveis, de Brian DePalma
Ironweed, de Hector Babenco
Kaos, de Paolo e Vittorio Taviani
Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio
Ligações perigosas, de Stephen Frears
Mephisto, de Stván Szabó
O mistério de Oberwald, de Michelangelo Antonioni
O mistério do lago, de Masahiro Shinoda
Montenegro, de Dusan Makavejev
Mulheres à beira de um ataque de nervos, de Pedro Almodóvar
Nascido para matar, de Stanley Kubrick
A noite de São Lourenço, de Paolo e Vittorio Taviani
O nome da rosa, de Jean-Jacques Annaud
A outra, de Woddy Allen
Um peixe chamado Wanda, de Charles Crichton
A pequena loja dos horrores, de Frank Oz
Por volta da meia-noite, de Bertrand Tavernier
Ran, de Akira Kurosawa
O sacrifício, de Andrey Tarkovsky
O selvagem da motocicleta, de Francis F. Coppola
Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderberg
O turista acidental, de Lawrence Kasdan
A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese
Veludo azul, de David Lynch
Os vivos e os mortos, de John Huston

 

 

  • 1991
  • 1992
  • 1993
  • 1994
  • 1995
  • 1996
  • 1997
  • 1998
  • 1999
  • 2000

RETROSPECTIVA 1990
18 de fevereiro a 07 de abril de 1991

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Mais uma vez, o Cine Arte UFF realiza sua retrospectiva anual, tentando trazer de volta à tela os filmes preferidos pelo público (que mais uma vez deu sua preciosa contribuição respondendo à nossa já tradicional pesquisa), além daquelas obras que, pelas mais variadas razões, como um bom roteiro, uma interpretação excepcional ou uma bela fotografia conseguiram certo destaque entre os lançamentos do ano que passou e por este motivo tiveram seu lugar reservado na Retrospectiva 90.

A grande novidade do ano é a presença não apenas dos eleitos por suas qualidades mas também daquele que foi campeão absoluto dos “Piores do Ano”: Lambada! a dança proibida – um recorde de votos!! Com seu absurdíssimo roteiro e todo o mau gosto a que tinha direito, Lambada! tem tudo para se tornar mais um dos grandes cults do “quanto pior melhor”. Confira, relaxe e ria muito… Como em anos anteriores, alguns filmes estão ausentes, seja por problemas de distribuição, seja por terem sido exibidos mais de uma semana em nossa sala. Ainda assim, a Retrospectiva 90 é, talvez, a que menos baixas sofreu entre os 25 prediletos do público. E nunca é demais repetir: sendo a distribuição cinematográfica uma intrincada arte de deslocamento de cópias, sujeita portanto a problemas variados (como o inesperado sucesso de uma fita em uma cidade qualquer, impedindo sua devolução, atrasos dos transportes utilizados, etc), sempre há o risco de uma alteração de última hora, que – é claro – esperamos não ocorra.

FILMES MAIS IMPORTANTES

Sociedade dos poetas mortos (EUA, de Peter Weir)
Cinema Paradiso (Itália/França, de Giuseppe Tornatore)
Bagdá Café (Alemanha, de Percy Adlon)
Sonhos (Japão, de Akira Kurosawa)
Meu pé esquerdo (Irlanda, de Jim Sheridan)

DIRETORES

Peter Weir (Sociedade dos poetas mortos)
Akira Kurosawa (Sonhos)
Peter Greenaway (O cozinheiro… e A barriga do arquiteto)

ATORES

Robin Williams (Sociedade dos poetas mortos)
Daniel Day Lewis (Meu pé esquerdo)
Phillipe Noiret (Cinema Paradiso)

ATRIZES

Isabelle Adjani (Camille Claudel)
Jessica Tandy (Conduzindo Miss Daisy)
Julia Roberts (Uma linda mulher)
Marianne Sägebrecht (Bagdá Café)

PIORES FILMES

Lambada! A dança proibida (de Greydon Clark)
Rocky V (com Sylvester Stalone)
Lua de cristal (de Tizuka Yamasaki, com Xuxa)

FILMES EXIBIDOS

Ajuste final (EUA, de Joel Coen)
Asas do desejo (Alemanha/França, de Wim Wenders)
Ata-me (Espanha, de Pedro Almodóvar)
As aventuras de Erik, o viking (Inglaterra, de Terry Jones)
Bagdá Café (Alemanha, de Percy Adlon)
A barriga do arquiteto (Inglaterra/Itália, de Peter Greenaway)
Black rain – a coragem de uma raça (Japão, de Shohei Imamura)
Os bons companheiros (EUA, de Martin Scorsese)
Camille Claudel (França, de Bruno Nuytten)
Uma cidade sem passado (Alemanha, de Michael Verhoeven)
Cinema Paradiso (França/Itália, de Giuseppe Tornatore)
Coração selvagem (EUA, de David Lynch)
Crimes e pecados (EUA, de Woody Allen)
Ela é o diabo (EUA, de Susan Seidelman)
Entrevista (Itália, de Federico Fellini)
Fugindo da morte (Noruega, de Nils Gaup)
O estado das coisas (Alemanha, de Wim Wenders)
Gente diferente (EUA, de Andrei Konchalovsky)
Hairspray – e éramos todos jovens (EUA, de John Waters)
Henrique V (Inglaterra, de Kenneth Branagh)
Inimigos, uma história de amor (EUA, de Paul Mazursky)
Lambada! A dança proibida (EUA, de Gordon Clark)
Meu pé esquerdo (Irlanda, de Jim Sheridan)
As montanhas da Lua (EUA, de Bob Rafelson)
Muito mais que um crime (EUA, de Costa-Gavras)
Mystery train (EUA, de Jim Jarmusch)
Navigator – uma odisséia no tempo (Nova Zelândia/Austrália, de Vincent Ward)
Um novato na máfia (EUA, de Andrew Bergman)
Pecados da guerra (EUA, de Brian De Palma)
Os possessos (França/Polônia, de Andrzej Wajda)
Sammy e Rosie (Inglaterra, de Stephen Frears)
Sociedade dos poetas mortos (EUA, de Peter Weir)
Sonhos (Japão, de Akira Korosawa)
Vozes distantes (Inglaterra, de Terence Davies)

Público total – 9531 espectadores
Filme mais visto – Cinema Paradiso (1133 espectadores)

RETROSPECTIVA 1991
2 de janeiro a 27 de fevereiro de 1992

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em 1983 a então nova equipe do Cine Arte UFF realizava sua primeira retrospectiva, sem pesquisa popular e com apenas quatorze filmes lançados em 82. Dez retrospectivas depois, nossa pesquisa é uma tradição e a mostra dos mais importantes filmes do ano continua sendo o maior sucesso da programação do Arte UFF.
1991 foi tido (principalmente pelos americanos) como um dos piores anos para o Cinema, seja em termos de qualidade, freqüência de público ou cifras. Por aqui a ladainha tem sido a mesma, e no que diz respeito ao filme brasileiro, a coisa anda preta. Mas os 40 filmes da Retrospectiva 91 refletem uma outra realidade: apesar de 70% dos filmes lançados no Rio no ano passado serem americanos e somente 12 filmes (?!) nacionais terem chegado às telas, o que marca nossa mostra é o ecletismo (ainda que tímido) do mercado distribuidor, com obras não só da França (11) e dos EUA (17), mas de outros países (12), entre eles Nova Zelândia, Irlanda, Holanda, Japão e Canadá.
Cabe aqui um parêntese: produções européias, asiáticas, africanas e latino-americanas dificilmente chegam pelas mãos de grandes distribuidores; quando chegam, é através de pequenas empresas que têm dificuldades em arcar com os altos custos de lançamento e são muito mais suscetíveis ao fracasso. Ainda assim, são responsáveis pela distribuição de excelentes filmes, em geral produções modestas de grande valor cultural. O fato é que boa parte da crítica tem arrasado, injustamente, muitos destes filmes: “a narrativa se mostra muitas vezes literária… recurso que não corresponde à fome de imagens do grande público”, ou “Nada mais distante das estéticas e modas que produzem bilheteria”, ou ainda “Esqueça o filme, leia os sonetos” e “Sexo? Nem pensar. Peca-se em pensamento – se tanto”, são algumas das pérolas de críticos cariocas e paulistas. E depois ainda reclamam de sexo e violência nas telas, da predominância do cinema americano, do baixo nível cultural do público, das magras bilheterias…
Voltando ao Arte UFF, a pesquisa popular surpreendeu, elegendo Não amarás o mais importante filme do ano, numa disputa acirrada com Europa e O céu que nos protege. Este último deu a Bertolucci o primeiro lugar entre os diretores e a Debra Winger a segunda colocação entre as atrizes (o brilhante trabalho de Jodie Foster em O silêncio dos inocentes levou a melhor). Já esperados eram o resultado de melhor ator (o onipresente Depardieu teve a vitória mais tranqüila da pesquisa) e o título de pior filme, que ficou mesmo com o imbatívelOrquídea Selvagem.
Como sempre, algumas ausências a lamentar: o campeão Não amarás, Noites com Sol, Delicatessen e Paisagem na neblina, além dos lançamentos de dezembro, todos por não terem cópias disponíveis no momento. E quem está se perguntando por A grande arte, pode esquecer. Nós já esquecemos. Ausências à parte, o cinema mais barato da cidade dá a você a chance de ver ou rever os grandes filmes de 91 – alguns, muito badalados, outros, ilustres desconhecidos – e conhecer aquelas obras não tão fantásticas mas que, apesar de alguns defeitos, trazem um pouco de vitalidade a essa tão maltratada arte chamada cinema. E viva a diferença! (Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Não amarás (Polônia, de Krzystof Kieslowski)
Europa (Dinamarca/Fra/Ale/Sué, de Lars Von Trier)
O céu que nos protege (EUA, de Bernardo Bertolucci)
O silêncio dos inocentes (EUA, de Jonathan Demme)
Cyrano (França, de Jean-Paul Rappeneau)

DIRETORES

Bernardo Bertolucci (O céu que nos protege)
Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes)
Spike Lee (Febre da selva)

ATORES

Gérard Depardieu (Cyrano)
Jeremy Irons (Gêmeos – mórbida semelhança)
Kevin Costner (Dança com lobos)

ATRIZES

Jodie Foster (O silêncio dos inocentes)
Debra Winger (O céu que nos protege)
Anjelica Huston (Os imorais)

PIORES FILMES

Orquídea selvagem (EUA, de Zalman King)
Highlander II (Ing/Fra/Arg, de Russell Mulcahy)
Inspetor Faustão e o Mallandro (Brasil, de Mário Márcio Bandarra)

FILMES EXIBIDOS

Akira (Japão, de Katsuhiro Otomo)
Alucinações do passado (EUA, de Adrian Lyne)
Um anjo em minha mesa (Nova Zelândia, de Jane Campion)
Um assunto de mulheres (França, de Claude Chabrol)
Avalon (EUA, de Barry Levinson)
Barton Fink – delírios de Hollywood (EUA, de Joel e Ethan Coen)
Boyz’n the hood – os donos da rua (EUA, de John Singleton)
O céu que nos protege (EUA, de Bernardo Bertolucci)
O conto da primavera (França, de Eric Rohmer)
Cyrano (França, de Jean-Paul Rappeneau)
Dança com lobos (EUA, de Kevin Costner)
Drugstore Cowboy (EUA, de Gus Van Sant)
Eu sou o senhor do castelo (França, de Régis Wargnier)
Europa (Dinamarca/Fra/Ale/Sué, de Lars Von Trier)
Eward Mãos de Tesoura (EUA, de Tim Burton)
Febre da selva (EUA, de Spike Lee)
Gêmeos – mórbida semelhança (Canadá, de David Cronenberg)
Um homem meio esquisito (França, de Patrice Leconte)
Homicídio (EUA, de David Mamet)
Os imorais (EUA, de Stephen Frears)
Jean de Florette (França, de Claude Berri)
Jesus de Montreal (Canadá, de Denys Arcand)
Ladrões de sabonete (Itália, de Maurizio Nichetti)
Loucuras de uma primavera (França, de Louis Malle)
A Lua na sarjeta (França/Itália, de Jean-Jacques Beineix)
O Mahabharata (Inglaterra/Fra/Itá, de Peter Brook)
Marcas de uma paixão (EUA, de Mary Lambert)
O marido da cabeleireira (França, de Patrice Leconte)
Noites violentas no Brooklyn (EUA/Alemanha, de Uli Edel)
O pescador de ilusões (EUA, de Terry Gilliam)
O poderoso chefão III (EUA, de Francis F. Coppola)
O silêncio dos inocentes (EUA, de Jonathan Demme)
Simplesmente Alice (EUA, de Woody Allen)
Tampopo (Japão, de Juzo Itami)
Terra da discórdia (Irlanda/Inglaterra, de Jim Sheridan)
The Doors (EUA, de Oliver Stone)
Thérèse (França, de Alain Cavalier)
Valmont (Inglaterra/França, de Milos Forman)
A vingança de Manon (França, de Claude Berri)
A voz da Lua (Itália, de Federico Fellini)

Público total – 9105 espectadores
Filme mais visto – O pescador de ilusões (633 espectadores)

RETROSPECTIVA 1992
5 de fevereiro a 25 de março de 1993

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em todo início de década, a mídia, sempre ansiosa por novidades, oferece espaços generosos para tratar de novas tendências que diferenciem o momento presente da década anterior. Muito do que se escreve é modismo e é perigoso falar em coisas como o "estilo de vida dos anos 60", ou "o cinema da década de 80", porque facilmente incorremos em generalizações vazias. Mas, na verdade, mudanças acontecem (mesmo que lentamente), e nesta 11a retrospectiva realizada pelo Cine Arte UFF já é possível afirmar que os anos 80 acabaram de vez em 92.Basta uma olhada nos títulos programados para perceber quão distante estamos da estética do neon. O filme de citação, o deslumbramento com o próprio cinema, também parece abandonado, exceto talvez pelo cinema americano, que nos deu em 92 Cabo do medo, Voltar a morrer e Instinto selvagem; os dois últimos, porém, nada reverentes aos modelos originais. Até mesmo um dos símbolos cinematográficos da década de 80 se desfez no ano passado: o casamento de Woody Allen e Mia Farrow, que juntos fizeram 12 filmes entre 82 e 92. Com Maridos e esposas, Allen ingressou no que se pode chamar de uma estética para os anos 90, realizando um filme "descuidado" dentro dos padrões do cinema comercial. Esta estética aparentemente suja, em que fica a sugestão de que a "mensagem" ainda importa mais do que a forma, pode ser encontrada em filmes tão diferentes como Garotos de programa, Riff-Raff e Três amores, uma paixão. Toda época produz suas obras-primas, e a década passada as teve, várias. Não estou defendendo um estilo de fazer cinema em oposição a outro, mas somente apontando o que acredito ser uma tendência para os próximos anos. Houve uma saturação com o cinema baseado na primazia técnica. O excesso de metalinguagem e o cuidado exagerado – e, na maioria das vezes, superficial – com a imagem cansaram. Hoje, nota-se a revalorização do cinema narrativo de qualidade, onde roteiro e atores são elementos levados em conta. Exemplos: Amor e sedução, A viagem do Capitão Tornado, Os imperdoáveis, Howard´s end, As melhores intenções. Por outro lado, surge com força aquela estética suja a qual já me referi. É um cinema de liberdade formal e ousadia temática, um cinema-rascunho extremamente criativo, semelhante ao que se fazia no fim dos anos 60 e começo dos 70. Semelhante, mas não igual, porque nenhuma época repete inteiramente a outra, sempre existem fatores novos. O interessante é que num momento em que diretores fundamentais da década passada como Wim Wenders e Jim Jarmusch apresentam trabalhos sem inspiração, Robert Altman, surgido naquele período de transição dos 60 para os 70, e "desaparecido" nos anos 80, ressurge em plena vitalidade. Depois do sucesso de O jogador, ele encontra-se filmandoShortcuts, uma espécie de Nashville com a estrutura de O fantasma da liberdade. Ao mesmo tempo, Jack Nicholson anuncia que vai dirigir um road-movie, Woody Allen sugere que em suas próximas obras irá mudar do tom confessional para algo mais político, e Spielberg conclui Parque Jurássico. Tudo bem que venham novamente a comédia dramática (Confiança), o filme de estrada (Thelma e Louise), o western revisionista (Os imperdoáveis) e o cinema engajado (Bob Roberts, Queridas amigas, Conterrâneos velhos de guerra), mas Spielberg precisava trazer de volta o filme-catástrofe? Enquanto não chegam as novas obras destes e de outros nomes consagrados, o veterano Altman é exceção se comparado ao fenômeno que vem ocorrendo no cinema: os filmes mais inventivos têm sido assinados por jovens diretores em início de carreira. Nomes como Zhang Yimou, Gus Van Sant, Hal Hartley, Jean-Claude Lauzon, Philip Ridley, Todd Haynes, Jaco Van Dormael surgem não como promessas, mas como cineastas completos. E todos, menos Van Dormael (diretor de Um homem com duas vidas), estão presentes nesta retrospectiva. O cinema pode não estar passando pela enorme efervescência que vem acontecendo na área musical, em especial no rock (e que faz do videoclipe o meio audiovisual de maior experimentação e exuberância criativa da atualidade), mesmo assim, com facilidade, se constata uma renovação na cena cinematográfica internacional. O cinema alternativo se fortalece no mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos. E cineastas independentes ingressam no sistema, sem necessariamente se venderem. O independente Jonathan Demme é um exemplo, ao ganhar o Oscar com O silêncio dos inocentes.Esta onda renovadora, infelizmente, ainda não chegou ao cinema brasileiro, presa de uma crônica falta de recursos e sofrendo (ainda?) os efeitos do desmantelamento da Embrafilme. Dos quatro filmes brasileiros lançados em 92, nenhum foi sucesso de público e apenas Conterrâneos velhos de guerra foi bem recebido pela crítica. Há exatos dez anos realizando pesquisa de opinião junto ao público, o Cine Arte UFF já pode traçar o perfil de seu espectador. De 1983 para cá o público mudou, e para melhor. Também diminuiu o número de espectadores ano após ano (como em todas as salas de exibição). Em contrapartida, a seleção dos melhores do público tornou-se cada vez mais sofisticada. Com certeza, perdemos o público que em retrospectivas passadas votava maciçamente em Gandhi, seguindo os padrões de qualidade da Academia de Hollywood. Ficaram os espectadores que elegeram Não amarás o melhor filme de 91 e A viagem do Capitão Tornado o melhor de 92. Um espectador bem informado e sintonizado com o melhor da produção cinematográfica contemporânea. Olhando a lista dos mais votados pelo público, pouca coisa realmente boa ficou de fora. Pelos nossos critérios, incluiríamos Mistérios e paixões e Diálogos Angelicais. Mas temos que admitir que estes não são filmes para todos os gostos. O sublime filme de Cronenberg exige espectadores de estômago forte e o jorro poético de Derek Jarman é feito somente para aqueles que resistem às altas doses de pura beleza. Se no que diz respeito aos melhores a votação está excelente, o mesmo não se pode afirmar em relação aos piores. As pessoas muitas vezes votam em filmes que não viram, e escolhem os seus piores dentre aqueles de título mais absurdo ou gaiato. Este é o caso de Wayne´s World, que, provavelmente, teve sua inclusão na lista devido ao engraçadinho título brasileiro Quanto mais idiota melhor. O certo é que o filme não merece estar em companhia de bombas completas como O príncipe das marés e Mulher solteira procura… Ainda sobre os piores: só mesmo o excessivo respeito por diretores cultuados explica a ausência de filmes como o último do Wim Wenders, o interminável Até o fim do mundo. Nas próximas pesquisas, esperamos que os votantes sejam mais criteriosos na seleção de seus piores, evitando escrever nos votos coisas do tipo "todos os kickboxers" ou "todos os filmes com Michael Douglas"… Para encerrar, vem a parte das lamentações. Em toda retrospectiva sempre alguns filmes importantes ficam de fora. Desta vez, por problemas incontornáveis de distribuição, cinco dos melhores de 92 estão ausentes: Os imperdoáveis, Matador, A dupla vida de Veronique, O jogador e Lanternas Vermelhas. Também fica de fora o mais inesperado sucesso de bilheteria de 92: Tomates verdes fritos. Apesar destas ausências lastimáveis, a Retrospectiva 92 é bastante representativa do ano que passou. De 227 filmes lançados, "peneiramos" 38, dos quais 10 (dez!!) serão exibidos em imperdíveis sessões duplas. Chegou a hora de ver aqueles filmes que todos comentaram mas que perdemos, ou simplesmente de rever aquele que nos emocionou em particular. Enfim é chegado o momento de sonhar, porque no cinema o sonho ainda é possível. (Alexander Vancellote)


FILMES MAIS IMPORTANTES

A viagem do Capitão Tornado (Itália/França, de Ettore Scola)
Lanternas vermelhas (China/Hong Kong/Taiwan, de Zhang Yimou)
Tomates verdes fritos (EUA, de Jon Avnet)
Amor e sedução (China/Japão, de Zhang Yimou e Fengliang Yang)
De salto alto (Espanha, de Pedro Almodóvar)

DIRETORES

Zhang Yimou (Lanternas vermelhas e Amor e sedução)
Ettore Scola (A viagem do Capitão Tornado)
Pedro Almodóvar (De salto alto)

ATORES

Tim Robbins (O jogador, Bob Roberts)
Gérard Depardieu (1492 – a conquista do paraíso)
Robert De Niro (Cabo do medo)

ATRIZES

Kathy Bates (Tomates verdes fritos e outros 3 filmes)
Gong Li (Lanternas vermelhas e Amor e sedução)
Victoria Abril (De salto alto)

PIORES FILMES

Orquídea selvagem 2 (EUA, de Zalman King)
Batman – o retorno (EUA/Inglaterra, de Tim Burton)
Quanto mais idiota melhor (EUA, de Penelope Spheeris)

FILMES EXIBIDOS

À procura do destino (Irlanda, de Neil Jordan)
Alien 3 (EUA, de David Fincher)
O amante (França/Inglaterra, de Jean-Jacques Annaud)
A bela e a fera (EUA, de G. Trousdadle e K. Wise)
A bela intrigante (França, de Jacques Rivette)
Bob Roberts (EUA, de Tim Robins)
Brincando nos campos do senhor (EUA, de Hector Babenco)
Cabo do medo (EUA, de Martin Scorsese)
Confiança (EUA, de Hal Hartley)
Conterrâneos velhos de guerra (Brasil, de Vladimir Carvalho)
De salto alto (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Diálogos angelicais (Inglaterra, de Derek Jarman)
Frankie & Johnny (EUA, de Gary Marshall)
Garotos de programa (EUA, de Gus Van Sant)
Instinto selvagem (EUA, de Paul Verhoeven)
O intruso (Nova Zelândia, de Vincent Ward)
JFK (EUA, de Oliver Stone)
Leolo (Canadá, de Jean-Claude Lauzon)
Lições da infância (Tchecoslováquia, de Jan Sverák)
Mediterrâneo (Itália, de Gabriele Salvatores)
As melhores intenções (Suécia, de Bille August)
Mistérios e paixões (Canadá/Ing/Jap, de David Cronenberg)
Mr. & Mrs. Bridge – cenas de uma família (EUA/Ing, de James Ivory)
Não matarás (Polônia, de Krzysztof Kieslowski)
Neblina e sombras (EUA, de Woody Allen)
Othello (EUA/Itália, de Orson Welles)
As portas da justiça (Itália, de Gianni Amelio)
Quanto mais idiota melhor (EUA, de Penelope Spheeris)
O reflexo do mal (Inglaterra, de Philip Ridley)
Retorno a Howard’s End (Inglaterra, de James Ivory)
Riff-raff (Inglaterra, de Ken Loach)
Romuald e Juliette (França, de Coline Serreau)
Três amores, uma paixão (Inglaterra, de Stephen Poliakoff)
A última tempestade (Inglaterra, de Peter Greenaway)
Van Gogh (França, de Maurice Pialat)
Veneno (EUA, de Todd Haynes)
A viagem do Capitão Tornado (Itália/França, de Ettore Scola)
Voltar a morrer (EUA, de Kenneth Branagh)

Público total – 7020 espectadores
Filme mais visto – A viagem do Capitão Tornado (827 espectadores)

RETROSPECTIVA 1993
17 de fevereiro a 26 de março de 1994

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em verdade, neste ano, nossa retrospectiva anual começou mais cedo. Com a exibição/lançamento em Niterói de filmes como Muito barulho por nada, O grande dia na praia, Um coração no inferno e O castelo de minha mãe, o Cine Arte UFF fez uma prévia da Retrospectiva 93, sempre tendo em vista seu compromisso de manter o público niteroiense em dia com o melhor do cinema mundial.

Com a exibição de Sedução, iniciamos uma maratona cinematográfica elaborada com a participação do público do Cine Arte UFF, que elegeu os seus favoritos de 1993. Infelizmente, nem todos os títulos eleitos puderam ser programados, ficando de fora, por motivos de distribuição, filmes como O piano (que já esteve em cartaz no Arte UFF por três semanas), O banquete de casamento, Perfume de mulher e Indochina. Em compensação, alguns dos mais importantes filmes lançados no Rio de Janeiro, mesmo esquecidos pelos nossos espectadores em sua votação, estarão presentes, compondo um painel bem variado do que de mais interessante se exibiu no ano que passou, num total de 35 títulos – fitas para todos os gostos, a um preço extremamente acessível: CR$ 500,00 – preço único, assegurado até o final da Retrospectiva 93 – mais barato que locação de vídeo!!

O piano e sua diretora Jane Campion, Al Pacino e a onipresente Juliette Binoche (destaque em três dos 25 filmes prediletos do público!!), foram eleitos pelo nosso público como os melhores de 93. No setor de (ugh!) piores filmes, três fitas disputaram voto a voto o desprezo do público do Cine Arte UFF, e quase tivemos um triplo empate entre O guarda costas, Proposta indecente e Corpo em evidência – uma escolha realmente difícil, não? (Denise Tecídio)

FILMES MAIS IMPORTANTES

O piano (Austrália/N.Zelândia/Fra, de Jane Campion)
Como água para chocolate (México, de Alfonso Arau)
Traídos pelo desejo (Inglaterra/Japão, de Neil Jordan)
Cães de aluguel (EUA, de Quentin Tarantino)
Perdas e danos (França/Inglaterra, de Louis Malle)

DIRETORES

Jane Campion (O piano)
Neil Jordan (Traídos pelo desejo)
Alfonso Arau (Como água para chocolate)

ATORES

Al Pacino (Perfume de mulher)
Denzel Washington (Malcolm X)
Jeremy Irons (Perdas e danos)

ATRIZES

Juliette Binoche (A liberdade é azul/Perdas e Danos/Os amantes de Pont Neuf)
Holly Hunter (O piano)
Lumi Cavazos (Como água para chocolate)

PIORES FILMES

O guarda costas (EUA, de Mick Jackson)
Proposta indecente (EUA, de Adrian Lyne)
Corpo em evidência (EUA/Alemanha, de Uli Edel)

FILMES EXIBIDOS

Adeus, minha concubina (China, de Chen Kaige)
Aladdin (EUA, de J. Musker e R. Clements)
Os amantes de Pont Neuf (França, de Leos Carax)
Cães de aluguel (EUA, de Quentin Tarantino)
Como água para chocolate (México, de Alfonso Arau)
O dono da noite (EUA, de Paul Schrader)
El mariachi (EUA, de Robert Rodriguez)
O escorpião escarlate (Brasil, de Ivan Cardoso)
Eu estive em Marte (Alemanha/Suíça, de Dani Levi)
Feitiço do tempo (EUA, de Harold Ramis)
O fim de um longo dia (Inglaterra, de Terence Davies)
A grande família (Inglaterra, de Stephen Frears)
Herói por acidente (EUA, de Stephen Frears)
A história de Qiu Ju (China/Hong Kong, de Zhang Yimou)
Kafka (EUA, de Steven Soderbergh)
Ladrão de crianças (Itália, de Gianni Amelio)
A liberdade é azul (França/Polônia, de Krzystof Kieslowski)
Lua de fel (Inglaterra/França, de Roman Polanski)
Madadayo (Japão de Akira Kurosawa)
Malcolm X (EUA, de Spike Lee)
Maridos e esposas (EUA, de Woody Allen)
Um misterioso assassinato em Manhattan (EUA, de Woody Allen)
Não quero falar sobre isso agora (Brasil, de Mauro Farias)
Noites felinas (França, de Cyril Collard)
Perdas e danos (França/Inglaterra, de Louis Malle)
A prova (Austrália, de Jocelyn Moorhouse)
Queridas amigas (Hungria, de Stván Szabó)
O rei pasmado e a rainha nua (Espanha, de Imanol Uribe)
Sedução (Espanha, de Fernando Trueba)
Simples desejo (EUA/Inglaterra, de Hal Hartley)
Todas as manhãs do mundo (França, de Alain Corneau)
Traídos pelo desejo (Inglaterra/Japão, de Neil Jordan)
Urga (CEI, de Nikita Mikalkhov)
Vem dançar comigo (Austrália, de Baz Luhrmann)
Virgina (Iugoslávia/França, de Srdjan Karanovic)

Público total – 9316 espectadores
Filme mais visto – A liberdade é azul (802 espectadores)

RETROSPECTIVA 1994
3 de fevereiro a 16 de março de 1995

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

O cinema é como água: reflete e absorve. Funciona feito um espelho da realidade. É importante lembrar que ele nunca nos oferece o real em si, mas uma representação, uma imagem. Também como a água, o cinema absorve tudo: aromas, tinturas, resíduos e toxinas. Desde sua origem, ele incorpora outras linguagens. E quanto aos conteúdos, tampouco faz distinção. Encontramos no cinema o pior e o melhor de cada época; por sorte, geralmente em filmes diferentes. Em um dos melhores filmes produzidos pelos anos 80, O estado das coisas, um personagem diz que todas as histórias são a respeito do amor e da morte. Assim colocado, podemos perguntar que histórias o cinema de nosso tempo absorve e reflete? As histórias de amor que o cinema contou em 94 enfatizaram o sexo, a afirmação da vida e o respeito às diferenças. As histórias de morte privilegiaram a violência gratuita, a brutalidade. Muitas vezes o amor e a morte se cruzaram dentro do mesmo filme. Uma tendência já presente nos últimos dois, três anos se consolidou em 94: ao tratar de sexo, o cinema mostrou-se bem mais flexível que no passado. Surgiram múltiplas representações da sexualidade. Personagens homossexuais menos esquemáticos freqüentaram as telas com assiduidade. Alguns filmes abordaram o sexo através de um enfoque político como Morango e chocolate e Filadélfia. Porém, o grande tema de 94 foi a violência. Assassinos por natureza – a polêmica cinematográfica do ano – dividiu opiniões ao mostrar um casal de imbecis matando um monte de imbecis. A dupla de serial-killers é emblemática do tipo de personagem que povoa a ficção contemporânea. Não foi Oliver Stone, contudo, quem dirigiu o filme mais violento de 94. O mérito é de Martin Scorsese, mestre no assunto. A época da inocência foi o filme mais brutal exibido ano passado. Talvez a forma mais terrível de violência seja a enorme indiferença que todos sentem por todos. Em Short cuts, Altman registrou de maneira implacável esse estado de anorexia social. E Bertolucci, em O pequeno Buda, pregou o valor daquilo que ele chama a inteligência da compaixão. Este filme é o principal exemplo de uma tendência que começa a se mostrar: a dos filmes religiosos no sentido nobre do termo. Tão longe e tão perto, Baraka e Sem medo de viver apontam igualmente nesta direção, e passam ao largo do sexo e da violência. Até o visionário Godard, com Infelizmente para mim, ingressou na corrente. Outra tendência a se fazer notar em 94 foi a revalorização da política nos filmes. Fato bastante positivo num mundo longe do perfeito, onde a economia segue a cartilha neoliberal e os meios de comunicação e igrejas dissolvem consciências. A política esteve presente nos brasileiros Lamarca e A causa secreta, no irlandês Em nome do pai, no chinês Tempos de viver e no cubano Morango e chocolate. Enfoques políticos também estiveram em filmes que, aparentemente, falavam de outras coisas: o anarquista Parceiros do crime, o anticapitalista O inventor de ilusões, o lúdico Na roda da fortuna, e a reflexiva trilogia de Kieslowski. Os mais contundentes filmes políticos de 94 foram A Rainha Margot e A lista de Schindler. Essas duas obras transcendem os macabros fatos históricos que descrevem. São impressionantes painéis que registram a permanência da violência na História, os abusos de poder, a intolerância e o ataque às minorias. Pelos filmes citados, não dá para reclamar da qualidade cinematográfica do ano que passou. A seleção desta Retrospectiva 94 é para desanimar os pessimistas que vivem decretando o fim do cinema. Por problemas de distribuição uns poucos filmes – como os chineses Tempos de viver e A vida sobre um fio – ficaram de fora. A única ausência entre os dez mais votados foi Forrest Gump. Pensando a respeito do que faz surgir filmes como este, me lembrei de alguns versos de Allen Ginsberg: Hollywood apodrecerá nos moinhos de vento da eternidade/Hollywood cujos filmes estão atravessados na garganta de Deus/Sim Hollywood receberá o que merece/Tempo. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

A fraternidade é vermelha (França/Pol/Suí, de Krzysztof Kieslowski)
Morango e chocolate (Cuba/Méx/Esp, de Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabio)
A lista de Schindler (EUA, de Steven Spielberg)
Forrest Gump (EUA, de Robert Zemeckis)
Em nome do pai (Irlanda, de Jim Sheridan)
A época da inocência (EUA, de Martin Scorsese)

DIRETORES

Krzysztof Kieslowski (A fraternidade é vermelha)
Steven Spielberg (A lista de Schindler)
Martin Scorsese (A época da inocência)
Robert Altman (Short cuts)

ATORES

Tom Hanks (Forrest Gump)
Daniel Day Lewis (Em nome do pai/A época da inocência)
Anthony Hopkins (Vestígios do dia)

ATRIZES

Irene Jacob (A fraternidade é vermelha)
Isabelle Adjani (A Rainha Margot)
Emma Thompson (Vestígios do dia)

PIORES FILMES

Encaixotando Helena (EUA, de Jennifer Chambers Lynch)
A terceira margem do rio (Brasil, de Nelson Pereira dos Santos)
The Flintstones – o filme (EUA, de Brian Levant)

FILMES EXIBIDOS

Alguém para dividir os sonhos (EUA, de Tim Hunter)
Alma corsária (Brasil, de Carlos Reichenbach)
Baraka (EUA, de Ron Fricke)
A causa secreta (Brasil, de Sérgio Bianchi)
Os cinco rapazes de Liverpool (Inglaterra, de Iain Softley)
Em nome do pai (Irlanda, de Jim Sheridan)
A época da inocência (EUA, de Martin Scorsese)
Exótica (Canadá, de Atom Egoyan)
Filadélfia (EUA, de Jonathan Demme)
A fraternidade é vermelha (França/Pol/Suí, de Krzysztof Kieslowski)
Infelizmente para mim (França/Suíça, de Jean-Luc Godard)
O inventor de ilusões (EUA, de Steven Soderbergh)
O jardim secreto (EUA/Ing, de Agnieszka Holland)
Kika (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Lamarca (Brasil, de Sérgio Rezende)
A lista de Schindler (EUA, de Steven Spielberg)
M. Butterfly (EUA, de David Cronenberg)
Mamãe é de morte (EUA, de John Waters)
Morango e chocolate (Cuba/Méx/Esp, de Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabio)
Um mundo perfeito (EUA, de Clint Eastwood)
Na roda da fortuna (EUA, de Joel e Ethan Coen)
Não se mova, morra, ressuscite (Rússia, de Vitali Kanevski)
Parceiros do crime (EUA, de Roger Avary)
O pequeno Buda (EUA, de Bernardo Bertolucci)
Priscilla, a rainha do deserto (Austrália, de Stephan Elliot)
Quatro casamentos e um funeral (Inglaterra, de Mike Newell)
A Rainha Margot (França/Ale/Itá, de Patrice Chereau)
Sem medo de viver (EUA, de Peter Weir)
Short cuts – cenas da vida (EUA, de Robert Altman)
O sorgo vermelho (China, de Zhang Yimou)
Tão longe, tão perto (Alemanha, de Wim Wenders)
O viajante (Alemanha/Fra/Gré, de Volker Schlöndorff)
Vício frenético (EUA, de Abel Ferrara)
Uma vida independente (França/Rússia, de Vitali Kanevski)
Wittgenstein (Inglaterra, de Derek Jarman)

RETROSPECTIVA 1995
09 de fevereiro a 10 de março de 1996

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em 95, muito se falou a respeito do cinismo no cinema e na sua contrapartida, a sinceridade. Pulp fiction foi apontado o modelo de cinismo por excelência. Como bom cínico, Tarantino conhece a aversão das pessoas à verdade e concebeu seu filme feito um ultraje milimetricamente construído (e bem construído) na medida do aceitável. O público do Arte UFF aprovou o resultado: elegeu Pulp fiction o melhor filme do ano e Tarantino o melhor diretor. Walter Salles Júnior, o diretor de Terra estrangeira, valoriza o pólo oposto: Cortina de fumaça e O balão branco são, nas suas palavras, filmes sinceros, feitos com um afeto evidente. O cinema brasileiro, ressuscitado em 95, parece pender mais para a sinceridade do que para o cinismo. Os novos filmes brasileiros foram sinceros em pelo menos uma questão: são obras que, em sua maioria, visam o mercado. Em 95, o cinema nacional voltou a dialogar com o público, a marcar presença nas bilheterias. Isto é de extrema importância para viabilizar novas produções. E que venham novas produções porque filmes como Os fuzis, São Paulo S.A. e Meteorango Kid, realizados há cerca de trinta anos, têm mais a dizer sobre a realidade brasileira de hoje que qualquer um dos recentes (e bem-comportados) lançamentos.

Voltando à questão cinismo x sinceridade: um tipo de cinema que transcende essa oposição ganhou força em 95. Um cinema de olhar trágico, que adota (ou elucida) o ponto de vista dos excluídos. A exclusão pode ser de várias ordens: sócio-econômica, étnica, sexual, religiosa ou de estilo de vida. Uma passagem de um poema de Rilke pode ser um belo comentário ao cinema de perspectiva trágica: E se surgir um herói que arranque como máscara / o que tomávamos pelo sentido das coisas / e irado nos desvele rostos / cujos olhos de há muito nos espiam / em silêncio, por buracos disfarçados. Peter Jackson, Tran Anh Hung, Mathieu Kassovitz, Antonia Bird, André Téchiné, David Mamet, Hal Hartley, Larry Clark, Gus Van Sant, Milcho Manchevski são todos heróis irados, vingadores de vozes silenciadas. Seus filmes são puro cinema do ressentimento. Mais do que “amorais”, “reflexivos” ou “profundos”, são filmes “destrutivos”. Almas Gêmeas, Oleanna e Kids, por exemplo, conseguiram aborrecer platéias acostumadas ao calor dos filmes sinceros e à frieza dos filmes cínicos. Obras assim devolvem à arte seu elemento mais vital: o desejo de vingança. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Pulp Fiction (EUA, de Quentin Tarantino)
Antes da chuva (Macedônia/Ing, de Milcho Manchevski)
O quatrilho (Brasil, de Fábio Barreto)
Almas gêmeas (Nova Zelândia, de Peter Jackson)
Carlota Joaquina (Brasil, de Carla Camurati)

DIRETORES

Quentin Tarantino (Pulp Fiction)
Carla Camurati (Carlota Joaquina)
Peter Jackson (Almas gêmeas)
Walter Salles & Daniela Thomas (Terra estrangeira)

ATORES

Johnny Depp (Ed Wood e D. Juan de Marco)
Harvey Keitel (Cortina de fumaça e Sem fôlego)
Marco Nanini (Carlota Joaquina)
Morgan Freeman (Um sonho de liberdade)
Samuel L. Jackson (Pulp fiction)

ATRIZES

Gloria Pires (O quatrilho)
Marieta Severo (Carlota Joaquina)
Fernanda Torres (Terra estrangeira

PIORES FILMES

Débi & Lóide (EUA, de Peter Farrelly)
Street fighter (EUA/Japão, de Steven E. de Souza)
Assédio sexual (EUA, de Barry Levinson)
Mortal kombat (EUA, de Paul W. L. Anderson)

FILMES EXIBIDOS

Almas gêmeas (Nova Zelândia, de Peter Jackson)
Amateur (EUA, de Hal Hartley)
Anna dos 6 aos 18 (Rússia/França, de Nikita Mikhalkov)
Antes da chuva (Macedônia/Ing, de Milcho Manchevski)
Antes do amanhecer (EUA, de Richard Linklater)
Até as vaqueiras ficam tristes (EUA, de Gus Van Sant)
Através das oliveiras (Irã, de Abbas Kiarostami)
O balconista (EUA, de Kevin Smith)
Barcelona (EUA, de Whit Stillman)
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (Brasil, de Carla Camurati)
Carmen Miranda: bananas is my business (Brasil, de Helena Solberg)
Caro diário (Itália, de Nanni Moretti)
O céu de Lisboa (Alemanha, de Wim Wenders)
O ciclista (Vietnã/França, de Tran Anh Hung)
Cortina de fumaça (EUA, de Wayne Wang)
Ed Wood (EUA, de Tim Burton)
Fervura máxima (Hong Kong, de John Woo)
A flor do meu segredo (Espanha, de Pedro Almodóvar)
O gênio e excêntrico Glenn Gold em 32 curtas (Canadá, de François Girard)
Kids (EUA, de Larry Clark)
Menino maluquinho (Brasil, de Helvécio Ratton)
O ódio (França, de Mathieu Kassovitz)
Oleanna (EUA, de David Mamet)
Um olhar a cada dia (Grécia, de Theo Angelopoulos)
O perfume de Yvonne (França, de Patrice Leconte)
Prêt-à-porter (EUA, de Robert Altman)
O quatrilho (Brasil, de Fábio Barreto)
Rosas selvagens (França, de André Techiné)
Sábado (Brasil, de Ugo Giorgetti)
Sem fôlego (EUA, de Wayne Wang e Paul Auster)
O sol enganador (Rússia, de Nikita Mikhalkov)
Tempo de violência – Pulp fiction (EUA, de Quentin Tarantino)
Terra estrangeira (Brasil, de Walter Salles & Daniela Thomas)
The killer – o matador (Hong Kong, de John Woo)
Tio Vânia em Nova Iorque (EUA, de Louis Malle)
Tiros na Broadway (EUA, de Woody Allen)

Público total – 3070 espectadores
Filme mais visto – Antes da chuva (304 espectadores)

RETROSPECTIVA 1996
17 de março a 17 de abril de 1997

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Todo final de ano os jornais publicam matérias avaliando tendências culturais. Em se tratando de cinema, há sempre gente falando em decadência. Leon Cakoff, o organizador da Mostra de São Paulo, levanta uma hipótese pertinente: o cinema não está em decadência, mas sim a platéia. E argumenta que na última mostra a diversidade da (boa) programação foi ignorada por público e mídia. No geral, Cakoff está correto. A porcentagem da população que pode pagar ingresso, “assessorada” por uma mídia que é puro marketing travestido de utilidade pública, escolhe mal. Quer dizer: opta pelo produto de Hollywood em algum cinema caro de shopping. Quanto ao público do Arte UFF, não há como acusá-lo de decadente. Um público que elege Terra e liberdade, Beleza roubada e Trainspotting os melhores filmes do ano merece respeito. Na mostra, dos 25 filmes preferidos do público, o único ausente é Leni Riefenstahl, que não está disponível no momento.

A Retrospectiva 96 é a décima-quarta realizada pelo Arte UFF. É também a maior, com 46 filmes. Este ano um tanto tardia, a mostra ainda é o evento que reúne o melhor da produção cinematográfica recente. A compensar a ausência de ineditismo, há a vantagem da concentração de qualidade. Na Retrospectiva pode-se assistir àqueles filmes excepcionais que ficaram esquecidos ano passado, filmes que o circuito matou, que a crítica não deu a devida atenção. Ou, simplesmente, pode-se rever aquele filme muito bom que nos disse algo. Opções não faltam. Há o cinema britânico, o que mais se destacou em 96. Há a vitalidade do cinema francês, sempre a falar do presente. Há cinematografias pouco conhecidas. E claro, há também bons filmes americanos. Do Brasil, três filmes foram selecionados. Poderiam ser em número maior, não fosse “a falta de ousadia e criatividade” que no momento domina a produção nacional, como bem colocou Murilo Salles. Mas é injusto imputar a falta de ousadia só ao cinema brasileiro. Porque no Brasil ela está em toda parte. Voltando à hipótese de Cakoff: em última instância, quem escolhe é o público. Pode-se argumentar que não há como escolher, num mercado dominado pelo cinema americano de má qualidade. Isto não é totalmente verdade nas grandes cidades brasileiras, onde já existe um circuito alternativo razoável, que tende a crescer. Mas suponhamos que não haja opções. Mesmo assim, pode-se escolher não assistir nada. Pode-se ficar em casa, apanhar uma câmera de vídeo, filmar alguma coisa e mostrar para os amigos. Fazer com o vídeo o que Bressane faz com uma câmera de cinema. Talvez no futuro seja assim. Talvez no futuro todos venham a fazer seu próprio filme, sua própria música. Viveremos num mundo de artistas, como Godard profetizou nos anos 70. Por enquanto, podemos, no mínimo, escolher bem o que assistir. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Terra e liberdade (Inglaterra, de Ken Loach)
Beleza roubada (Itália/Inglaterra, de Bernardo Bertolucci)
Trainspotting (Inglaterra, de Danny Boyle)
Poderosa Afrodite (EUA, de Woody Allen)
Razão e sensibilidade (EUA, de Ang Lee)

DIRETORES

Bernardo Bertolucci (Beleza roubada)
Ken Loach (Terra e liberdade)
Woody Allen (Poderosa Afrodite)

ATORES

Nicolas Cage (Despedida em Las Vegas)
Ewan Mc Gregor (Trainspotting)
Ian Hart (Terra e liberdade)
Robert De Niro (Cassino)

ATRIZES

Emma Thomson (Razão e sensibilidade e Carrington)
Susan Sarandon (Os últimos passos de um homem)
Liv Tyler (Beleza roubada)

PIORES FILMES

Striptease (EUA, com Demi Moore)
Independence day (EUA, de Roland Emmerich)
Showgirls (EUA/França, de Paul Verhoeven)

FILMES EXIBIDOS

Os 12 macacos (EUA, de Terry Gilliam)
Acerto final (EUA, de Sean Penn)
Além das nuvens (Itália, de M. Antonioni e W. Wenders)
América, o sonho de chegar (Itália, de Gianni Amelio)
Amores expressos (Hong Kong/China, de Wong Kar-wai)
Atos de amor (EUA, de Bruno Barreto)
Basquiat (EUA, de Julian Schnabel)
O beco dos milagres (México, de Jorge Fons)
Beleza roubada (Itália/Inglaterra, de Bernardo Bertolucci)
Bem-vindo à casa de bonecas (EUA, de Todd Solondz)
Carrington (Inglaterra, de Christopher Hampton)
Cassino (EUA, de Martin Scorsese)
Celulóide secreto (EUA, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman)
Como nascem os anjos (Brasil, de Murilo Salles)
Crumb (EUA, de Terry Zwigoff)
Dead man (EUA, de Jim Jarmusch)
Denise está chamando (EUA, de Hal Salwen)
Despedida em Las Vegas (EUA, de Mike Figgis)
Doces poderes (Brasil, de Lúcia Murat)
Um drink no inferno (EUA, de Robert Rodriguez)
A excêntrica família de Antônia (Holanda/Bél/Ing, de Marleen Gorris)
Fargo (EUA, de Joel Coen)
O gato sumiu (França, de Cédric Klapisch)
Guantamera (Cuba/Esp, de Tomás G. Alea e Juan Carlos Tabio)
A ilha do doutor Moreau (EUA, de John Frankenheimer)
Jack (EUA, de Francis Ford Coppola)
Jenipapo (Brasil, de Monique Gardenberg)
Os ladrões (França, de André Téchiné)
A lei do desejo (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Minha secretária (França, de Claude Sautet)
Mulheres diabólicas (França/Alemanha, de Claude Chabrol)
Operação Xangai (China, de Zhang Yimou)
Pasolini, um delito italiano (Itália, de Marco Tulio Giordana)
Poderosa Afrodite (EUA, de Woody Allen)
Procurando encrenca (EUA, de David O. Russell)
Razão e sensibilidade (EUA, de Ang Lee)
O segredo de Mary Reilly (EUA, de Stephen Frears)
Segredos e mentiras (Inglaterra/França, de Mike Leigh)
Os silêncios do palácio (Tunísia/França, de Moufida Tlatli)
Um sonho sem limites (EUA, de Gus Van Sant)
Os suspeitos (EUA, de Bryan Singer)
Terra e liberdade (Inglaterra, de Ken Loach)
Toy story (EUA, de John Lasseter)
Trainspotting (Inglaterra, de Danny Boyle)
Os últimos passos de um homem (EUA, de Tim Robbins)
Underground (Hungria/Ale/Fra, de Emir Kusturica

Público total – 3195 espectadores
Filme mais visto – Transpotting (372 espectadores)

RETROSPECTIVA 1997
16 de março a 1 de abril de 1998

FILMES MAIS IMPORTANTES

A estrada perdida (EUA/França, de David Lynch) empatado com
O paciente inglês (EUA, de Anthony Minghella)

DIRETOR

David Lynch (A estrada perdida)

ATOR

Al Pacino (Ricardo III e Donnie Brasco)

ATRIZES

Cláudia Abreu (Guerra de Canudos) empatada com
Emily Watson (Ondas do destino)

PIOR FILME

Con air – A rota da fuga (EUA, de Simon West)

FILMES EXIBIDOS

Arquitetura da destruição (Suécia, de Peter Cohen)
Assassino(s) (França, de Mathieu Kasovitz)
Assim dançou o comunismo (Alemanha, de Dana Ranga)
Baile perfumado (Brasil, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira)
As bruxas de Salem (EUA, de Nicholas Hytner)
Um céu de estrelas (Brasil, de Tata Amaral)
Os chefões (EUA, de Abel Ferrara)
Crash (Canadá/EUA, de David Cronenberg)
Crede-mi (Brasil, de Bia Lessa e Dany Roland)
Delicada atração (Inglaterra, de Hettie MacDonald)
Donnie Brasco (EUA, de Mike Newell)
Eclipse de uma paixão (Inglaterra/Fra/Bel/Ita, de Agnieszka Holland)
A estrada perdida (EUA/França, de David Lynch)
Um herói muito discreto (França, de Jacques Audiard)
Um instante de inocência (Irã, de Mohsen Makhmalbaf)
Jerry Maguire (EUA, de Cameron Crowe)
JLG por JLG (França, de Jean-Luc Godard)
Kolya (Rep. Tcheca, de Jan Sverák)
O livro de cabeceira (França/Ing/Hol, de Peter Greenway)
Marte ataca! (EUA, de Tim Burton)
Os matadores (Brasil, de Beto Brant)
Microcosmos (França, de Claude Nuridsany e Marie Perrenou)
Não esqueça que você vai morrer (França, de Xavier Beauvois)
Ondas do destino (Din/Sué/Fra/Hol/Nor/Isl, de Lars Von Trier)
A ostra e o vento (Brasil, de Walter Lima Jr.)
O paciente inglês (EUA, de Anthony Minghella)
O povo contra Larry Flynt (EUA/Canadá, de Milos Forman)
Procura-se Amy (EUA, de Kevin Smith)
Quando éramos reis (EUA, de Leon Gast)
Retrato de uma mulher (EUA/Ing, de Jane Campion)
Ricardo III (EUA, de Al Pacino)
O sertão das memórias (Brasil, de José Araujo)
Um tiro para Andy Warhol (EUA, de Mary Harron)
Todos dizem eu te amo (EUA, de Woddy Allen)

Público total – 1930 espectadores
Filme mais visto – Baile perfumado (142 espectadores)

RETROSPECTIVA 1998
15 de março a 1 de abril de 1999

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Por que Kundun de Martin Scorsese, The Big Lebowski dos irmãos Coen e Desconstruindo Harry de Woody Allen estão ausentes da Retrospectiva 98? Simples, estes filmes foram avaliados pelas grandes distribuidoras que operam no país como comercialmente desfavoráveis e tiveram seus lançamentos vetados. O espantoso é que são obras de diretores americanos de primeira linha. Em contrapartida, o lixo habitual que nos é despejado aumentou consideravelmente no ano passado. No decorrer dos anos 90, a distribuição cinematográfica melhorou bastante no Brasil. Grandes cidades como o Rio e São Paulo recebiam o melhor do cinema mundial. Esse quadro começou a mudar em 97, e se agravou em 98. A crise econômica fechou distribuidoras de pequeno e médio porte, empresas de capital nacional que traziam os filmes europeus e a produção americana independente. As companhias que resistiram estão comprando menos. Quanto às grandes empresas americanas, que dominam o mercado, elas se orientam cada vez mais pelo princípio da ganância. Tal situação explica por que a Retrospectiva 98 é a menor dos últimos anos: apenas 19 títulos. E se considerarmos que só dois filmes importantes ficaram de fora por falta de cópia disponível – Festa de família e O silêncio –, o quadro é, no mínimo, preocupante. A distribuição de filmes também é apontada pelos cineastas brasileiros como o grande vilão. Atualmente, quando registramos o aumento da produção nacional, é imperativo que haja salas para exibir os filmes. No último Festival de Brasília, os cineastas presentes enviaram documento ao ministro da Cultura denunciando o monopólio norte-americano exercido sobre o circuito exibidor. Mas tudo isso é tão velho, parece reprise de filme ruim. O Mercosul, que poderia se contrapor à hegemonia americana, não funciona nem para os setores ditos culturais. A ostra e o vento, lançado em Buenos Aires ano passado, é o primeiro filme brasileiro a chegar à Argentina em seis anos. Por nosso lado, ignoramos completamente o florescente cinema portenho, que também vive um renascimento. Enquanto isso, milionárias operações de marketing são exibidas nos Cinemarks da vida. O público do Cine Arte UFF é dos poucos a repudiar armações. Não por acaso, Godzilla e O mundo das Spice Girls encabeçaram a lista de piores, que ainda incluiu Cinderela bahiana. Ao olharmos a lista de melhores, fica visível uma predominância de filmes “de personagem” sobre filmes de “enredo”. Mais do que histórias, são os personagens que cativam o espectador em filmes como Boogie nights, Melhor é impossível, Carne trêmula, Jackie Brown, Gênio indomável e Ou tudo ou nada. E por que não também Titanic? E, claro, Central do Brasil. O filme de Walter Salles, com sua mistura de ficção e documentário, leva à excelência da arte do retrato. Em nenhuma retrospectiva anterior o favorito do público ficou tão à frente dos outros filmes mencionados. O crítico Inácio Araújo explica assim o sucesso de Central: “O que as pessoas vêem nele é o sentimento de um país que aspira à redenção. (…) Central conseguiu expressar o tipo de anseio dos espectadores de cinema pelo passado e pelo futuro do país. Nessa medida, abriu o seu espaço.” Por mais bem realizado que seja o filme, o melhor de Central do Brasil aconteceu antes da filmagem: o encontro de Walter Salles, filho de banqueiro, com o engraxate Vinícius de Oliveira. Melhor para o garoto. Será que Salles leu Terra dos homens do Antoine de Saint-Exupéry? Se, ao menos, pudermos salvar um. Quanto ao Oscar, o filme tem a desvantagem do protagonista não cruzar com nenhum americano. Roberto Benigni armou-se melhor. O Josué de A vida é bela ganha, dos americanos, um tanque de presente. O nosso Josué, nada. Se ele tivesse a sorte de esbarrar, digamos, com Stanley Fisher (o homem do FMI), quando este passou pelo Brasil… Imaginemos a seguinte situação: Fisher vai à Bahia, visitar o Memorial Luís Eduardo Magalhães. Mas engana-se de rota, e vai parar em Vitória da Conquista, no inacabado Memorial Glauber Rocha, uma pirâmide esquisita, invadida pelo mato e entregue aos urubus, segundo as palavras de dona Lúcia Rocha, mãe de nosso cineasta maior. Lá encontraria o Josué, ficando responsável por financiar sua educação. Com um final assim, Central do Brasil teria mais chances de ganhar o Oscar. Porém, se esse epílogo fosse possível, viveríamos num mundo onde o Oscar – com sua mitificação do “melhor”, do vencedor – não exerceria nenhum fascínio. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Central do Brasil (Brasil, de Walter Salles)
Boogie nights (EUA, de Paul Thomas Anderson)
Melhor é impossível (EUA, de James L. Brooks)
Titanic (EUA, de James Cameron)
Carne trêmula (Espanha, de Pedro Almodóvar)

DIRETORES

Walter Salles (Central do Brasil)
Steven Spielberg (O resgate do soldado Ryan)
Quentin Tarantino (Jackie Brown)

ATORES

Jack Nicholson (Melhor é impossível)
Al Pacino (O advogado do Diabo)
Paulo José (Policarpo Quaresma)

ATRIZES

Fernanda Montenegro (Central do Brasil)
Helen Hunt (Melhor é impossível)
Pam Grier (Jackie Brown)

PIORES FILMES

Godzilla (EUA, de Roland Emmerich)
O mundo das Spice Girls (Inglaterra, de Bob Spiers)
Mortal Kombat – a aniquilação (EUA, de John R. Leonetti)

FILMES EXIBIDOS

Bocage, o triunfo do amor (Brasil/Por, de Djalma Limongi Batista)
Boogie nights (EUA, de Paul Thomas Anderson)
Carne trêmula (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Central do Brasil (Brasil, de Walter Salles)
A enguia (Japão, de Shohei Imamura)
Gattaca (EUA, de Andrew Niccol)
Irresistível paixão (EUA, de Steven Soderbergh)
Jackie Brown (EUA, de Quentin Tarantino)
Loucos de amor (EUA, de Nick Cassavetes)
Melhor é impossível (EUA, de James L. Brooks)
Para sempre Mozart (França/Suí, de Jean-Luc Godard)
Por uma noite apenas (EUA, de Mike Figgis)
Por uma vida menos ordinária (EUA/Ing, de Danny Boyle)
O rio (Taiwan, de Tsai Ming-Liang)
O show de Truman (EUA, de Peter Weir)
Titanic (EUA, de James Cameron)
Tropas estelares (EUA, de Paul Verhoeven)
Tudo é Brasil (Brasil, de Rogério Sganzerla)
Vermelho sangue (México/Fra/Esp, de Arturo Ripstein)

Público total – 3810 espectadores
Filme mais visto – Central do Brasil (872 espectadores)

RETROSPECTIVA 1999
10 de março a 2 de abril de 2000

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Cena 1 – Espectadores enfurecidos, uma verdadeira multidão descontrolada, partem pra cima dos programadores do Cine Arte UFF que, acuados num canto, não têm como escapar.

– Como Tudo sobre minha mãe não está na retrospectiva? – bradou um grupo de jovens senhoras.

– O filme foi eleito por nós como o melhor do ano! Almodóvar o melhor diretor!!

– E as atrizes? Dobradinha em primeiro e segundo lugar… – falou uma adolescente entre lágrimas.

O desapontamento estava estampado na cara de todos. Ficou difícil falar no meio da confusão e explicar que a culpa não era dos programadores, que a enxurrada de prêmios mundo afora e a provável vitória no Oscar fizeram a distribuidora cancelar as exibições agendadas e montar uma campanha de relançamento.

– E Matrix, e Tango? – gritou um…

– E A vida é bela? – esbravejou outro…

– E Leila? – perguntou um lá atrás, mais sintonizado com o Cine Arte UFF…

Cena 2 – Já mais calmos, depois de uma acirrada discussão sobre se linchavam ou não os programadores e com a vitória da ala menos radical, todos se acomodaram e tentaram iniciar um diálogo. Queriam fazer sugestões sobre a pesquisa, saber dos critérios para a programação da retrospectiva e, de quebra, perguntar sobre os badalados filmes lançados no exterior e que não chegaram aqui.

– Os filmes lançados em dezembro têm menos tempo para serem votados… isso não é justo…

– Com certeza… e dificilmente têm cópias disponíveis para o período da retrospectiva, pois geralmente ainda estão em cartaz.
– Para efeito de votação e inclusão na retrospectiva, por que os filmes lançados em dezembro não são incluídos na lista dos exibidos no ano seguinte?

– Vai ser providenciado já para a próxima pesquisa!

– Por que nem todos os filmes mais votados pelo público estão na retrospectiva e outros, que nem aparecem na lista, foram incluídos?
– Alguns excelentes filmes não foram muito vistos e por isso receberam menos votos. Merecem uma nova chance, e a retrospectiva é uma ótima ocasião para exibi-los.

– E os que foram bem votados e não estão na mostra?

– Alguns, como Tudo sobre minha mãe e Leila, não têm cópias disponíveis para a ocasião, já explicamos…

– Mas, e os outros?

– ……………………

– Tem muito filme brasileiro na retrospectiva!!

– Tem não! Tem pouco…

– Salvo algum erro, 1999 teve 209 filmes lançados no estado do Rio de Janeiro, vinte a mais que em 98. Ainda que deste total 135 sejam americanos, o Brasil emplacou 25 lançamentos, num país onde ainda é mais fácil produzir do que distribuir filmes. Sem nenhuma concessão e até mesmo com um certo rigor, seis estão na retrospectiva. Vale lembrar que Nós que aqui estamos… foi o 4º filme mais votado pelo público e que Orfeu entrou nas duas listas – de piores e melhores (assim como A vida é bela…).
– Lembrando a Retrospectiva 98, o texto sobre a mostra começava perguntando por que Kundun, O grande Lebowski e Desconstruindo Harry estavam ausentes. A resposta era simples: não haviam sido lançados. Parece que o questionamento funcionou…

– Seríamos tão poderosos assim? Quem dera…

– Que tal perguntar por Celebrity, de Woody Allen, The Gingerbread man, de Robert Altman, Keep Cool, de Zhang Yimou, eXistenZ, de David Cronenberg, e Rosetta, dos irmão belgas Luc e Jean Pierre Dardenne, Palma de Ouro em Cannes?
– É esperar e torcer… Quem sabe na RETROSPECTIVA 2000 a gente tem a chance de incluir estes filmes e nem precisa reclamar dos que não foram lançados… Sonhar não faz mal a ninguém… (Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Tudo sobre minha mãe (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Desconstruindo Harry (EUA, de Woody Allen)
De olhos bem fechados (EUA, de Stanley Kubrick)
Nós que aqui estamos por vós esperamos (Brasil, de Marcelo Masagão)
Além da linha vermelha (EUA, de Terrence Malick)

DIRETORES

Pedro Almodóvar (Tudo sobre minha mãe)
Woody Allen (Desconstruindo Harry)
Stanley Kubrick (De olhos bem fechados)

ATORES

Woody Alen (Desconstruindo Harry)
Ian McKellen (Deuses e monstros)
Tom Cruise (De olhos bem fechados)

ATRIZES

Cecilia Roth (Tudo sobre minha mãe)
Marisa Paredes (Tudo sobre minha mãe)
Nicole Kidman (De olhos bem fechados)

PIORES FILMES

A noiva de Chuck (EUA, de Ronny Yu)
Zoando na tv (Brasil, de José Alvarenga Jr.)
A bruxa de Blair (EUA, de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez)
Orfeu (Brasil, de Cacá Diegues)

FILMES EXIBIDOS

Além da linha vermelha (EUA, de Terrence Malick)
Cadete Winslow (EUA, de David Mamet)
De olhos bem fechados (EUA, de Stanley Kubrick)
Desconstruindo Harry (EUA, de Woody Allen)
Deuses e monstros (EUA, de Bill Condon)
Dois córregos (Brasil, de Carlos Reichenbach)
Felicidade (EUA, de Todd Solondz)
Felizes juntos (Hong Kong/Arg, de Wong Kar-wai)
Filhos do paraíso (Irã, de Majid Majidi)
A fortuna de Cookie (EUA, de Robert Altman)
O grande Lebowski (EUA, de Joel Coen)
Hanna-bi: fogos de artifício (Japão, de Takeshi Kitano)
Os idiotas (Dinamarca/Sué/Fra/Hol/Itá, de Lars Von Trier)
Kundun (EUA, de Martin Scorsese)
Um lugar chamado Notting Hill (Inglaterra/EUA, de Roger Michell)
Maus hábitos (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Não conte a ninguém (Peru, de Francisco J. Lombardi)
Nós que aqui estamos por vós esperamos (Brasil, de Marcelo Masagão)
O primeiro dia (Brasil, de Daniela Thomas e Walter Salles)
Santo forte (Brasil, de Eduardo Coutinho)
São Jerônimo (Brasil, de Júlio Bressane)
O sexto sentido (EUA, de M. Night Shyamalan)
Shakespeare apaixonado (EUA, de John Maden)
Tempestade de gelo (EUA, de Ang Lee)
Terra de paixões (EUA/Ing, de Stephen Frears)
O viajante (Brasil, de Paulo César Saraceni)
A vida sonhada dos anjos (França, de Erick Zonca)

Público total – 3948 espectadores
Filme mais visto – Nós que aqui estamos… (737 espectadores)

 

2000

  • 2001
  • 2002
  • 2003
  • 2004
  • 2005
  • 2006
  • 2007
  • 2008
  • 2009

RETROSPECTIVA 2000
02 de março a 15 de abril de 2001

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

O público do Arte UFF vota melhor a cada ano que passa. Beleza americana foi eleito o melhor filme de 2000 e Xuxa requebra, o pior. Interessante perceber que os valores de ambos são diametralmente opostos. No filme americano, o protagonista abandona a sociedade publicitária e encontra felicidade no ócio e na maconha, comportamento que muitos críticos apontaram como regressivo a uma fase infanto-juvenil. No universo de Xuxa (o planeta Xuxa), ao contrário, faz-se a corriqueira condenação às drogas e a plenitude é buscada na competição, na realização profissional e no consumo, objetivos supostamente adultos.
E a última safra cinematográfica do século, foi boa? Sim, os filmes orientais andam esplêndidos e o cinema latino-americano está cada vez melhor, mais contundente, inclusive tendo mais o que dizer do que a média do cinema brasileiro. Pena que a maioria dessas obras não foi lançada no Brasil, só passou em festivais.
Isto acontece porque o cinema americano domina aproximadamente 85% do mercado brasileiro. É o que os neoliberais chamam de livre mercado, bastante vantajoso para quem odeia filmes de ritmo lento, preocupações humanistas e elenco desconhecido. Ainda assim, esta retrospectiva 2000, a 19ª realizada pelo Arte UFF, resgata 28 pérolas. Infelizmente perdemos O buraco. O maravilhoso filme do cineasta taiwanês de origem malaia, Tsai Ming-Liang, é, entre todos, o que melhor capta o espírito do nosso tempo. Um filme que pelo título já diz a que veio.
Agora é esperar que as águas de março não atrapalhem em excesso. Os céus andam revoltos nesse verão e os raios têm matado numa proporção acima da média. Que eles poupem os inocentes e os filmes bons. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Beleza americana (EUA, de Sam Mendes)
Buena Vista Social Club (EUA/Ale, de Wim Wenders)
O auto da Compadecida (Brasil, de Guel Arraes)
Eu tu eles (Brasil, de Andrucha Waddington)
O assédio (França/Itá, de Bernardo Bertolucci)

DIRETORES

Bernardo Bertolucci (O assédio)
Woody Allen (Celebridades)
Wim Wenders (Buena Vista Social Club)

ATORES

Matheus Nachtergaele (O auto da Compadecida)
Kevin Spacey (Beleza americana)
Russel Crowe (Gladiador)

ATRIZES

Regina Casé (Eu tu eles)
Julianne Moore (Fim de caso, Magnólia)
Hilary Swank (Meninos não choram)

PIORES FILMES

Xuxa requebra (Brasil, de Tizuka Yamasaki)
Pokemon – o filme (Japão/EUA, de K. Yuyama e M. Haigney)
Pânico 3 (EUA, de Wes Craven)

FILMES EXIBIDOS

Amélia (Brasil, de Ana Carolina)
Anjos caídos (Hong Kong, de Wong Kar-Wai)
O assédio (França/Itá, de Bernardo Bertolucci)
O auto da Compadecida (Brasil, de Guel Arraes)
Beleza americana (EUA, de Sam Mendes)
Buena Vista Social Club (EUA/Ale, de Wim Wenders)
Celebridades (EUA, de Woody Allen)
Cronicamente inviável (Brasil, de Sérgio Bianchi)
Dançando no escuro (Din/Fra/Suí, de Lars Von Trier)
Estorvo (Brasil, de Ruy Guerra)
Eu tu eles (Brasil, de Andrucha Waddington)
Fim de caso (Inglaterra, de Neil Jordan)
Garotos incríveis (EUA/Jap/Ale/Ing, de Curtis Hanson)
Gente da Sicília (Itália/Fra, de D. Huillet e J.M. Straub)
Laços sagrados (Israel/Fra, de Amos Gitai)
A lenda do cavaleiro sem cabeça (EUA, de Tim Burton)
Magnólia (EUA, de Paul Thomas Anderson)
Medo e delírio (EUA, de Terry Gilliam)
Meninos não choram (EUA, de Kimberly Peirce)
O mundo de Andy (EUA, de Milos Forman)
Nenhum a menos (China, de Zhang Yimou)
Ninguém escreve ao coronel (México, de Arturo Ripstein)
Quero ser John Malkovich (EUA, de Spike Jonze)
O talentoso Ripley (EUA, de Anthony Minghella)
Velvet Goldmine (EUA, de Todd Haynes)
Viagens (Polônia/Fra/Isr, de Emmanuel Finkiel)
As virgens suicidas (EUA/Canadá, de Sofia Coppola)
X-men – o filme (EUA, de Bryan Singer)

Público total – 3912 espectadores
Filme mais visto – Buena Vista Social Club (317 espectadores)

 

RETROSPECTIVA 2001
22 de março a 21 de abril de 2002

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em 1983 o Cine Arte UFF realizava sua primeira retrospectiva (antes as mostras eram programadas por distribuidoras, como a Gaumont por exemplo, que restringiam os filmes incluídos). Foram duas semanas – uma com filmes nacionais, outra com obras estrangeiras. Era o início das atividades da então nova equipe de programação, e tudo foi feito meio às pressas. A lista dos nacionais ainda hoje parece correta, mas muitos filmes estrangeiros ficaram de fora. No ano seguinte, já com o auxílio da pesquisa popular, a mostra cresceu e se democratizou. Vinte retrospectivas depois, cá estamos nós com o que de mais importante foi exibido no ano anterior. Como sempre, temos a lamentar a ausência de um filme, e a bola da vez é As coisas simples da vida, que o Arte UFF vem insistentemente tentando programar. A pequena quantidade de cópias e o sucesso do filme no Brasil afora estão sempre adiando a exibição aqui. De qualquer forma são 35 filmes, em parte indicados pela pesquisa junto ao público do cinema, em parte incluídos pelo respaldo da crítica ou pela indiscutível qualidade de algumas obras, a despeito da pouca visibilidade que tiveram na época de seu lançamento.
Quanto à pesquisa, o público do Arte UFF vem mantendo uma certa coerência nas suas escolhas, particularmente na indicação do pior filme. Xuxa é bicampeã, repetindo uma dobradinha que somente Orquídea selvagem 1 e 2 haviam conseguido emplacar. Como no ano passado, nenhum filme obteve vitória em mais de uma categoria. Talvez a grande surpresa tenha sido a escolha de Spielberg como melhor diretor. Já a vitória de Amores brutos, desbancando Bicho de sete cabeças por apenas um voto, parece reflexo do sucesso que o filme obteve não só aqui como no mundo todo. Rodrigo Santoro e Nicole Kidman – ator e atriz favoritos do público – foram duas escolhas tranqüilas.
Há filmes para todos os gostos. De sucessos óbvios como O tigre e o dragão, Billy Elliot e Moulin Rouge a belas obras que passaram quase em branco, como Infiel, A humanidade e Depois da chuva; de filmes questionados como Inteligência artificial e Réquiem para um sonho a grandes polêmicas como O fantasma e Psicopata americano.
É a hora de rever os sucessos, fazer ótimas descobertas ou checar se “aquele” filme é mesmo uma bomba ou uma obra-prima. (Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Amores brutos (México, de Alejandro González Iñarritu)
Bicho de sete cabeças (Brasil, de Laís Bodanzky)
Billy Elliot (Inglaterra/Fra, de Stephen Daldry)
Lavoura arcaica (Brasil, de Luiz Fernando Carvalho)
AI – inteligência artificial (EUA, de Steven Spielberg)

DIRETORES

Steven Spielberg (AI – inteligência artificial)
Luiz Fernando Carvalho (Lavoura arcaica)
Laís Bodanzky (Bicho de sete cabeças)

ATORES

Rodrigo Santoro (Bicho de sete cabeças)
Selton Mello (Lavoura arcaica)
Haley Joel Osment (AI – inteligência artificial)

ATRIZES

Nicole Kidman (Os outros e Moulin Rouge)
Juliette Binoche (Chocolate e Código desconhecido)
Brenda Blethyn (O barato de Grace)

PIORES FILMES

Xuxa popstar (Brasil, de Tizuka Yamasaki)
Bruxa de Blair 2 (EUA, de Joe Berlinger)
AI – inteligência artificial

FILMES EXIBIDOS

A caminho de Kandahar (Irã/Fra, de Mohsen Makhmalbaf)
AI – inteligência artificial (EUA, de Steven Spielberg)
Amnésia (EUA, de Christopher Nolan)
Amor à flor da pele (Hong Kong/Fra, de Wong Kar-Wai)
Amores brutos (México, de Alejandro González Iñarritu)
Antes do anoitecer (EUA, de Julian Schnabel)
Babilônia 2000 (Brasil, de Eduardo Coutinho)
Bicho de sete cabeças (Brasil, de Laís Bodanzky)
Billy Elliot (Inglaterra/Fra, de Stephen Daldry)
O círculo (Irã/Itá, de Jafar Panahi)
Código desconhecido (Fra/Ale/Rom, de Michael Haneke)
Coisas que você pode dizer só de olhar para ela (EUA, de Rodrigo Garcia)
Corpo fechado (EUA, de M. Night Shyamalan)
Depois da chuva (Japão/Fra, de Takashi Koizzumi)
Domésticas (Brasil, de Fernando Meirelles e Nando Olival)
Dr. T e as mulheres (EUA/Ale, de Robert Altman)
E a sua mãe também (México, de Alfonso Cuarón)
A essência da paixão (Ing/Fra/Ale/EUA, de Terence Davies)
O fantasma (Portugal, de João Pedro Rodrigues)
A fuga das galinhas (Inglaterra, de Peter Lord e Nick Park)
A hora do show (EUA, de Spike Lee)
A humanidade (França, de Bruno Dumont)
Infiel (Sué/Itá/Ale, de Liv Ullmann)
Lavoura arcaica (Brasil, de Luiz Fernando Carvalho)
O lixo e a fúria (EUA/Ing, Julien Temple)
Meu melhor inimigo (Ale/Ing/Fin/EUA, de Werner Herzog)
Moulin Rouge (EUA/Austrália, de Baz Luhrmann)
Os outros (Espanha/Fra, de Alejandro Amenábar)
Psicopata americano (EUA/Can, de Mary Harron)
Réquiem para um sonho (EUA, de Darren Aronofsky)
Shrek (EUA, de A. Adamson e V. Jenson)
O sonho de Rose (Brasil, de Tetê Moraes)
Tabu (Japão/Fra/Ing, de Nagisa Oshima)
O tigre e o dragão (Taiwan/China/Hong Kong, de Ang Lee)
Topsy Turvy (Inglaterra, de Mike Leigh)

Público total – 5604 espectadores
Filme mais visto – Moulin Rouge (675 espectadores)

RETROSPECTIVA 2002
7 de março a 9 de abril de 2003

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Nada a declarar. A maioria dos filmes lançados em 2002 teve essa característica: nada para dizer. (Assim como em 2001, 2000, 1999…) E o que se escreveu sobre essas nulidades muito longe está de justificar o morticínio vegetal. Em especial, as toneladas de papel gastas para promover os blockbusters americanos, tipo Homem-Aranha e Minority report. Mesmo os debates supostamente sérios – como o que se arrastou pela imprensa envolvendo Cidade de Deus – não suscitaram idéias reveladoras.
É óbvio que a falta de assunto não atinge somente o cinema. Ela está em toda parte, na política, na arte, no convívio social. É uma coisa realmente exasperante. Na indústria do entretenimento então nem se fala. Esses conglomerados poderosíssimos são muito ciosos para podar qualquer coisa que faça sentido, ainda mais se faz pleno sentido.
Volta e meia, esse poder devastador falha na fase de produção das obras, e belas coisas surgem. Porém, quando chega o momento da distribuição do produto cultural, essa indústria é infalível em exibir o já visto, em tocar o já ouvido, em pautar o que é repetição e esterilidade.
Não há nenhuma novidade em falar essas coisas, em denunciar – que engraçada esta palavra – em denunciar o oportunismo de quem molda o gosto do público. Mas as novidades estão até temerosas de aparecer. De qualquer modo, as pessoas sabem que são manipuladas ou, ao menos, se são humanas devem desconfiar. A não ser que o homem ou a mulher não estejam lá (culpa dos alienígenas?). A verdade é que a falta de assunto é do conhecimento geral e até causa dor. Mas falar isto já é piorar muito as coisas. Paremos por aqui.
Não, não tenho vontade de parar. Você tem? O que você pensa quando na campanha de lançamento da nova novela das 8 – Mulheres apaixonadas – uma vinheta anuncia “toda mulher merece um grande amor”? Você tem vontade de rir ou acha uma boa idéia indicar às mulheres o filme A professora de piano? Ou ainda, o que lhe vem à mente quando o personagem playboy diz “que vai casar, mas não vai morrer para a vida”? Pensa que ele poderia tirar algum proveito de Plata quemada, Paraíso ou A agenda? Manoel Carlos poderia ir mais além, se não fosse a prisão do sucesso garantido e da fortuna que ele gera.
As mensagens veiculadas pelos produtos da mídia audiovisual são tão insistentemente as mesmas que provocaram danos nos receptores, como se cada pessoa fosse um disco de vinil com um arranhão tão profundo que impede a agulha de tocar a próxima faixa.
A seleção de filmes da Retrospectiva 2002 é a próxima faixa. São 37 filmes a escapar, em sua maioria, da nulidade dramatúrgica dominante. Agora falta o impulso para sintonizar nesta faixa, e isto só depende de você.(Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Cidade de Deus (Brasil, de Fernando Meirelles)
Abril despedaçado (Brasil/Fra/Suí, de Walter Salles)
Janela da alma (Brasil, de João Jardim e Walter Carvalho)
Cidade dos sonhos (EUA/França, de David Lynch)
O invasor (Brasil, de Beto Brant)

DIRETORES

Fernando Meirelles (Cidade de Deus)
David Lynch (Cidade dos sonhos e História real)
Walter Salles (Abril despedaçado)

ATORES

Rodrigo Santoro (Abril despedaçado)
Matheus Nachtergaele (Cidade de Deus)
Leandro Firmino da Hora (Cidade de Deus)

ATRIZES

Isabelle Huppert (A pianista e 8 mulheres)
Catherine Deneuve (8 mulheres e Vou para casa)
Audrey Tauton (O fabuloso destino de Amèlie Poulain)

PIORES FILMES

American pie 2 (EUA, de James B. Rogers)
Avassaladoras (Brasil, de Mara Mourão)
XXX – triplo X (EUA, de Rob Cohen)

FILMES EXIBIDOS

8 mulheres (França, de François Ozon)
Abril despedaçado (Brasil/Fra/Suí, de Walter Salles)
A agenda (França, de Laurent Cantet)
Assassinato em Gosford Park (EUA, de Robert Altman)
Um casamento à indiana (Ìndia/EUA/Fra/Itá, de Mira Nair)
Chunhyang – amor proibido (Coréia do Sul, de Im Kwon-Taek)
Cidade de Deus (Brasil, de Fernando Meirelles)
Cidade dos sonhos (EUA/França, de David Lynch)
A cor do paraíso (Irã, de Majid Majidi)
Domingo sangrento (Inglaterra/Irl, de Paul Greengrass)
Edifício Master (Brasil, de Eduardo Coutinho)
Entre quatro paredes (EUA, de Todd Field)
Os excêntricos Tenenbaums (EUA, de Wes Anderson)
Fale com ela (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Faz de conta que não estou aqui (França, de Olivier Jahan)
O filho adotivo (Quirguistão/Fra, de Aktan Abdykalykov)
Gotas d’água em pedras escaldantes (França, de François Ozon)
Um grande garoto (Inglaterra/EUA/Fra, de Chris e Paul Weitz)
História real (EUA/Fra/Ing, de David Lynch)
Histórias proibidas (EUA, de Todd Solondz)
O homem que não estava lá (EUA, de Joel Cohen)
O invasor (Brasil, de Beto Brant)
Janela da alma (Brasil, de João Jardim e Walter Carvalho)
Madame Satã (Brasil, de Karim Aïnouz)
Nem gravata, nem honra (Brasil, de Marcelo Masagão)
Onde a terra acaba (Brasil, de Sérgio Machado)
Ônibus 174 (Brasil, de José Padilha)
Paraíso (EUA/Alemanha, de Tom Tykwer)
Pi (EUA, de Darren Aronofsky)
A pianista (Áustria/França, de Michael Haneke)
Plata quemada (Argentina, de Marcelo Piñeyro)
O príncipe (Brasil, de Ugo Giorgetti)
Promessas de um novo mundo (EUA, de B.Z.Goldberg, J.Shapiro e C.Bolado)
O quarto do filho (Itália/França, de Nanni Moretti)
Rocha que voa (Brasil, de Erik Rocha)
O voto é secreto (Irã/Can/Suí/Itá, de Babak Payami)
Waking life (EUA, de Richard Linklater)

Público total – 5833 espectadores
Filme mais visto – Janela da alma (295 espectadores)

RETROSPECTIVA 2003
12 a 25 de março de 2004

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

A Retrospectiva 2003 traz novidades. Não propriamente na mostra – que apenas está menor – mas no catálogo, que vem com inovações, há muito planejadas.
O fato de filmes lançados no final de cada ano não integrarem as retrospectivas por não terem cópia disponível fez com que passássemos a computar o mês de dezembro no ano seguinte. Assim, os filmes tinham chances maiores de serem votados em nossa pesquisa popular e também de integrar a mostra. Mas não apenas este motivo impedia a inclusão de alguns títulos; por diversas razões, obras importantes ficavam de fora das retrospectivas e, conseqüentemente, dos catálogos.
Com a nova mudança, tudo se resolve: mesmo não integrando a mostra, os filmes considerados importantes (pelo nosso público ou pela equipe de programação) passam a fazer parte do catálogo. Com isso, a retrospectiva diminui em tamanho – há algum tempo o público não tem fôlego para longas programações – e o catálogo fica mais consistente, afinal a mostra passa, mas o registro fica.
Essa mudança trouxe algumas peculiaridades para a pesquisa deste ano. Como dezembro de 2003 integrou a votação e dezembro de 2002 fazia parte do antigo processo, Xuxa teve uma dupla oportunidade de ser votada. Não deu outra: seus dois filmes encabeçaram a lista dos piores. Inversamente, por pouco O senhor dos anéis não emplacou As duas torres entre os mais votados, juntando-se a O retorno do rei.
Ainda sobre o resultado da pesquisa, uma vez mais Nicole Kidman foi a favorita, batendo, como no Oscar, a extraordinária Julianne Moore. Adrien Brody, de O pianista, venceu por pouco Lázaro Ramos. Aliás, tanto na lista de atrizes como na de atores os brasileiros, como sempre, fizeram bonito (quatro em cada).
Entre os diretores a presença brasileira foi ainda mais marcante. Como Michael Moore foi uma barbada com jeito de hors concours, o segundo lugar de Jorge Furtado teve sabor de vitória.
A lista dos piores é liderada por quatro filmes brasileiros, reflexo claro não apenas de que continuamos produzindo cinema ruim, mas que uma indústria está começando a se estabelecer no Brasil.
Quantidade traz qualidade, variedade e um público muito maior; mas também aumenta o número de obras descartáveis (é só dar uma olhada em quantas bombas americanas são lançadas todo ano por aqui). Para compensar, entre os dez mais importantes filmes apontados pelo público, quatro são brasileiros. Como fato inédito, um documentário – Tiros em Columbine – venceu, inclusive de forma tranqüila.
Deixando a pesquisa e falando dos lançamentos do ano de 2003, aproximadamente 57% dos filmes foram produzidos pelos americanos; cerca de 14% foram de filmes brasileiros. Levando-se em conta as bilheterias, proporcionalmente demos um banho: 22% dos ingressos foram para o nosso cinema. É óbvio que a maior parte se concentrou em poucos títulos (por sinal alguns bem ruins), mas é um resultado gratificante.
Claro que tudo isso é ótimo, mas não pode ser considerado um consolo para tanto lixo que chega aqui, não deixando espaço para filmes cultuados que, na melhor das hipóteses, passam rapidamente nos festivais do Rio e São Paulo e demoooooram a ser lançados, quando são. Será que veremos os italianos A melhor juventude e Hotel Cormorano? E o premiado In this world? Quando serão lançados Pai e filho, de Sokurov, e Adeus, Dragão Inn, de Tsai Ming-Liang? E oMercosul, quando de fato vai funcionar e poderemos ver mais do ótimo cinema argentino? E do cinema francês, razoavelmente freqüente nas nossas telas, veremos Son frère, de Patrice Chéreau?
Para não ocupar todo o catálogo com uma interminável lista de ausências, vamos ficando por aqui. Afinal, há muita coisa boa para ser descoberta ou revista na Retrospectiva 2003, incluindo muitos inéditos em Niterói.

(Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Tiros em Columbine (EUA, de Michel Moore)
As invasões bárbaras (Canadá, de Denys Arcand)
As horas (EUA, de Stephen Daldry)
O homem que copiava (Brasil, de Jorge Furtado)
O pianista (Inglaterra, de Roman Polanski)

DIRETORES

Michael Moore (Tiros em Columbine)
Jorge Furtado (O homem que copiava e Houve uma vez dois verões)
Roman Polanski (O pianista)

ATORES

Adrien Brody (O pianista)
Lázaro Ramos (O homem que copiava)
Matheus Nachtergaele (Amarelo manga)

ATRIZES

Nicole Kidman (As horas e A isca perfeita)
Julianne Moore (Longe do Paraíso)
Meryl Streep (As horas e Adaptação)

PIORES FILMES

Xuxa e os duendes 2 (Brasil, de Paulo Sérgio Almeida)
Xuxa em Abracadabra (Brasil, de Moacyr Góes)
Acquaria (Brasil, de Flávia Moraes)
Maria – mãe do filho de Deus (Brasil, de Moacyr Góes)
As panteras detonando (EUA, de McG)

Filmes incluídos no catálogo

Adaptação (EUA, de Spike Jonze)
Adeus, Lenin! (Alemanha, de Wolfgang Becker)
Albergue espanhol (França/Esp, de Cédric Klapisch)
Amarelo manga (Brasil, de Cláudio Assis)
Bicicletas de Pequim (China/Taiwan, de Wang Xiaoshuai)
Carandiru (Brasil/Arg, de Hector Babenco)
Desmundo (Brasil, de Alain Fresnot)
O dia do perdão – Kippur (Israel/França, de Amos Gïtai)
Durval Discos (Brasil, de Anna Muylaert)
Embriagado de amor (EUA, de Paul Thomas Anderson)
Eu fui a secretária de Hitler (Áustria, de O.Schmiderer e A.Heller)
Extermínio (Inglaterra, de Danny Boyle)
O filho (Bélgica/Fra, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne)
O homem que copiava (Brasil, de Jorge Furtado)
O homem sem passado (Finlândia/Ale/Fra, de Aki Kaurismäki)
As horas (EUA, de Stephen Daldry)
Houve uma vez dois verões (Brasil, de Jorge Furtado)
A inglesa e o duque (França, de Eric Rohmer)
As invasões bárbaras (Canadá, de Denys Arcand)
Irreversível (França, de Gaspar Noé)
Kedma (Israel/Itá/Fra, de Amos Gïtai)
Lisbela e o prisioneiro (Brasil, de Guel Arraes)
Longe do Paraíso (EUA/Fra, de Todd Haynes)
Moloch (Rússia, de Aleksandr Sokurov)
O pianista (Inglaterra, de Roman Polanski)
Prenda-me se for capaz (EUA, de Steven Spielberg)
Procurando Nemo (EUA, de A.Stanton e L.Unkrich)
Samsara (Índia, de Pan Nalin)
O senhor dos anéis – O retorno do rei (Nova Zelândia/EUA, de Peter Jackson)
Sobre meninos e lobos (EUA, de Clint Eastwood)
Spider – desafie sua mente (Canadá, de David Cronenberg)
Tiros em Columbine (EUA, de Michel Moore)
A viagem de Chihiro (Japão, de Hayao Miyazaki)

Público total – 3343 espectadores
Filme mais visto – Albergue espanhol (499 espectadores)

RETROSPECTIVA 2004
5 a 24 de março de 2005

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Em 1983, quando fizemos nossa primeira retrospectiva, o sucesso foi imenso. Uma segunda chance para os grandes filmes do ano anterior era uma oportunidade rara. Para chegar à tv, só depois de cinco anos, quando o certificado de distribuição para cinema expirava (e nem todos os filmes iam parar na telinha). Era comum, na época, o relançamento nos cinemas das produções Disney e de grandes clássicos como Ben Hur, E o vento levou e A noviça rebelde. Com o surgimento das videolocadoras, a coisa começou a mudar. No início, um filme era lançado em vídeo uns três anos depois de exibido nos cinemas, e a retrospectiva anual ainda era uma ótima ocasião para ver ou rever grandes obras. Depois, esse tempo foi encurtando e agora é raro que um filme de alguma repercussão não chegue às locadoras em poucos meses. O pior é que as cópias para cinema vêm sendo rapidamente destruídas e, em breve, talvez nem seja possível exibi-las em alguma mostra no ano seguinte ao lançamento…
O público da retrospectiva vem caindo ano a ano. É claro que ainda há aquele cinéfilo que não troca de jeito nenhum a telona pela telinha; é claro que alguns bons filmes não chegam aos cinemas de Niterói, e a retrospectiva seria um bom momento para trazê-los; e é claro que os grandes sucessos do ano continuam atraindo muita gente. Mas nada disso tem sido suficiente para fazer da retrospectiva um grande programa, como nos bons tempos…
Teimosos que somos, cá estamos nós de novo, tentando imaginar se "aquele" filme deve entrar ou não na programação, ou se "aquele outro", maravilhoso, que passou em branco quando lançado, vai finalmente encontrar o seu público. A idéia de reduzir a mostra de filmes e transformar o catálogo numa referência do que repercutiu no ano anterior, independentemente de serem ou não exibidos na retrospectiva, foi mantida. Os dez mais votados pelo público obrigatoriamente são incluídos no catálogo, mas há muita coisa boa que não está entre os favoritos – porque não foi vista, não foi lançada em Niterói, não agradou muito… – e que acaba entrando também. E vale lembrar que mesmo os programadores do Arte UFF não conseguem ver tudo! Logo, não será estranho se algum grande filme tiver ficado de fora…

Há sempre espaço para as polêmicas: como não incluir no catálogo A paixão de Cristo – o filme-tortura – ou Olga – o filme-minissérie? E há, como sempre, lugar para os favoritos da equipe de programação. Infelizmente não há espaço para todos os filmes que um bom cinéfilo gostaria de incluir neste registro (mais páginas = $$$), mas o catálogo da retrospectiva é sempre uma referência, e pode valer até na locadora ou na frente da tv.

Falando do que mais interessa – os filmes -, 2004 foi um ano estranho. Com o passar dos meses foi deixando aquela sensação de uma temporada fraca, com alguns grandes filmes lançados no início e um monte de porcaria depois (no total foram quase 270, um recorde!). Mas olhando melhor, foi um ano de muitos bons filmes que, mesmo não sendo extraordinários, marcaram de alguma forma. E se Hollywood vem deixando clara a sua decadência, as produções independentes americanas, os cinemas europeu e asiático e até a vizinha Argentina vêm ganhando mais espaço. O cinema brasileiro perdeu público em relação a 2003, mesmo tendo lançado mais de quarenta filmes, e o documentário predominou em termos de qualidade.

Para o Cine Arte UFF, o grande destaque do ano foi a participação do público na pesquisa popular. Seja pela vontade de ganhar uma das dez permanentes sorteadas entre os participantes (que aumentamos para vinte, reconhecendo o "esforço" de todos), seja pelo sempre bem-vindo espírito democrático, nunca a votação foi tão expressiva. Se a disputa pelo topo da lista dos filmes mais importantes e dos diretores foi movimentada, o mesmo não ocorreu na escolha da atriz, do ator e do pior filme. Mesmo não sendo uma unanimidade, Gael Garcia Bernal ganhou com mais que o dobro dos votos de Daniel de Oliveira, o segundo na preferência do público; Nicole Kidman venceu pela segunda vez, batendo todos os recordes de votação; e Anaconda não deu chance a Olga, Xuxa ou a Mel Gibson e sua Paixão de Cristo, sendo aclamado como o pior de 2004.

Para finalizar, só nos resta desejar uma ótima Retrospectiva para todos, e que em 2005 o cinema continue a emocionar, divertir e fazer pensar!

(Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Dogville (Dinamarca, de Lars Von Trier)
Diários de motocicleta (Argentina/Bra/Chi/Per/Ing, de Walter Salles)
Fahrenheit 11 de setembro (EUA, de Michael Moore)
Brilho eterno de uma mente sem lembranças (EUA, de Michel Gondry)
Kill Bill – Volume 1 (EUA, de Quentin Tarantino)

DIRETORES

Lars Von Trier (Dogville)
Michael Moore (Fahrenheit 11 de setembro)
Walter Salles (Diários de motocicleta)

ATORES

Gael Garcia Bernal (Diários de motocicleta, Má educação, Jogo de sedução, Sem notícias de Deus)
Daniel de Oliveira (Cazuza)
Sean Penn (21 gramas)

ATRIZES

Nicole Kidman (Dogville, Revelações, Mulheres perfeitas)
Uma Thurman (Kill Bill 1 e 2)
Camila Morgado (Olga)

PIORES FILMES

Anaconda 2 (EUA, de Dwight H. Little)
Olga (Brasil, de Jayme Monjardim)
Xuxa e o tesouro da cidade perdida (Brasil, de Moacyr Góes)

Filmes incluídos no catálogo

21 gramas (EUA, de Alejandro González-Iñarritu)
Antes do pôr-do-sol (EUA, de Richard Linklater)
As bicicletas de Belleville (França, de Sylvain Chomet)
Brilho eterno de uma mente sem lembranças (EUA, de Michel Gondry)
Contra todos (Brasil, de Roberto Moreira)
Diários de motocicleta (Argentina/Bra/Chi/Per/Ing, de Walter Salles)
Dogville (Dinamarca, de Lars Von Trier)
Entreatos (Brasil, de João Moreira Salles)
Edukators (Alemanha, de Hans Weiggartner)
Elefante (EUA, de Gus Van Sant)
Eu não tenho medo (Itália, de Gabriele Salvatore)
Fahrenheit 11 de setembro (EUA, de Michael Moore)
Fala tu (Brasil, de Guilherme Coelho)
Filme de amor (Brasil, de Julio Bressane)
Justiça (Brasil/Holanda, de Maria Augusta Ramos)
Ken Park (EUA, de Larry Clark e Ed Lachman)
Kill Bill – Volumes 1 e 2 (EUA, de Quentin Tarantino)
Má educação (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Monster – desejo assassino (EUA, de Patty Jenkins)
Na captura dos Friedmans (EUA, de Andrew Jarecki)
Olga (Brasil, de Jayme Monjardim)
Osama (Afeganistão, de Siddiq Barmak)
A paixão de Cristo (EUA/Itália, de Mel Gibson)
O pântano (Argentina, de Lucrécia Martel)
Para sempre na minha vida (Itália, de Gabriele Muccino)
Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (EUA, de Tim Burton)
Peões (Brasil, de Eduardo Coutinho)
Peter Pan (EUA, de P. J. Hogan)
Raízes do Brasil (Brasil, de Nelson Pereira dos Santos)
O retorno (Rússia, de Andrei Zvyagintsev)
Shrek 2 (EUA, de Andrew Adamson)
Os sonhadores (Itália, de Bernardo Bertolucci)
Swimming pool – à beira da piscina (França, de François Ozon)
Terra de sonhos (Irlanda, de Jim Sheridan)
A vila (EUA, de M. Night Shyamalan)
Zatoichi (Japão, de Takeshi Kitano)

Público total – 4912 espectadores
Filme mais visto – Diários de motocicleta (679 espectadores)

RETROSPECTIVA 2005
10 de março a 03 de abril de 2006

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

No Brasil, janeiro e fevereiro não são levados a sério. O ano só começa para valer depois do carnaval. É, portanto, neste período um tanto fora do tempo que a Retrospectiva se configura: o público faz suas escolhas e nós, os programadores, avaliamos o ano que passou.
2005 traz boas notícias sobre o desempenho das bilheterias. A arrecadação caiu em diversos países: 20% na Alemanha, 15% na Argentina, cerca de 10% na França, Espanha e Itália. Até nos EUA, epicentro da indústria do entretenimento, a arrecadação caiu 5,3% e o número de ingressos vendidos despencou 7,3%, resultando no terceiro ano consecutivo de declínio. Para explicar o fenômeno, especialistas têm recorrido a três hipóteses: uns culpam o aquecimento do mercado de DVDs e videogames, outros consideram que os ingressos estão caros demais, e um terceiro grupo acha simplesmente que os filmes estão chatos.
A verdade provavelmente envolve os três fatores, mas simpatizo em especial com a última hipótese: os filmes estão chatos, chatíssimos. Mas é preciso esclarecer que quando “especialistas” falam em cinema, eles estão falando do cinema americano, e em particular dos blockbusters, os filmes programados para arrasar no mundo inteiro (ou arrasar o mundo inteiro…).
O filósofo Guy Debord escreveu em A sociedade do espetáculo: “Cada mercadoria específica luta por si mesma, não pode reconhecer as outras, pretende impor-se em toda parte como se fosse a única”. E disse mais (muito mais): “A alienação do espectador em favor do objeto contemplado se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. (…) É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar algum, pois o espetáculo está em toda parte”.
A “necessidade” de se assistir à Guerra dos mundos de Spielberg com o astro Tom Cruise (ainda mais num momento de “choque de civilizações”) é semelhante à “necessidade” de se assistir à queima dos fogos de artifício no Réveillon. Nos dois casos, a volta para casa se revela desalentadora na expressão fatigada dos rostos. Desenraizamento sem alternativas compensadoras traz perda de vitalidade.
Por tudo isso considero um fato positivo a queda de rendimento das bilheterias. Talvez o espectador de Guerra dos mundos já não se identifique plenamente com a família do protagonista, salva incólume do ataque alienígena, enquanto milhões são desintegrados. Quem sabe esse espectador já não suspeita que está mais próximo de quem não tem assim tanta sorte?
O sucesso de Vinícius (o filme-catarse do ano) e os aplausos calorosos para Hotel Ruanda na sessão de segunda no Arte UFF são sinais de que uma parcela considerável do público quer outra coisa. Sempre se pode argumentar que o público do Cine Arte UFF é seleto, mas a verdade é que esse público vem aumentando bastante nos últimos anos. Uma tremenda diferença em relação à freqüência rarefeita na década de 90, no apogeu da ideologia neoliberal, época do governo FHC (e os critérios de programação eram os mesmos de hoje).
Critérios esses que são diferentes dos utilizados pelos grandes grupos exibidores. Por exemplo, o presidente de um desses grupos afirmou ser desnecessária a cota de tela para filmes brasileiros porque “os exibidores têm natural interesse em programar filmes que o público quer ver”. Outro executivo da área concordou: “Cada produto tem que se defender por si mesmo”. Neste contexto, Manoel Rangel, diretor da Ancine, lembra que “se por um lado você tem um conjunto de filmes brasileiros previstos para entrar no mercado em 2006, por outro, há também um conjunto de blockbusters de Hollywood, e, no embate, o filme brasileiro terá dificuldade, se não se assegurar espaço a ele no processo de ocupação das salas”.
Observando a lista de lançamentos de 2005, é claríssimo o modo como esse processo ocorre. Dos 259 filmes lançados no Rio de Janeiro ano passado, 127 – cerca de 50% – eram americanos. O cinema nacional somou 42 lançamentos – um terço das estréias americanas. Deveríamos comemorar? A questão é que, tal como no Brasil, o resto do mundo se enfronha no dilema de viabilizar a produção local e resistir à hegemonia cultural americana. Enquanto isso, nós e o mundo (com raras exceções: Irã, China) só assistimos aos filmes americanos e, onde leis de proteção atuam, à produção nacional. Assim, ficamos sem conhecer aquele filmaço mexicano (Batalla en el cielo), aquela obra-prima da Tailândia (Mal dos trópicos), o melhor do cinema argentino, o que o Oriente tem a nos dizer.
Voltemos à lista de lançamentos para efeito de comparação. Comparem com o número 127 a quantidade de lançamentos de outros países. Os franceses até que defenderam bem seus produtos (19 lançamentos), vindo em terceiro lugar. Depois, vêm Inglaterra (11 filmes), Espanha e Argentina (7 cada), Alemanha e Canadá (5), Itália e Japão (4), China e Dinamarca (3), Portugal, Coréia do Sul e México (2). Nenhum da África inteira, nenhum da Índia, um do Irã, um de Israel, um da Rússia, um da Suécia, e mais umas poucas contribuições solitárias.
Também um importante elemento na análise da economia do cinema é o fator co-produção. Países europeus têm investido em cinematografias estrangeiras, especialmente as mais desfavorecidas. Na lista de lançamentos de 2005, a Alemanha aparece como co-produtora em 16 títulos, enquanto apenas cinco filmes alemães foram lançados aqui. Outros que se destacaram como co-produtores foram a Inglaterra (16 títulos), a França (14) e a Espanha (10). Os Estados Unidos, que contabilizaram 127 lançamentos, aparecem como co-produtores em escassos 11 filmes, com o agravante de que algumas das obras americanas de maior risco tiveram que buscar parcerias na Europa e no Japão.
Se o filme americano nos cinemas “se defende por si mesmo”, sua presença na tv aberta é ainda mais agressiva. Vale lembrar que os multiplex localizados nas periferias repetem o padrão imbecilizante da tv aberta, programando basicamente blockbusters e o pior da produção brasileira. Já a tv por assinatura está mais próxima do “bom gosto” da Zona Sul. Na verdade, os poucos filmes europeus e orientais que nos chegam ficam restritos ao circuito alternativo das áreas nobres dos centros urbanos.
Esse espectador privilegiado também pode acessar uma imensidão de informações ou “baixar” filmes na Internet, ou ainda freqüentar festivais, mas nem todo mundo tem vocação para cinéfilo. Às vezes a vocação até existe, o tempo para isso é que não há. Os meios de comunicação deveriam ser capazes, então, de oferecer um mínimo de informação. Se esse “mínimo” jamais existiu na tv aberta, hoje também desapareceu dos suplementos de cultura dos jornais. Tomados por um colunismo irrelevante e um “cronismo” no geral desinteressante, o espaço da cultura cinematográfica minguou.
A própria crítica de cinema é praticamente um serviço de orientação e “proteção” ao consumidor. Uma crítica resignada que não quer transformar coisa alguma no mundo. Nem vale a pena nos estendermos sobre uma coluna publicada num jornal local, aquela de “crítica para quem não gosta dos críticos”. Passemos direto para o jornal carioca de maior penetração na classe média, o único no Rio capaz de afetar a bilheteria de um filme. Os critérios do bonequinho estão longe de apresentar um caráter insondável; neles se pode detectar uma freqüente subordinação àquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu chamou de “mentalidade índice de audiência”, estratégia que visa bajular o gosto do maior número possível de espectadores ou leitores, sempre avaliados como consumidores. Para além desta submissão estética, o bonequinho às vezes se mostra até eticamente desorientado (na melhor das hipóteses). É desejar refletir em demasia um gosto majoritário, talvez já declinante, um bonequinho que se empolga com o matadouro de Sin City e Jogos mortais (?!?!) e assiste da planície, com olhos metidos no chão, às altitudes de um Brokeback Mountain.
Dito isso, é necessário então atravessar o muro da desinformação. Muro levantado com tijolos de burrice, argamassa conformista, e caiado com pinceladas de má-fé. A programação de filmes no Cine Arte UFF se propõe a fazer parte desta tarefa, e a Retrospectiva é um desses momentos onde, esperamos, a fruição dos filmes, sua contemplação, contribua para a vida, não para a alienação.
Uma última observação: nem todos os filmes presentes no catálogo constam da programação. O catálogo – incluindo obrigatoriamente os dez filmes mais votados – é pensado como um pequeno manual de referência do ano que passou. Já a programação, além de incluir alguns favoritos, abriga também filmes inéditos em Niterói e títulos que julgamos merecer uma segunda chance. Pois, ao invés de supor o que o espectador deseja ver, deixamos que o cinema se manifeste em sua multiplicidade de propostas. E sem tutelas, porque queremos acreditar que o público se defende por si mesmo. (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

O jardineiro fiel (Inglaterra/EUA, de Fernando Meirelles)
Closer – perto demais (EUA, de Mike Nichols)
Vinícius (Brasil, de Miguel Faria Jr.)
Menina de ouro (EUA, de Clint Eastwood)
Sin City (EUA, de R. Rodriguez, F. Miller, Q. Tarantino)

DIRETORES

Fernando Meirelles (O jardineiro fiel)
Lars Von Trier (Manderlay)
Clint Eastwood (Menina de ouro)

ATORES

Johnny Depp (Em busca da Terra do Nunca, A fantástica fábrica de chocolate)
Ralph Fiennes (O jardineiro fiel)
Javier Bardem (Mar adentro)

ATRIZES

Natalie Portman (Closer, Hora de voltar, Star wars III)
Hilary Swank (Menina de ouro)
Fernanda Montenegro (Casa de areia)

PIORES FILMES

Eliana em o segredo dos golfinhos (Brasil/México, de Eliana Fonseca)
Xuxinha e Guto contra os monstros do epaço (Brasil, de Moacyr Góes e C. Saremba)
O filho de Chucky (EUA, de Don Mancini)

Filmes incluídos no catálogo

2 filhos de Francisco (Brasil, de Breno Silveira)
9 canções (Inglaterra, de Michael Winterbottom)
Alexandre (EUA/Ing/Ale/Hol, de Oliver Stone)
Bendito fruto (Brasil, de Sérgio Goldenberg)
Bom dia, noite (Itália, de Marco Bellocchio)
Casa de areia (Brasil, de Andrcha Waddintgton)
Cinema, aspirinas e urubus (Brasil, de Marcelo Gomes)
O clã das adagas voadoras (China/Hong Kong, de Zhang Yimou)
Clean (França/Ing, de Olivier Assayas)
Closer – perto demais (EUA, de Mike Nichols)
Contracorrente (EUA, de David Gordon Green)
Em busca da Terra do Nunca (EUA, de Marc Foster)
Exílios (França/Japão, de Tony Gatlif)
Um filme falado (Portugal/Fra/Ita, de Manoel de Oliveira)
O fim e o princípio (Brasil, de Eduardo Coutinho)
Flores partidas (EUA, de Jim Jarmusch)
Herói (China/Hong Kong, de Zhang Yimou)
Heróis imaginários (EUA/Ale/Bel, de Dan Harris)
Hotel Ruanda (Inglaterra/EUA/Itá/Áf. do Sul, de Terry George)
Irmãos (França, de Patrice Chéreau)
O jardineiro fiel (Inglaterra/EUA, de Fernando Meirelles)
Lado selvagem (França, de Sébastien Lifshtiz)
Machuca (Chile/Esp/Ign/Fra, de Andrés Wood)
Manderlay (Din/Hol/Ing/Sue/Fra/Ale, de Lars Von Trier)
Mar adentro (Espanha/Fra/Ita, de Alejandro Amenábar)
Marcas da violência (EUA, de David Cronenberg)
Memória do saqueio (Argentina/Sui/Fra, de Fernando Solanas)
Menina de ouro (EUA, de Clint Eastwood)
Mistérios da carne (EUA/Hol, de Gregg Araki)
Mondovino (França, de Jonathan Nossiter)
Ninguém pode saber (Japão, de Hirokazu Koreeda)
Oldboy (Coréia do Sul, de Chan-wook Park)
Para sempre Lilya (Suécia/Din, de Lukas Moodysson)
Quanto vale ou é por quilo? (Brasil, de Sérgio Bianchi)
A queda (Alemanha/Itália, de Oliver Hirschbiegel)
O segredo de Vera Drake (Inglaterra, de Mike Leigh)
O signo do caos (Brasil, de Rogerio Sganzerla)
Sin City (EUA, de R. Rodriguez, F. Miller, Q. Tarantino)
Vinícius (Brasil/Espanha, de Miguel Faria Jr.)

Público total – 4567 espectadores
Filme mais visto – Manderlay (316 espectadores)

RETROSPECTIVA 2006
06 a 19 de abril de 2007

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Nos últimos tempos, falar do ano que passou tem sido um pouco repetitivo, mas não há outro jeito. O mercado de distribuição e exibição virou uma espécie de muro das lamentações, já que o número de ingressos vendidos continua caindo. Para alguns, a culpa é do dvd, cujo mercado se expande de forma avassaladora (mas não podemos esquecer da internet); para outros, é da qualidade dos filmes. O Cine Arte UFF, alheio a tudo isso, vai muito bem, obrigado. E não é por acaso. Segundo especialistas, só dois tipos de cinema vão se manter no futuro: os voltados para o cinemão, com filmes que precisam da tela grande, e os alternativos, que contam com um público fiel. A despeito da necessidade de melhorias técnicas e estruturais, o foco numa linha de programação alternativa e eclética, com a oferta de três títulos por semana, a eventual exibição de mostras e festivais, a parceria com cineclubes e o preço inigualável mantêm o interesse do público do Arte UFF, que não pára de crescer. Voltando ao mercado, aumentou o número de filmes lançados no estado do Rio de Janeiro (em 2006 foram mais de 300, e vale lembrar que, com freqüência, alguns títulos lançados em São Paulo não chegam aqui), mas cresceu numa proporção maior a quantidade de filmes ruins. Nem vale a pena perder tempo com estatísticas, pois é óbvio que os americanos continuam assolando o mundo com sua produção, mas bons filmes ainda são feitos em diversos países. A questão passa a ser, então, o porquê desses títulos não serem lançados no Brasil. Se por um lado o custo de algumas obras premiadas acaba se tornando alto e as distribuidoras não querem arriscar, por outro vemos filmes absolutamente inexpressivos, descartáveis, sendo jogados no mercado sem nenhum retorno de bilheteria. Por mais que o investimento fosse pequeno, era bastante claro que o retorno seria nenhum. O espectador mais exigente acaba tendo como opção os lançamentos mais interessantes (cerca de 15%) e as mostras e festivais. Deixando de lado os grandes eventos (Festival do Rio e Mostra de São Paulo) e ficando só com o Cine Arte UFF, em 2006 o público pôde ver pelo menos quatro longas franceses que poderiam perfeitamente ser lançados: A esquiva, O quarto dos oficiais e Um homem de verdade, do acervo da Cinemateca do Consulado da França e exibidos na mostra Novo Cinema Francês, e Amor em tempos de guerra, no festival Mix Brasil. Não são filmes para grandes públicos, mas certamente atingiriam aquele espectador que tanto admira o cinema europeu. E o cinema brasileiro? Continua cambaleante em relação à qualidade, ainda que, no todo, vá bem nas bilheterias. O esquema comédia-com-atores-famosos-e-MUITO-anúncio-na-tv tem, em alguns casos, levado multidões ao cinema, mesmo gerando filmes constrangedores. Os inevitáveis Xuxa e Didi também. Mas é lamentável que pouca gente tenha visto os excelentes Eu me lembro e Estamira. Por falar neste último, vale comentar seu sucesso no Arte UFF. Nosso público elegeu o filme como o quarto mais importante de 2006. O ano em que meus pais saíram de férias e O céu de Suely também fizeram bonito na nossa pesquisa anual. Almodóvar continua seu caso de amor com o Arte UFF e, de novo, faturou as categorias de Filme mais importante, Diretor e Atriz. Bobo mesmo foi colocar Xuxa, de novo, no topo dos piores, com uma votação, em sua grande maioria, no estilo "não vi e não gostei". E isso num ano que teve uma aberração como Menina má.com. Mas se um crítico aplaudiu o filme e outros foram bem condescendentes, como cobrar de nosso público sua inclusão entre os piores de 2006? Para finalizar, o de sempre: nossa justificativa para a não inclusão de alguns títulos importantes na Retrospectiva. Como o sistema de som das películas foi reformulado e o equipamento do Cine Arte UFF ainda não foi adaptado, filmes como Os infiltrados e O labirinto do fauno, só para citar alguns, não podem ser exibidos, pelo menos por enquanto. Mas constam deste catálogo, que fica como registro de 2006 e inclui, como nos últimos anos, os dez mais votados pelo nosso público. (Paulo Máttar)

FILMES MAIS IMPORTANTES

Volver (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Pequena Miss Sunshine (EUA, de Jonathan Dayton e Valerie Faris)
O corte (França, de Constantin Costa-Gavras)
Estamira (Brasil, de Marcos Padro)
O ano em que meus pais saíram de férias (Brasil, de Cao Hamburger)
Os infiltrados (EUA, de Martin Scorsese)
O segredo de Brokeback Mountain (EUA, de Ang Lee)

DIRETORES

Pedro Almodovar (Volver)
Martin Scorsese (Os infiltrados)
Woody Allen (Ponto final – Match point)

ATORES

Philip Seymour Hoffman (Capote)
Leonardo di Caprio (Os infiltrados)
Johnny Depp (O libertino/Piratas do Caribe)

ATRIZES

Penelope Cruz (Volver/Bandidas)
Hermila Guedes (O céu de Suely)
Meryl Streep (O diabo veste Prada/A última noite/Terapia do amor)

PIORES FILMES

Xuxa gêmeas (Brasil, de Jorge Fernando)
Didi, caçador de tesouro (Brasil, de Renato Aragão)
O cavaleiro Didi e a princesa Lili (Brasil, de Marcus Figueiredo)

Filmes incluídos no catálogo

2046 – Segredos do amor (China/Hong Kong/Fra/Ale, de Wong Kar Wai)
Amantes constantes (França, de Philippe Garrel)
O ano em que meus pais saíram de férias (Brasil, de Cao Hamburger)
Árido movie (Brasil, de Lírio Ferreira)
Às cinco da tarde (Irã/França, de Samira Makhmalbaf)
Bonecas russas (França/Ing, de Cédric Klapisch)
Bubble – uma nova experiência (EUA, de Steven Soderbergh)
Café da manhã em Plutão (Irlanda/Ing, de Neil Jordan)
Caminho para Guantánamo (Inglaterra, de Michael Winterbottom e Mat Whitecross)
O céu de Suely (Brasil, de Karim Ainouz)
As chaves de casa (Itália/Fra/Ale, de Gianni Amelio)
O corte (França, de Constantin Costa-Gavras)
A dama na água (EUA, de M. Night Shyamalan)
Estamira (Brasil, de Marcos Padro)
Eu me lembro (Brasil, de Edgar Navarro)
Factotum – sem limites (EUA/Noruega, de Bent Hamer)
O homem urso (EUA, de Werner Herzog)
Os infiltrados (EUA, de Martin Scorsese)
O labirinto do fauno (México, de Guillermo del Toro)
Miami Vice (EUA, de Michael Mann)
Moacyr – arte bruta (Brasil, de Walter Carvalho)
Nascidos em bordéis (EUA/Índia, de Zana Briski e Ross Kauffman)
Neste mundo (Inglaterra, de Michael Winterbottom)
O novo mundo (EUA, de Terrence Malick)
Paradise now (Israel/Fra/Ale/Hol, de Hany Abu-Assad)
Pequena Miss Sunshine (EUA, de Jonathan Dayton e Valerie Faris)
Ponto final – Match point (EUA/Ing/Lux, de Woody Allen)
Reis e rainha (França, de Arnaud Desplechin)
O sabor da melancia (Taiwan/França, de Tsai Ming-Liang0
O samurai do entardecer (Japão, de Yoji Yamada)
O segredo de Brokeback Mountain (EUA, de Ang Lee)
Soldado anônimo (EUA, de Sam Mendes)
A última noite (EUA, de Robert Altman)
V de vingança (EUA/Ale, de James McTeigue)
Uma verdade inconveniente (EUA, de Davis Guggenheim)
Volver (Espanha, de Pedro Almodóvar)
Vôo united 93 (Inglaterra/EUA, de Paul Greengrass)
Wood & Stock – sexo, orégano e rock ‘n’ roll (Brasil, de Otto Guerra)

Público total – 2524 espectadores
Filme mais visto – Volver (268 espectadores)

RETROSPECTIVA 2007
04 a 24 de abril de 2008

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

Os aplausos foram protocolares, ralos, sem energia. Seria uma desfeita não aplaudir o filme na presença de membros da equipe que acompanharam a sessão. Tratava-se de Proibido proibir em sua primeira exibição na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Na saída do Cine Bombril, eu ainda não refeito da emoção despertada por uma visão da periferia inédita no cinema brasileiro, ouvi de um espectador: "Cansei de ver tanta favela". O amigo que o acompanhava concordou: "Que filme chato! Já não tava agüentando".

Naquela edição da mostra, em outubro de 2006, a frieza da recepção ao filme, que constatei, foi confirmada quando Proibido proibir não conseguiu nota suficiente do público para ficar entre os 15 finalistas que disputariam o troféu Bandeira Paulista. O descolado O cheiro do ralo, um dos filmes com melhor avaliação dos espectadores, acabou levando o prêmio.

Sempre fui de ficar atento ao que pessoas desconhecidas falam à minha volta. Esta é uma forma de ter acesso ao gosto de pessoas com quem usualmente não mantenho contato. Digamos assim, pessoas com um "senso comum". Outro dia estava embevecido assistindo o nuançado jogo de cena entre Brad Pitt e Casey Affleck no primoroso O assassinato de Jesse James, quando o casal na fila de trás resolveu emitir opiniões. A mulher disse, referindo-se ao "covarde" Bob Ford: "O viadinho está apaixonado por ele. Ele (Jesse James/Brad Pitt). O namorado ou marido completou: "Agora todo filme tem um viado ou uma sapatão". Mais adiante, com a hipótese homossexual se esfarelando, o homem comentou: "Este filme está cabeça demais".

Também é muito bom auferir a temperatura emocional da platéia quando a sala de cinema está cheia o suficiente para captar o fluxo das emoções. Faz parte do ritual de ida ao cinema ficar derrubado na poltrona ao final de Piaf ou Desejo e reparação. Assim como sentir a contrariedade do casal de velhinhos, sentado ao lado, que não consegue rir de nada em Sweeney Todd, ou ainda ouvir a exclamação "Que horror!" ao final de Sangue negro, só para ficar em exemplos recentes.

Para quem trabalha com programação de cinema é importante conferir estes sinais vindos do público, saber o que as pessoas querem ver. Se trabalhamos no mercado, o "respeito" ao público, visto como consumidor, deve ser total. Se trabalhamos numa sala como o Arte UFF, sem compromisso com o lucro, podemos questionar esses gostos dominantes e desrespeitar a lógica do consumo. Enfim, podemos ser didáticos.

No fundo o que se quer dos filmes (ou o que se quer que se queira) é muito simples: existe uma demanda por amor e uma demanda por ação (esta quase sempre associada à violência). Essas duas procuras, num suposto mundo perfeito, deveriam corresponder idealmente à divisão entre os sexos. Uma terceira necessidade forte – a de rir – que deveria abarcar todos os humanos, também foi seqüestrada pela lógica do gênero. Hoje a seção de comédias das locadoras é dividida estritamente entre um humor escatológico, agressivo (tipo Jackass, Borat, American pie) e as famigeradas comédias românticas, domínio, por excelência, dos valores morais da doutrina neoconservadora. Assim, presenciei tal cena: O rapaz da locadora, para ajudar a cliente indecisa, apanha a comédia romântica X e diz com muita naturalidade: "Leva esse, as mulheres estão gostando". A cliente, meio sem graça, apanha o filme, o rapaz se afasta certo de sua indicação, a cliente analisa a capa por pouco tempo e devolve o filme à prateleira.

No caso do Cine Arte UFF, nós "devolvemos à prateleira" a demanda por violência. Quanto ao amor, somos menos radicais: em 2007, exibimos filmes franceses nulos como Paris, te amo e Um lugar na platéia, ou chatíssimos, como Medos privados em lugares públicos. Exibimos também o americano Pecados íntimos, irregular e conservador. Em tempos de salas vazias, estes são filmes que geram um público suficiente para manter o Arte UFF vivo, nos poupando de contribuir para os lucros da indústria de armas, para a perda da sensibilidade em relação à vida. Em suma, nos negamos a fazer parte do mercado da morte.

Refutar a violência, recusar a figura do "cara com uma arma" (a guy and a gun), que marca o grosso da produção americana, exibir os "filmes de amor", e, volta e meia, exibir os "filmes para ninguém", como os excelentes À margem do concreto e As tentações do irmão Sebastião, este é o procedimento usual do Cine Arte UFF.

Para montar o catálogo da Retrospectiva, seguimos a mesma estratégia: mesclamos o gosto do público com nossas preferências, que às vezes coincidem, e outras vezes não, com as escolhas dos espectadores. Os dez filmes mais votados na pesquisa são incluídos obrigatoriamente no catálogo. O restante é preenchido por escolhas da equipe de programação e sugestões de colaboradores. O critério de seleção busca prioritariamente a qualidade. Em alguns casos, incluímos filmes irregulares, desde que a mensagem transmitida seja importante (caso, por exemplo, de Nação fast food). Em outros, destacamos filmes-evento, quando avaliamos que a dimensão negativa do filme o torna impossível de ser ignorado. No ano que passou, o nazista 300 é este filme incontornável.

Dos 37 filmes do catálogo, exibimos 19. Aqui os critérios de escolha foram o ineditismo em Niterói, aqueles filmes favoritos do público e títulos que simplesmente insistimos em exibir. Como sempre, alguns filmes que gostaríamos de programar ficaram de fora. Lady Chatterley (cópia única) e Em busca da vida (2 cópias) não estavam disponíveis para marcação. Império dos sonhos só tem cópia no formato digital, impossibilitando sua exibição no Arte UFF. E as 2 cópias de Bobby foram destruídas para desocupar espaço no armazém da distribuidora, procedimento corriqueiro nos dias de hoje. Em relação a Tropa de elite, não foi possível marcar nenhuma das 283 cópias devido a questões entre a distribuidora e os produtores. A idéia era programá-lo junto com Proibido proibir e Carreiras, os dois filmes funcionando como um contraponto. Outras idéias de programação também não foram possíveis. Assim a mostra foi se fazendo e refazendo, como sempre acontece com qualquer programação.

É sempre importante dizer que algum filme fundamental possa nos ter escapado. Há uma década atrás o número de lançamentos ficava em torno de 220, 230 filmes. Em 2005, foram lançados 259 filmes; em 2006 foram 311; em 2007 houve uma estabilização: foram 312 lançamentos. 2008 aponta para um crescimento ainda maior, com a aflitiva (porém bem-vinda) constatação de que esta parece ser uma safra excelente como há muito não se via.

O aumento do número de lançamentos nos últimos anos deve-se ao crescimento da produção nacional. Em 2007, foram 70 filmes brasileiros lançados no Rio de Janeiro – destes, 28 documentários. E diga-se: foi um conjunto de filmes de grande diversidade e vitalidade. Muitos títulos não incluídos no catálogo possuem qualidades. Vale a pena registrar alguns: Os 12 trabalhos, 500 almas, Batismo de sangue, Cartola – música para os olhos, A casa de Alice, Conceição – autor bom é autor morto, O engenho de Zé Lins, O fim do sem fim, Hércules 56, Maria Bethânia – Pedrinha de Aruanda, Mutum, O passageiro – segredos de adulto, Person, Três irmãos de sangue. Infelizmente, esse painel multifacetado não encontrou seu público. Talvez, porque nenhum desses filmes, com exceção do fenômeno Tropa de elite, tenha apresentado o ponto de vista da polícia. Como o diretor José Padilha disse, e mais de uma vez, o público se mostrou interessado neste ponto de vista.

Se a presença brasileira foi forte nas telas, apesar do desinteresse do público, "ligado" apenas nas aventuras dos bravos rapazes do Bope, 2007 foi um ano pouco generoso para cinematografias estrangeiras (não me refiro à produção americana, que muita gente nem vê como estrangeira). Os filmes latino-americanos continuaram sumidos, os filmes do Oriente escassearam, o cinema iraniano praticamente acabou, sufocado por um regime crescentemente reacionário. Da Europa chegou pouca coisa, a maioria sem relevância: uma ou outra comédia espanhola sem graça, um ou outro filme francês chato.

Por falar em filme chato, não podemos deixar de comentar os vencedores da pesquisa efetuada junto ao público do Cine Arte UFF. O terceiro filme mais votado foi o confuso Babel, que quase roubou o segundo lugar do cool O cheiro do ralo, uma evolução na carreira de Heitor Dhalia (como seu filme anterior é Nina, "evolução" não significa grande coisa). Quanto ao filme preferido do público, Tropa de elite, eu só posso repetir Hugo Chávez e dizer: "O povo não está preparado para o socialismo". (Alexander Vancellote)

FILMES MAIS IMPORTANTES

TROPA DE ELITE (Brasil, de José Padilha)
O CHEIRO DO RALO (Brasil, de Heitor Dhalia)
BABEL (EUA, de Alejandro González Iñárritu)
PIAF – UM HINO AO AMOR (França, de Olivier Dahan)
JOGO DE CENA (Brasil, de Eduardo Coutinho)

DIRETORES

José Padilha (Tropa de elite)
Alejandro Gonzalez Iñarritú (Babel)
Eduardo Coutinho (Jogo de cena)

ATRIZES

Marion Cottillard (Piaf)
Helen Mirren (A rainha)
Cate Blanchett (Babel e Notas sobre um escândalo)

ATORES

Wagner Moura (Tropa de elite, Saneamento básico e Ó pai, ó)
Selton Mello (O cheiro do ralo)
Gael Garcia Bernal (O passado e Babel)

PIORES FILMES

XUXA EM SONHO DE MENINA (Brasil, de Rudi Lagemann)
TURISTAS (EUA, de John Stockwell)
BORAT (EUA, de Larry Charles)

FILMES INCLUÍDOS NO CATÁLOGO

300, EUA, de Zack Snyder
À MARGEM DO CONCRETO, Brasil, de Evaldo Mocarzel
A LESTE DE BUCARESTE, Romênia, de Corneliu Porumboiu
ALPHA DOG, EUA, de Nick Cassavetes
O ASSASSINATO DE JESSE JAMES…, EUA/Canadá, de Andrew Dominik
ATRAVESSANDO A PONTE: O SOM DE ISTAMBUL, Ale/Tur, de Fatih Akin
BABEL, EUA, de Alejandro González Iñárritu
BOBBY, EUA, de Emilio Estevez
BUBBLE, Israel/França, de Eytan Fox
CÃO SEM DONO, Brasil, de Beto Brant e Renato Ciasca
CARREIRAS, Brasil, de Domingos de Oliveira
O CHEIRO DO RALO, Brasil, de Heitor Dhalia
A CULPA É DO FIDEL, França/Itália, de Julie Gavras
EM BUSCA DA VIDA, China/Hong Kong, de Jia Zhang-Ke
ENCONTRO COM MILTON SANTOS…, Brasil, de Silvio Tendler
ESTAMOS BEM MESMO SEM VOCÊ, Itália, de Kim Rossi Stuart
EXUBERANTE DESERTO, Israel/Ale/Fra/Jap, de Dror Shaul
FORA DO JOGO, Irã, de Jafar Panahi
HAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA. EUA, de Adam Shankman
IMPÉRIO DOS SONHOS, EUA/França, de David Lynch
JOGO DE CENA, Brasil, de Eduardo Coutinho
LADY CHATTERLEY, Bélgica/Fra/Ing, de Pascale Ferran
LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS, EUA, de Judd Apatow
MARIA ANTONIETA, EUA, de Sofia Coppola
NAÇÃO FAST FOOD, EUA, de Richard Linklater
NOVO MUNDO, Itália/Ale/Fra, de Emanuele Crialese
O PASSADO, Argentina, de Hector Babenco
PIAF – UM HINO AO AMOR, França/EUA/Rep. Tcheca, de Olivier Dahan
PLANETA TERROR, EUA, de Robert Rodriguez
PRO DIA NASCER FELIZ, Brasil, de João Jardim
PROIBIDO PROIBIR, Brasil/Chile, de Jorge Durán
A RAINHA, Inglaterra/França/Itália, de Stephen Frears
SANEAMENTO BÁSICO, O FILME, Brasil, de Jorge Furtado
Santiago, Brasil, de João Moreira Salles
AS TENTAÇÕES DO IRMÃO SEBASTIÃO, Brasil, de José Araújo
TROPA DE ELITE, Brasil, de José Padilha
A VIDA DOS OUTROS, Alemanha, de Florian Henckel Von Donnersmarck

Público total – 2027 espectadores
Filme mais visto – Piaf (309 espectadores)

RETROSPECTIVA 2008
17 de abril a 08 de maio de 2009

TEXTO PUBLICADO NO PROGRAMA DA MOSTRA

O ano de 2008

Refletir sobre o ano que passou é sempre delicado. Não temos o distanciamento suficiente para uma análise equilibrada, mas insistimos, a cada ano, em um pouco de reflexão sobre o que chegou às telas recentemente.

Passando os olhos na lista com os 303 filmes lançados em 2008, algumas questões se destacam. As adaptações dos quadrinhos continuam com força nas bilheterias, mas a qualidade continua, quase sempre, passando longe.

Duas fases da vida andam chamando a atenção de roteiristas, produtores e diretores. A adolescência marcou presença em Paranoid Park, Juízo, Terra vermelha, Linha de passe, Juno, Reflexos da inocência e XXY. São abordagens muitos diferentes, mas que compõem um expressivo painel desse complexo momento da vida. De outro lado há a velhice: Antes de partir, Ao entardecer, Chega de saudade, A família Savage, Juventude e Longe dela refletem a importância que o envelhecimento da população vem ganhando no primeiro mundo e em alguns países em desenvolvimento. Mais que nunca, o cinema atual se preocupa em esmiuçar os problemas que chegam com a idade. Pena que a quantidade ainda não signifique qualidade.

O recente caso da menina estuprada pelo padastro em Recife e a posição da igreja, nesse caso e no geral, colocam o aborto como tema do momento: 4 meses, 3 semanas e 2 dias, O aborto dos outros e Juno falam do assunto, em contextos e perspectivas muito distantes.

Mesmo depois da virada do milênio e todas as profecias não concretizadas na ocasião, é interessante como o cinema continua apocalíptico. Não importa se são adaptações, refilmagens ou roteiros originais, se falam diretamente sobre a realidade ou se utilizam metáforas: as preocupações com as mudanças climáticas e o futuro da Terra parecem impregnar as telas. Ensaio sobre a cegueira, Wall-E, Eu sou a lenda, Fim dos tempos, O nevoeiro, Cloverfield, todos carregam uma forte inquietação com a inconsequência do ser humano em relação ao planeta. A lamentar que alguns partam de ótimas ideias e cheguem a resultados frustrantes ou desastrosos.

E o cinema brasileiro? Nas bilheterias não foi nada bem. Meu nome não é Johnny foi o mais visto, porém ficou atrás de seis títulos americanos, com 2,1 milhões de espectadores (o que, hoje, é considerado um excelente resultado). O segundo foi Ensaio sobre a cegueira (com quase 900 mil pagantes) que não chegou aos top ten. Dos 71 títulos lançados (muitos “jogados”), 8 são coproduções, sendo que nem todos podemos considerar realmente brasileiros. Cerca de vinte são documentários, mas, ao contrário de outros anos, nenhum se sobressaiu nas bilheterias.

Meia dúzia de produções calcadas em astros da tv tentou seguir os passos de Seu eu fosse você, mas todas naufragaram em roteiros sofríveis e em propostas de entretenimento imbecilizante. Outros tentaram ser mais sérios, mas chegaram a resultados constrangedores. Apenas oito ou dez filmes conseguiram manter a dignidade do nosso cinema.

A pesquisa

É para comemorar: estamos completando 25 anos de pesquisa. Isso mesmo: bodas de prata desse democrático casamento entre o Arte UFF e seu público. Como todo relacionamento, há períodos de grande harmonia e há épocas de discordância. O começo não foi dos melhores, já que a pesquisa apontou o fraco Parahyba mulher macho como o mais importante do ano. Outra escolha também foi, ao nosso ver, bastante equivocada: A história oficial (Retrospectiva 86). E o que dizer de Tropa de elite no ano passado? Mas os acertos foram grandes: que público elegeria Não amarás (91), A fraternidade é vermelha (94), A estrada perdida (97, ainda que empatado com o chatíssimo O paciente inglês) e Dogville (2004)?

O resultado da pesquisa sobre os filmes lançados em 2008 foi coerente com os grandes destaques do ano. Apesar do fracasso e das críticas pesadas em quase todo o mundo, Ensaio sobre a cegueira foi um dos grandes sucessos de 2008 no Brasil e o nosso público se impressionou com a adaptação de Fernando Meirelles para o livro de Saramago. Woody Allen, sempre querido por aqui, foi apontado como o Melhor Diretor. Seu filme Vicky Cristina Barcelona deu a Penélope Cruz o posto de Melhor Atriz (repetindo o feito recente por Volver), numa das votações mais expressivas de todos os tempos. E Heath Ledger, uma das poucas unanimidades do ano, foi escolhido como Melhor Ator, quase empatado com Javier Barden, que marcou especialmente por Onde os fracos não têm vez.

A programação

Em 83 fizemos nossa primeira Retrospectiva. O sucesso foi enorme, com números inimagináveis atualmente: em apenas um dia, A mulher do lado teve 748 espectadores. O filme mais visto em 85 foi O sentido da vida (996 ingressos); em 86, O feitiço de Aquila foi visto por 914 pessoas e, em 87, Tangos – o exílio de Gardel bateu todos os recordes com 1179 pagantes (13.916 foi o público total daquela Retrospectiva). Os filmes levavam cinco anos para serem exibidos na tv e a mostra era uma das poucas oportunidades para ver ou rever os mais importantes títulos do ano.

Mesmo com o advento do vídeo, e depois do dvd, o espaço entre o lançamento nos cinemas e nessas mídias era grande, mantendo a Retrospectiva como evento importantíssimo. Mas a partir de 95, a mostra perdeu força. Se recuperou um pouco em 2001, porém nunca mais foi a mesma. E os últimos dois anos tiveram o pior público de todos os tempos, com um total de 2524 e 2027 espectadores.

Hoje, com a possibilidade de baixar quase tudo da net e com boa parte dos filmes saindo em dvd logo após a passagem pelos cinemas (e a consequente destruição das cópias de muitos títulos), a Retrospectiva vai ganhando contornos de evento anacrônico. Mas, curiosamente, a programação ainda gera expectativa entre cinéfilos.

A solução, nos últimos anos, foi desvincular o catálogo da mostra, cada vez mais restrita pela indisponibilidade de cópias. Atualmente, o catálogo é nossa real Retrospectiva, que inclui os dez filmes preferidos do público e cerca de outros trinta apontados pelos programadores. Resta então programar alguns poucos títulos inéditos, outros tantos que o público ainda pode ter algum interesse em ver, e insistir nos que foram pouco vistos e merecem uma segunda chance.

Se com os longas a coisa anda complicada, temos o Nictheroy Cine Clube e os curtas. Sem tantas restrições, o cineclube apresenta os melhores filmes produzidos em 2008. Foram tantos que a programação foi dividida em duas sessões. A primeira abre a mostra; a segunda acontece em maio.

O futuro do Cinema

Em três décadas, o mercado cinematográfico mudou radicalmente: vídeo, dvd, tv por assinatura, internet e agora o formato de exibição digital. Os quatro primeiros afastaram o público dos cinemas (não só eles, é claro), e o último, a médio prazo, vai diminuir os custos, supostamente permitindo um ingresso mais barato e possibilitando um maior acesso. Os investimentos nas novas tecnologias são altos e é preciso um tempo para o mercado se ajustar. Mas os grandes exibidores vão optar por reduzir o valor do ingresso ou vão acreditar que terão maior lucro reduzindo os custos e mantendo os preços altos?

O fato é que a competição com outras mídias é acirrada. Quem tem banda-larga e home-theater parece preferir o conforto de sua própria casa a experimentar as vantagens e desvantagens de ir ao cinema. Sim, pois se temos o prazer único da experiência coletiva, da tela grande, temos inúmeros problemas que podem vir junto: falta de estacionamento (ou valor abusivo, em se tratando de shoppings), violência, problemas técnicos e estruturais, espectadores mal educados, além do alto valor do famigerado ingresso (e das guloseimas, em alguns cinemas). Programa de família? Nem pensar.

Na década de 70 assisti a Frankenstein de Andy Warhol no antigo Cinema 1 (depois Estação Icaraí e agora fechado). Foi um dos poucos filmes em 3D lançados naquela época. Morcegos voando em nossa direção e vísceras quase ao alcance das mãos causaram impacto. Hoje, o formato parece voltar com força, mas no sentido de ser algo exclusivo, algo que só podemos ter nos cinemas. Esse mercado que busca desesperadamente se manter sempre procura novidades. Em São Paulo foi aberto um cinema voltado para a classe AAA, com poltronas confortabilíssimas, poucos lugares, pipoca com azeite trufado, vinho, e um ingresso caríssimo (R$ 46,00!). E a programação? Não importa. É um lugar para ver e ser visto. Vai durar enquanto for moda.

E o Arte UFF, como fica no meio de tudo isso? É o único cinema da zona sul de Niterói, único fora dos shoppings, único com programação alternativa na cidade e ainda tem ingresso acessível (quem cobra, em dia de promoção, menos que uma passagem de ônibus?). Mas, em 40 anos, se recebeu melhorias pontuais, nunca foi, de fato, reformado. É urgente a adequação às novas tecnologias, já que cresce em progressão geométrica a quantidade de filmes lançados somente em mídia digital.

Apesar de tudo isso, o Arte UFF continua a ter um público fiel. É bem verdade que o perfil mudou: se antes, maciçamente, o cinema era frequentado por espectadores jovens, geralmente universitários, hoje boa parte da plateia é composta por senhoras aposentadas. Mas até quando esse público será fiel?

Provavelmente só sobreviverão os cinemas que investirem em tecnologia e conforto, afinal, nada como ver um bom blockbuster, no meio da galera, com som e imagem perfeitos. Ou nada como assistir aquele belo filme oriental, aquela obra-prima francesa, aquele polêmico documentário, aquele clássico (mesmo com uma cópia arranhada e esmaecida), no conforto que todos merecemos e a preços acessíveis.

A direção do Centro de Artes UFF propôs um amplo projeto de reforma, no qual está seriamente empenhada. Esperamos que ainda este ano as obras comecem e que no catálogo da Retrospectiva 2009 nosso texto comemore o novo Arte UFF. Como independentes nós sempre fomos (e agradecemos a todos os diretores que passaram pelo Centro de Artes pelo respeito ao nosso trabalho), só nos resta bradar: reforma ou morte!

Paulo Mattar

FILMES MAIS IMPORTANTES

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Brasil/Jap/Can, de Fernando Meirelles)
VICKY CRISTINA BARCELONA (EUA/Esp, de Woody Allen)
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (EUA, de Ethan e Joel Coen)
ESTÔMAGO (Brasil, de Marcos Jorge)
BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS (EUA, de Christopher Nolan)

DIRETORES

WOODY ALLEN (Vicky Cristina Barcelona e O sonho de Cassandra)
FERNANDO MEIRELLES (Ensaio sobre a cegueira)
Ethan e Joel Coen (Onde os fracos não têm vez e Queime depois de ler)

ATRIZES

PENÉLOPE CRUZ (Vicky Cristina Barcelona e Fatal)
ELLEN PAGE (Juno e Um crime americano)
CATE BLANCHETT (Não estou lá, Elizabeth: a Era de Ouro e Indiana Jones)

ATORES

HEATH LEDGER (Batman – o cavaleiro das trevas e Não estou lá)
JAVIER BARDEM (Vicky Cristina Barcelona e Onde os fracos não têm vez)
DANIEL DAY-LEWIS (Sangue negro)

PIORES FILMES

ALIEN VS. PREDADOR 2 (EUA, de Colin Strause e Greg Strause)
O GUERREIRO DIDI E A NINJA LILI (Brasil, de Marcos Figueiredo e Paulo Aragão Neto)
HIGH SCHOOL MUSICAL 3: ANO DA FORMATURA (EUA, de Kenny Ortega)

FILMES INCLUÍDOS NO CATÁLOGO

4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS (Romênia, de Cristian Mungiu)
AINDA ORANGOTANGOS (Brasil, de Gustavo Spolidoro)
A BANDA (Israel/Fra/EUA, de Eran Kolirin)
BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS (EUA, de Christopher Nolan)
CANÇÕES DE AMOR (França, de Christophe Honoré)
CLOVERFIELD – MONSTRO (EUA, de Matt Reeves)
CONDOR (Brasil, de Roberto Mader)
CONTROL (Inglaterra/EUA, de Anton Corbijn)
DELÍRIOS (EUA, de Tom DiCillo)
DESEJO E REPARAÇÃO (Inglaterra, de Joe Wright)
DO OUTRO LADO (Alemanha/Tur/Ita, de Fatih Akin)
EM PARIS (França/Portugal, de Christophe Honoré)
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Blindness, de Fernando Meirelles)
O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (França/EUA, de Julian Schnabel)
ESTÔMAGO (Brasil, de Marcos Jorge)
JUÍZO (Brasil, de Maria Augusta Ramos)
JUNO (Juno, de Jason Reitman)
LEMON TREE (Israel/Ale/Fra, de Eran Riklis)
LINHA DE PASSE (Brasil, de Walter Salles e Daniela Thomas)
LUZ SILENCIOSA (México/Fra/Hol/Ale, de Carlos Reygadas)
NA NATUREZA SELVAGEM (EUA, de Sean Penn)
NÃO ESTOU LÁ (EUA/Alemanha, de Todd Haynes)
NOME PRÓPRIO (Brasil, de Murilo Salles)
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (EUA, de Ethan e Joel Coen)
PARANOID PARK (EUA, de Gus Van Sant)
PERSÉPOLIS (França, de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi)
SANGUE NEGRO (EUA, de Paul Thomas Anderson)
O SEGREDO DO GRÃO (França, de Abdel Kechiche)
SENHORES DO CRIME (EUA/Inglaterra, de David Cronenberg)
SERRAS DA DESORDEM (Brasil, de Andrea Tonacci)
SICKO – $O$ SAÚDE (EUA, de Michael Moore)
O SILÊNCIO DE LORNA (Bélgica/Ing/Fra, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne)
O SOL (Solntse, de Aleksandr Sokurov)
SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET (EUA, de Tim Burton)
TERRA VERMELHA (Itália/Brasil, de Marco Bechis)
A ÚLTIMA AMANTE (França/Ita, de Catherine Breillat)
VICKY CRISTINA BARCELONA (EUA/Esp, de Woody Allen)
WALL-E (EUA, de Andrew Stanton)

Público total – 2208 espectadores
Filmes mais vistos – O silêncio de Lorna e Vicky Cristina Barcelona (289 espectadores)

 

SETEMBRO
12 – É inaugurado o Cine Arte UFF, com lançamento nacional de “Samson”, de Andrzej Wajda. A programação de abertura trazia também “O anjo exterminador”, de Luis Buñuel, e “As duas faces da felicidade”, de Agnès Varda, do curso “Cinema: arte ou comércio?”.
OUTUBRO
1 – Fechado de janeiro a outubro, o cinema reabre com o filme “A Noite do Espantalho”, com Alceu Valença.
FEVEREIRO
25 – O 2º Festival do Gordo e o Magro Taz os filmes “A arte de instalar antenas”, “Ajudante desastrado”, “Gatos escaldados”, “Hóspedes indesejáveis” e “Marujo não leva desaforo”.
JUNHO
14 a 20 – O Cine Arte UFF apresenta a mostra 80 Anos de Cinema Brasileiro.
JANEIRO
17 a 21 – Mostra Chaplin com a exibição de clássicos como “Tempos modernos”, “O grande ditador” e “Luzes da cidade”.
24 a 28 – Exibição melhores filmes de 1977, com “Aguirre – A cólera dos deuses”, “Cidadão Klein” e “O inocente”, entre outros.
MARÇO
20 a 25 – Semana do Filme de Ficção Científica exibiu histórias como “No mundo de 2020”, “Travessia para o futuro”, “Fuga do século 23” e “THX -1138”.
ABRIL
11 a 15 – Filmes como “Alphaville”, “Os incompreendidos”, “As duas faces da felicidade” e “Os guardas-chuvas do amor” fizeram parte da Semana Permanência do Cinema Francês.
MAIO
23 a 27 – O cineasta japonês Akira Kurosawa é homenageado em uma semana com a exibição de seus filmes “Sanjuro”, “A anatomia do medo”, “Ralé”, “Céu e inferno” e “Os sete samurais”
JUNHO
27 a 1 de julho – É a vez do cineasta Ingmar Bergman ser homenageado com a exibição de “Cenas de um casamento”, “O sétimo selo”, “Gritos e sussurros”, “O rosto” e “Face a face”.
AGOSTO
22 a 26 – Mostra de filmes A Música Rock-Pop-Country no Cinema com os filmes “Janis”, “Jesus Cristo Superstar”, “O fantasma do paraíso”, “Tommy” e “Nashville”.
OUTUBRO
9 a 14 – A Semana da Comédia Cinematográfica exibe “Tutti tutti buona genti”, “Tudo o que você sempre quis saber sobre o sexo”, “Venha tomar um café conosco”, “Golpe de mestre”, entre outros.
NOVEMBRO
21 a 25 – Hitchcock entra em cena no Ciclo Alfred Hitchcock, que exibiu clássicos como “Psicose”, “Os pássaros”, “Topázio”, “Marine, confissões de uma ladra” e “Cortina Rasgada”.
DEZEMBRO
12 a 16 – O ano encerrou com o Ciclo do Filme Romântico e Sentimental, que contou com “Uma história de amor”, “Momento de decisão”, “Amigos e amantes”, “Irmão Sol, Irmã Lua” e “Ensina-me a viver”.
JANEIRO
9 a 21 – A Seleção dos Melhores de 78 exibiu, durante duas semanas, filmes como “1900”, “Noivo neurótico, noiva nervosa”, “Casanova” e “Contatos imediatos do terceiro grau”.
ABRIL
3 a 10 – A semana O Cinema Imortal reuniu filmes como “A regra do jogo”, “No tempo das diligências”, “Alphaville” e “O expresso da meia-noite”.
JULHO
3 a 10 – “Oeste selvagem” e “Onde começa o inferno” são alguns dos filmes da semana Os Mestres do Western.
SETEMBRO
22 a 27 – Um mês após a morte do cineasta, a Retrospectiva Glauber Rocha relembra filmes como “Barravento” e “Deus e o diabo na terra do sol”.
JANEIRO
11 a 17 – O cinema abriga o I Festival de Curta e Média Metragem de Niterói.
AGOSTO
10 a 14 – “O homem de mármore” e “O maestro” integram o Ciclo do Cinema Polonês.
17 a 21 – No Ciclo Bergman, são exibidos “Face a face”, “Da vida das marionetes” e “O ovo da serpente”.
24 a 28 – No Ciclo Carlos Saura, “Cría cuervos”, “Elisa vida minha” e “Olhos vendados”.
MAIO
17 a 21 – A Semana Nelson Rodrigues exibe as versões para o cinema de “O beijo no asfalto”, “Os sete gatinhos” e “Engraçadinha”, entre outras.
JUNHO
20 a 25 – Organizada por alunos do curso de Cinema, a mostra Cinema Malvisto exibe filmes pouco assistidos ou massacrados pela crítica, como “A idade da terra” e “Pindorama”.
JULHO
Por todo o mês – Às 18h30, a mostra de Cinema Angolano exibe filmes do país africano com entrada franca. Às 20h, o cinema abriga o II Festival de Curta e Média Metragem de Niterói.
AGOSTO
15 a 19 de setembro – Às segundas, a mostra O Novo Cinema Alemão exibe filmes como “Lili Marlene”, “O enigma de Kaspar Hauser” e “O amigo americano”.
NOVEMBRO
7 a 28 – Às segundas, a sessão Cinédia exibe clássicos da produtora brasileira, como “Alô, alô, carnaval” e “Bonequinha de seda”.
15 a 20 – Na Mostra Einsenstein, o cinema soviético é representado por “O encouraçado Potemkin”, “Alexandre Nevsky”, “Que viva México!” e “Ivan, o terrível”.
DEZEMBRO
6 a 11 – O festival Nacionais Inéditos exibe “Os monstros de Babaloo”, “Memórias do medo” e “Bububu no bobobó”.
MAIO
14 a 20 – Na mostra Herzog, são exibidos filmes do cineasta alemão, como “Nosferatu” e “O enigma de Kaspar Hauser”.
SETEMBRO
10 – Debate com Sílvio Tendler sobre o documentário “Jango”.
JUNHO
10 a 16 – Ao lado de uma exposição de fotos do Rock in Rio, o cinema exibe os filmes “The Rocky Horror Picture Show”, “Heavy metal – Universo em fantasia”, “American pop” e “Get crazy – Na zorra do rock”.
JULHO
22 e 28 – A Mostra Humberto Mauro exibe longas e curtas do cineasta mineiro, como “Ganga bruta” e “A velha a fiar”.
22 a 28 – Com entrada franca em todas as sessões, a mostra Cinema Canadense exibe os filmes “Mon oncle Antoine” e “Why shoot the teacher”, entre outros.
29 a 4 de agosto – No Rio Cine Festival, atual Festival do Rio, são exibidos filmes como “A lira do delírio”, “Vai trabalhar, vagabundo” e “A rainha diaba”.
AGOSTO
19 a 1 de setembro – Com o apoio da distribuidora francesa, o Festival Gaumont apresenta produções como “Danton – O processo da revolução” e “Estado de sítio”.
OUTUBRO
7 a 13 – O Panorama do Cinema Espanhol apresenta clássicos da cinematografia do país europeu, como “Cría cuervos”, “O espírito da colmeia” e “Mamãe faz cem anos”.
NOVEMBRO
28 a 3 de dezembro – O Dia em que Niterói Parou – I Mostra de Ficção Científica de Niterói traz um panorama do gênero, desde “Metrópolis”, de Fritz Lang, à estética de videogame de “Tron – Uma odisseia eletrônica”.
FEVEREIRO
13 a 1 de março – “O feitiço de Áquila”, “Metrópolis” e “O baile” são alguns dos filmes escolhidos para a Retrospectiva 85.
MARÇO
10 a 15 – A mostra Glauber por Glauber exibe obras do diretor que se tornou a cara do Cinema Novo, como “Deus e o diabo na terra do sol” e “Terra em transe”.
ABRIL
14 a 20 – A mostra Ozualdo Candeias: Uma Opção de Cinema exibe os filmes “A opção”, “A margem”, “Meu nome é Tonho”, “A herança” e “Manelão, o caçador de orelhas”.
JULHO
7 a 13 – A II Mostra de Cinema Japonês Contemporâneo apresenta os filmes “Na era dos deuses”, “Anatomia do crime” e “O portal do inferno”, entre outros.
14 a 28 – Nas segundas-feiras, o Ciclo Nagisa Oshima exibe os clássicos “O império dos sentidos”, “O garoto Toshio” e “Furyo – Em nome da honra”.
OUTUBRO
7 a 12 – “Viridiana”, “Valentina” e “Solos en la madrugada” são alguns dos filmes que compõe o Panorama do Cinema Espanhol.
NOVEMBRO
12 a 16 – Na Semana do Presidente, “Os anos JK”, “Jânio a 24 quadros”, “Jango” e “Céu aberto” relembram momentos marcantes da política brasileira.
DEZEMBRO
8 a 21 – O Ciclo Traga a Família apresenta filmes sobre conturbadas relações familiares, como “Os sete gatinhos” e “Fanny e Alexander”.
22 a 3 de janeiro de 1987 – O ano vira com uma série de filmes de Alfred Hitchcock, incluindo clássicos como “Um corpo que cai”, “Festim diabólico” e “Janela indiscreta”.
MARÇO
5 A 15 – A mostra Cinema e Ecologia traz os filmes “Iracema – Uma transa amazônica”, “Fitzcarraldo” e “Anatomia do medo”, entre outros.
JUNHO
30 a 6 de julho – A mostra Portugal: A Literatura no Cinema traz os filmes “A balada da praia dos cães”, “Manhã submersa”, “Conversa acabada”, “O desejado” e “A ilha dos amores”.
OUTUBRO
6 a 12 – Na mostra Cinema Espanhol, o público pode conferir os filmes “Las bicicletas son para el verano” e “Demonios en el jardin”, entre outros.
ABRIL
14 a 19 – A mostra El Cine de Pedro Almodóvar traz obras do cineasta espanhol, como “A lei do desejo” e “Labirinto de paixões”.
27 a 3 de maio – “Aleluia, Gretchen”, “A guerra dos pelados” e “República Guarany” são alguns dos filmes da Mostra Sílvio Back.
OUTUBRO
5 a 11 – A mostra Cinema Espanhol conta com os filmes “Que he hecho yo para merecer esto?” e “Cronica del alba”, entre outros.
JUNHO
10 a 16 – Ao lado de uma exposição de fotos do Rock in Rio, o cinema exibe os filmes “The Rocky Horror Picture Show”, “Heavy metal – Universo em fantasia”, “American pop” e “Get crazy – Na zorra do rock”.
JULHO
22 e 28 – A Mostra Humberto Mauro exibe longas e curtas do cineasta mineiro, como “Ganga bruta” e “A velha a fiar”.
22 a 28 – Com entrada franca em todas as sessões, a mostra Cinema Canadense exibe os filmes “Mon oncle Antoine” e “Why shoot the teacher”, entre outros.
29 a 4 de agosto – No Rio Cine Festival, atual Festival do Rio, são exibidos filmes como “A lira do delírio”, “Vai trabalhar, vagabundo” e “A rainha diaba”.
AGOSTO
19 a 1 de setembro – Com o apoio da distribuidora francesa, o Festival Gaumont apresenta produções como “Danton – O processo da revolução” e “Estado de sítio”.
OUTUBRO
7 a 13 – O Panorama do Cinema Espanhol apresenta clássicos da cinematografia do país europeu, como “Cría cuervos”, “O espírito da colmeia” e “Mamãe faz cem anos”.
NOVEMBRO
28 a 3 de dezembro – O Dia em que Niterói Parou – I Mostra de Ficção Científica de Niterói traz um panorama do gênero, desde “Metrópolis”, de Fritz Lang, à estética de videogame de “Tron – Uma odisseia eletrônica”.
ABRIL
18 a 24 – “A bela do Alhambra” e “A lua no espelho” integram o catálogo da I Mostra Internacional de Festivais.
MAIO
17 a 23 – Na II Semana do Cinema Soviético, o público pode conferir clássicos da antiga URSS, como “Quando voam as cegonhas” e “Pequena boneca”.
JULHO
3 a 20 – A Pequena Retrospectiva do Cinema Brasileiro traz produções como “Vidas secas” e “Todas as mulheres do mundo”.
SETEMBRO
20 a 23 – “O homem do Sputnik” e “Carnaval Atlântida” são algumas das chanchadas da mostra 50 Anos da Atlântida.
OUTUBRO
1 a 10 – O mestre do cinema Luis Buñuel tem uma mostra dedicada a seus filmes. Na programação, “A bela da tarde”, “Os esquecidos” e “Viridiana” são alguns dos títulos.
11 a 17 – Na mostra Panorama do Cinema Espanhol, “Calle Mayor” e “Bienvenido Mr. Marshall” são alguns dos filmes.
ABRIL
10 a 16 – “Ninotchka” e “Uma noite em Casablanca” são alguns dos filmes que divertem na semana do Clássicos do Humor.
MAIO
18 a 21 – Entra em cena a Mostra de Filmes Brasileiros com Temática Indígena, como “Raoni”, “Iracema”, “Terra dos índios” e “Brasil Ano 2000”.
SETEMBRO
18 – Comemoração do Aniversário do Cine Arte UFF com filme surpresa.
NOVEMBRO
20 – Exibição dos filmes “O País de São Saruê” e “O Evangelho Segundo Teotônio” seguidos de debate com o produtor e diretor paraibano Vladimir Carvalho.
MAIO
28 a 2 de junho – A mostra Mil Novecentos e 68 reúne produções que capturaram o clima de mudança e agitação política do ano-chave da década de 60. “Z”, “A chinesa” e “Loucuras de uma primavera” são alguns dos títulos.
JUNHO
25 a 1 de julho – O Festival Spike Lee traz os filmes “Faça a coisa certa”, “Malcolm X”, “Mais e melhores blues” e “Febre da selva”.
JULHO
2 a 8 – A mostra Os Cariocas conta com os filmes “Se segura malandro”, “Copacabana me engana” e “Todas  as mulheres do mundo”, entre outros.
AGOSTO
13 a 3 de setembro – Com nome tirado do filme de Andrzej Wajda, a mostra Sem Anestesia reúne produções incômodas, como “Ana e os lobos” e “Saló, ou os 120 dias de Sodoma”.
NOVEMBRO
15 a 18 – O Ciclo Desejo traz filmes como “Ata-me!”, “O diabo na carne de Miss Jones”, “O joelho de Claire” e “O padre e a moça”.
JUNHO
23 a 29 – O Ciclo de Cinema Mexicano apresenta a mostra Novos Realizadores Mexicanos, com filmes de Juan Antonio de la Riva e Luis Estrada, entre outros.
OUTUBRO
10 a 20 – A mostra A Idade da Inocência apresenta histórias contadas pelo ponto de vista de crianças e adolescentes, como “Cría cuervos”, “A glória de meu pai” e “O jardim secreto”.
DEZEMBRO
11 e 12 – A VI Mostra Curta Cinema exibe filmes nas sessões de 19h e 21h.
JANEIRO
5 a 8 de fevereiro – A Restrospectiva 95 exibe os filmes “O balão branco”, “O ódio” e “Terra estrangeira”.
MARÇO
15 a 1 de abril – A Retrospectiva 98 exibe os filmes “Central do Brasil”, “Melhor é impossível” e “Titanic”, entre outros.
ABRIL
23 a 29 – A mostra Apocalipse Now? discute a guerra na antiga Iugolásvia. Entre os filmes, “Underground”, de Emir Kusturica, e “Antes da chuva”, de Milcho Manchevski.
MAIO
1 a 11 – O desemprego no país inspira a mostra Trabalho/Desemprego, com os filmes “Boleiros”, “O ódio” e “Ou tudo ou nada”, entre outros.
12 e 13 – Curtas de Olney São Paulo e Joel Pizzini são exibidos com entrada franca na semana de calouros.
SETEMBRO
3 a 10 – A mostra 40 Anos de Cinema Cubano traz para Niterói longas e curtas do país latino-americano.
17 a 30 – O Cine Arte UFF participa do Festival do Rio 99, abrigando as mostras Cinema Brasileiro dos Anos 90, Roberto Farias e Imagens Argentinas.
OUTUBRO
25 a 30 – “Você ri”, “A árvore das pedras”, “Radiofreccia”, “O último ano novo”, “Encontro proibido” e “Rosas e pistolas” integram a Mostra de Cinema Italiano, com produções de 97 e 98.
FEVEREIRO
15 – A mostra Imovision de cinema exibe filmes autorais e independentes como “A menina santa”, “Heróis imaginários”, “Quanto vale ou é por quilo?” e “O signo do caos”.
AGOSTO
25 a 5 de setembro – A mostra Brasil Profundo resgata o cinema brasileiro com filmes como “Raízes do Brasil”, “Deus e o diabo na terra do sol”, “Cabra marcado para morrer” e “Iracema, uma transa amazônica”.
MAIO
18 a 24 – A Mostra Franceses Inéditos exibe 7 filmes franceses realizados entre 2005 e 2007, com destaque para “Instantes de audiência”, “De víbora em punho” e “O pequeno tenente”.